Cesar Augusto Mota

Cesar Augusto Mota

Bacharel em Ciências Jurídicas e Socias e advogado. Da capital federal, vascaíno não por opção, nasci predestinado a ser Vasco, com a Cruz de Malta no peito e faixa de campeão.

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Caminho árduo a percorrer

Em 28/03/2013 03:31
 

Olá, amigos vascaínos!



Logo após a derrota para o Nova Iguaçu, vimos algumas mudanças no Vasco e novos contratados. Falemos de tudo isso e da partida contra o Olaria, pela 3ª rodada da Taça Rio.



Ricardo Gomes



Após o anúncio da demissão de Gaúcho ainda nos vestiários de Volta Redonda e por Renê Simões, Ricardo Gomes achou a decisão muito rápida e considerou mais adequado reunião com o presidente Roberto Dinamite e no dia seguinte após a derrota para o Nova Iguaçu. Além disso, estava se sentindo desgastado com a diretoria por cobrar salários em dia do elenco e não ver o apelo atendido.

Consequentemente, Ricardo comunicou a Roberto Dinamite e a toda diretoria que havia deixado seu cargo à disposição, o que foi rapidamente recusado por Renê Simões, este e Dinamite de todas as formas tentaram e conseguiram fazer Ricardo reconsiderar sua decisão. Inclusive houve a participação de Ricardo em reunião na casa de Renê Simões que selou a contratação de um técnico vencedor, ambos voltaram a se encontrar após 17 anos. E Ricardo se mostrou feliz em estar novamente ao lado de Paulo Autuori,  sobre o qual falarei à seguir.



Paulo Autuori



No último dia 22, no fim da tarde, e após longa reunião na casa de Renê Simões, na Barra, foi anunciada a contratação de Paulo Autuori, que estava há 4 anos no mundo árabe e veio para ajudar o Vasco nesse momento tão difícil e após 3 derrotas seguidas no Campeonato Carioca.

Autuori é um treinador exigente, que cobra disciplina e comprometimento, não tolera vaidades e gosta de ver as coisas simples serem feitas, futebol jogado com qualidade, sem firula, aplicação tática e compromisso com a vitória, nunca entrar em campo se contentando em não perder, e superar adversários na técnica, e caso não seja possível, na vontade e na superação. Esse perfil de treinador é benéfico para o Vasco, pois há algum tempo víamos jogadores acomodados, outros sem respeitar as ordens dos antigos comandantes e alguns insatisfeitos com substituições ou com a reserva.

Não só seu currículo recheado de títulos e o trabalho por onde passou são destaques, a personalidade de Paulo Autuori também chama a atenção, é um homem digno, trabalhador, sempre tratou todos com respeito e está sempre disposto a encarar novas oportunidades.

Não falei no parágrafo anterior que seria um novo desafio para Paulo Autuori, mas uma oportunidade dirigir o Vasco, o Gigante da Colina é um clube grande e com uma torcida impressionante, espalhada por todo o país e com um sentimento capaz de contagiar torcedores de outros clubes, seja qual for a situação, o vascaíno não abandona, ama seu clube e o defende com todas as forças. E em sua apresentação após o primeiro treino no sábado de manhã ele revelou ser vascaíno e que não mistura o torcedor com o profissional, na época em que dirigiu o maior rival, em 1997, disse ser vascaíno, mas que estava lá para trabalhar e fazer o melhor. Pois bem, passaram-se 16 anos e o vascaíno Paulo Autuori tem a chance de dirigir seu clube de coração.

Salário e duração de contrato não foram acertados entre Paulo Autuori e diretoria, mas o treinador confia no que lhe foi apresentado, e para aceitar ser treinador do Vasco, Paulo fez exigências como a manutenção em dia dos salários dos atletas, uma equipe competitiva e integração da base com a categoria profissional. São solicitações contundentes, e o Vasco terá que multiplicar seus esforços para acertar tudo isso.

