
Por Abraham Bohadana (*)
O pesadelo acabou !
Um vento forte varreu a nuvem negra, de contornos grotescos, que teimava em interpor-se entre o Vasco e o Sol.
Embriagada de alegria, a torcida vascaína saboreia o reencontro do Vasco com sua história, com a liberdade reconquistada que, suave brisa, desde o abençoado dia 21 de junho de 2008 envolve a colina histórica.
O tempo é de comemoração, mas também de gratidão.
Gratidão para com um pequeno grupo de vascaínos autênticos, cujo trabalho paciente e corajoso, por amor ao Vasco, desafiou e venceu o poder totalitário instalado para "durar 100 anos". Um grupo que ja faz parte da lenda : os heróis do MUV.
Gratidão para com o ídolo Roberto Dinamite, por ter aceito o combate desigual da ética contra o delírio autarquico e repressivo que tantos vascaínos afastou de São Januário.
O tempo é de comemoração, mas também de reconstrução.
Reconstrução que vai exigir da massa vascaína a mesma generosidade que, outrora, guiou-a na epopéia inédita que viu nascer São Januário.
Reconstrução que implica em compreender que a liberdade nao é um estado de tudo ou nada, mas um processo que começa na liberação e se completa na realização. E que, a termo, ha de conduzir o Vasco a cumprir seu destino de campeão.
O tempo é de comemoração, mas também de reflexão.
Reflexão que leva a evocar o poeta Ary dos Santos, que, se vivo fosse, haveria de cantar a ressureição do Vasco como a de um clube "de tal maneira explorado pelo mando acumulado, pelas ideias nazis, pelo dinheiro estragado, pelo dobrar da cerviz", e concluir que o renascimento é irreversivel e que nada, absolutamente nada, podera fechar as portas que junho abriu.
(*) Abraham Bohadana é vascaíno de nascimento, mora na França há séculos e não tem conflito de interesse com nenhum membro da diretoria do Vasco. abraham.bohadana@free.fr
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