Agora o Vasco inverte a situação, antes possuía uma grande equipe, mas com problemas de comando, agora possuímos um técnico de ponta, mas não um grande time. Há pouco tempo reclamávamos de Cristóvão Borges e Gaúcho, seja pelas escalações, substituições e esquemas de jogo que não fizeram o Vasco progredir  e que chegaram a queimar alguns jogadores. E hoje sofremos com a falta de jogadores qualificados, que entrem e façam a diferença no time, e os atletas que temos hoje entram em campo desmotivados, lentos e sem tantas perspectivas. E a falta de motivação acontece pela ausência de bons resultados e em decorrência de salários atrasados, e é bastante complicado trabalhar sem receber, e já são 2 meses de vencimentos em atraso.

Outros atletas sequer são aproveitados, como Robinho e Michel Alves, que nunca estrearam,  e alguns são preteridos, como Abuda, que vinha bem como primeiro volante e virou reserva, e Fillipe Souto, alijado até do banco. Foram contratados 10 jogadores e com poucos recursos, mas apenas Pedro Ken e Nei jogam frequentemente.

Uma situação complicada, Paulo Autuori terá uma dura missão de fazer o Vasco evoluir, mas ele sozinho não faz milagre, o plantel precisa ser mais bem qualificado, mas o clube não conta com muitos recursos, pensar em melhorias, mais adiante, para o meio do ano, na disputa do Campeonato Brasileiro e após a venda de Dedé, prevista em orçamento e na casa dos 10 milhões de euros.

Paulo também chama para si a responsabilidade de fazer o Vasco melhorar, mas só ele não basta, nosso treinador tem que exigir comprometimento de todos os atletas e a diretoria também precisa ter atitude e se movimentar, na busca por receitas para pagar salários de atletas, comissão técnica e funcionários, contratação de reforços e pagar dívidas históricas, o Vasco forte e reorganizado é um compromisso de todos.



Taça Rio



Após 5 dias da apresentação oficial e 3 treinamentos, Paulo Autuori fez sua estréia no Vasco, contra o Olaria pela 3ª rodada da Taça Rio e no estádio Moça Bonita. Imaginávamos uma formação com jogadores mais ofensivos e atletas mais motivados após a chegada do profissional que é Paulo Autuori, mas fomos surpreendidos com a escalação de Tenório desde o início do jogo e jogadores perdidos em campo, que não sabiam o que fazer.

Bernardo havia sentido a coxa direita e ficou de fora, e acabou Tenório sendo seu substituto. Paulo Autuori disse na véspera do jogo que pretendia utilizar o Demolidor, mas não desde o início, que seria escalado de maneira gradual e que seria temerário colocá-lo de cara devido ao longo tempo de inatividade, mas não foi bem assim, Tenório jogou a partida integralmente e não ameaçou o gol do Olaria.

Além disso, tivemos a grata surpresa de vermos Dedé de volta ao time, ele estava afastado devido a fortes dores abdominais, mas foi reavaliado e liberado pelos médicos, e deu um pouco mais de tranquilidade a zaga, que vinha batendo cabeça e sofrendo gol em quase todos os jogos.

Uma escolha feita por Paulo Autuori e que deixou muitos torcedores confusos foi o fato do Vasco ter contado com 3 jogadores defensivos; Sandro Silva, Wendel e Fellipe Bastos; e apenas 1 meia ofensivo, Carlos Alberto, já que Autuori queria ver o Vasco chegando rapidamente ao ataque e apresentando um futebol com qualidade.

Já sabíamos da barração de Pedro Ken e da entrada de Bastos, mas não vimos o meio de campo ser produtivo, o setor encontrou muitas dificuldades para furar a retranca do adversário e as laterais foram pouco exploradas. Carlos Alberto errou muitos passes, tentou ser mais participativo no segundo tempo, mas a pouca inspiração e a ansiedade foram prejudiciais e as jogadas não fluíram bem.

Mais uma vez Nei não conseguiu apresentar um bom futebol na lateral direita, mas foi mantido em campo, sendo deslocado para a esquerda após a entrada de Elsinho no lugar do lesionado Thiago Feltri. Elsinho mostrou bastante movimentação e realizou algumas jogadas na direita, é uma sombra para Nei, já Feltri não mostrou nada na parte defensiva e também com relação a apoiar o ataque.

Vimos alguma melhora na defesa, Dedé esteve bem na cobertura e teve bom posicionamento, já Renato Silva encontrou dificuldades para marcar os atacantes do Olaria, sendo auxiliado por Dedé na maioria das vezes. Wendel não fez bom jogo, errou muitos passes e cruzamentos e não conseguiu contribuir ofensiva e defensivamente, por isso deu lugar a Pedro Ken, que mais correu do que produziu algo efetivo. Sandro Silva jogou de forma mais satisfatória que nas partidas anteriores, com uma marcação mais precisa e com poucos erros de passe, e Fellipe Bastos não fez nada pra ajudar o ataque, já que foi escalado mais próximo da área.  Deu lugar a Dakson, mas não teve uma atuação de destaque como nos outros jogos, seus chutes de longa distância e outras jogadas não ameaçaram.

E finalmente, falando de Éder Luis, sua ansiedade, abatimento pelas críticas recebidas por vários torcedores e  as claras limitações técnicas o atrapalharam no jogo, e curiosamente, a oportunidade mais clara de gol que o Vasco teve no jogo surgiu dos pés dele, que carimbou a trave após finalizar da pequena área.

Esse foi o raio-X do Vasco sob o comando de Paulo Autuori, uma equipe ansiosa, ainda abatida pelos últimos resultados e errando muito no toque de bola e sem conseguir trabalhar jogadas para que a bola chegue redonda aos seus atacantes. Paulo Autuori terá uma missão árdua com esse Vasco, mas com sua filosofia de trabalho, que exige dedicação dos atletas, aprimoramento de jogadas no dia-a-dia de treinos, conversas ao pé do ouvido e discursos motivacionais. Tudo isso juntamente com a chegada de contratações já solicitadas por ele e com as finanças mais equilibradas do meio do ano pra frente poderemos ver resultados, infelizmente não constataremos nada no Campeonato Carioca.

Paulo Autuori chegou agora e essa péssima situação pela qual passa o Vasco na competição é resultado da ineficiência do time dentro de campo, do que não conseguiu alcançar antes,  e os problemas de fora das 4 linhas também refletiram na equipe, como o atraso nos salários, dito anteriormente e as constante discussões internas entre grupos políticos, que só fazem piorar o ambiente dentro do clube. É difícil trabalhar quando o clima é nebuloso, o clube não paga em dia seus funcionários e os jogadores estão de cabeça baixa e insatisfeitos, e ao aceitar trabalhar no Vasco, sabia Paulo Autuori de tudo isso. Não seria possível haver melhoras na equipe depois de apenas um jogo, Autuori precisa de tempo para trabalhar e da confiança de todos, ele é um profissional capaz e que fará de tudo para fazer o Vasco evoluir, mas não dará para desenvolver um bom trabalho se for somente com o atual elenco, reforços são necessários, e com urgência.



Engenhão e jogos em São Januário



Não poderia deixar de tratar nessa parte final de minha coluna sobre um assunto que levantou muita polêmica em diversos sites vascaínos e em toda a imprensa esportiva, a interdição do Engenhão e alguns jogos remarcados para São Januário e outros estádios.

Devido a um problema na cobertura do estádio Olímpico João Havelange, nos setores leste e oeste, os ventos fortes poderiam provocar desabamentos e colocar em risco a segurança de muitos torcedores, e rapidamente o prefeito Eduardo Paes interditou o Engenhão.  Essa notícia pegou todos de surpresa, e agora com o fechamento do estádio por tempo indeterminado, alguns jogos chegaram a ser transferidos para São Januário, Moça Bonita e Raulino de Oliveira, causando insatisfação entre torcedores e alguns dirigentes.

Logo que a interdição do Engenhão foi comunicada pela prefeitura do Rio de Janeiro por e-mail à FFERJ, esta tratou de se reunir com representantes dos 4 clubes grandes do Estado para tratar da transferência de jogos que ocorreriam no estádio, e inicialmente as partidas Fluminense x Macaé e Botafogo x Friburguense seriam em São Januário, mas só o primeiro jogo aconteceu. O segundo confronto foi deslocado para 10 de abril e em Bangu, no estádio Moça Bonita. Houve claro desrespeito ao Estatuto do Torcedor ao ser o jogo do Fluminense remarcado após 24 horas de antecedência, sendo a previsão de 48 horas para mudança de local e horário, e isso provocou descontentamento nos torcedores, com seus direitos sendo prejudicados. Já no caso do Botafogo, a alteração se deu com intervalo de 2 semanas de antecedência, não violando o estatuto.

Essas remarcações provocaram a ira da maior parte dos vascaínos, pois nunca o Vasco pode mandar clássicos em seu estádio e de repente vê outros times jogando em sua casa, o que é uma afronta. Pode ser colocado o argumento de que o campeonato não pode ser paralisado e que os clubes precisam se ajudar, mas ninguém ajuda o Vasco, os rivais já tentaram impedir o Gigante da Colina de disputar o Estadual por não ter um estádio próprio, hoje que não há mais lugar para mandarem os jogos, querem correr para a Colina Histórica.

Poderia até o Vasco liberar São Januário para os outros clubes, mas condicionando a realização de clássicos em seus domínios, e se o Vasco tem estádio, tem direito de mandar seus jogos nele. Sei que há problemas com a Polícia Militar que não libera, alegando falta de segurança, poucas catracas na entrada, assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta assinado pelo presidente do clube juntamente ao Ministério Público, dentre outros problemas, mas a segurança é a Polícia Militar que faz, há pouco mais de 21 anos, em 1992, os clássicos do Campeonato Carioca foram realizados no estádio do Vasco, e com a devida fiscalização, trabalho da PM e punição aos propagadores da violência.

Reclamávamos de falta de pulso firme e de força do Vasco nos bastidores quanto a lutar por seus direitos, seja para ter clássicos em casa ou para protestar contra erros de arbitragem na FERJ ou CBF, mas não posso deixar de ressaltar que o clube tentou jogar contra o Botafogo em São Januário, e o acerto não aconteceu devido a não-concordância na divisão da quantidade de torcedores dos 2 clubes no estádio e no valor da renda para cada agremiação.

O presidente do Botafogo queria que houvesse 50% de divisão nas arquibancadas e na renda, mas a Polícia Militar vetou por considerar risco à segurança, e isso foi proposto pelo mandatário alvinegro por ser nestas condições que os clássicos aconteciam no Engenhão, eram esses os termos que o Botafogo dava para as partidas ocorrerem lá. Mas o presidente do Vasco propôs que a torcida do Vasco fosse de 90%, a do Botafogo em 10% e que a renda da partida fosse dividida meio a meio, o que foi rapidamente recusado pelo presidente botafoguense. Após tantos desentendimentos, a FERJ decidiu que o clássico ocorrerá em 3 de abril, mas em Volta Redonda. Foram muitos vezes que vimos a passividade da diretoria do Vasco e deixar passar muitas coisas, mas pelo menos nessa ocasião houve tentativa da diretoria de levar os clássicos com mando do Vasco para São Januário. Não foi possível, mas o Vasco tem que colocar seus interesses sempre em primeiro lugar, e não baixar a cabeça para os outros.



Agradecimentos



Espero que gostem dessa nova análise e com base no que aconteceu de mais relevante nos últimos dias no Vasco e também no futebol brasileiro, agora com o desfalque do Engenhão por tempo indeterminado.

Continuem a ler minhas análises, deixem suas opiniões, elogios, críticas e sugestões, todas as considerações de vocês serão bem vindas, e apreciem também as notícias do Supervasco, a cada dia com mais conteúdo e interação entre os leitores.

Obrigado a todos, até a próxima semana, que o mês de março tenha sido ótimo para vocês, e que abril seja ainda melhor. Abraços, saudações vascaínas!

Cesar Augusto Mota

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