Coluna João Vítor Carvalho

Coluna João Vítor Carvalho

Entre um jornalista e um comentarista de boteco. Um jovem universitário sem muito dinheiro mas que gasta o pouco que tem assistindo aos jogos do Vasco seja no Maraca ou em São Janu. Vascaíno desde 20 de agosto de 1898, antes mesmo do Vasco existir.
26/07/2012 14:55:00

E eu que era triste, descrente deste mundo....

Tem um tempinho que não escrevo algum negócinho sobre o Vasco.

Escrevo em dois lugares, no Supervasco e no Blog da Colina( Conheçam, visitem, contem para seus amigos!). No Blog da Colina, a última vez que dei pitaco foi no dia 9 de junho, sob o título, “ Quer dizer sim, claro que quer!”

O Vasco havia vencido seus três primeiros jogos no Campeonato, sendo àquela altura o único time com 100% de aproveitamento. E eu bradava contra essa coisa de dizer que “isso não significa nada, o campeonato é longo, blá blá blá, whiskas sachê”. Como assim não quer dizer nada? Se tivéssemos perdido os três primeiros, provavelmente o apocalipse seria anunciado. Para mim aqueles três resultados confirmavam minhas expectativas, cunhadas ainda no ano passado, que apontavam o Vasco como favorito para tudo em 2012.

Meu último pitaco no Supervasco aconteceu no dia 6 de julho. Tava bolado. Diego Souza seria vendido, depois não seria mais. Acabou que um tempo depois daquilo, ele foi vendido mesmo. Péssimo. Naquela época eu nem cogitava a saída do Fágner. Péssima. O intuito daquele texto era perguntar se o Vasco , se quem manda na bagaça, colocava a variável “segunda-feira de milhares de pessoas” na equação.

E durante esse hiato entre colunas, muita coisa aconteceu. Wendel estreou contra o São Paulo no Morumbi e , sem errar passes, sem precisar correr feito maluco, ajeitou o lado esquerdo do time. Arrumou a marcação por lá com o Willian Matheus ( Grata surpresa!)e deu um upgrade na saída de bola pelo setor. O Vasco fez naquele dia sua primeira partida, de cabo a rabo, segura e consistente. Venceu por 1, mas podia ter vencido por 5.

Depois, o Santos em São Januário, sem Fágner e sem Diego Souza, já negociados. Antes dessa partida, eu tinha me transformado naquele tipo de torcedor que mais odeio, aquele cara chatão, ranzinzão, pé no sacão, do “Ó Vida Ó Azar”. A vitória, com boa movimentação de Carlos Alberto e ótima estreia de Auremir( Outra grata surpresa!), me devolveu ao clichê que mais gosto: “ É melhor ser alegre que ser triste!” Naquele dia fiquei rumo ao penta de novo!

Ontem, contra o Botafogo, eu entrei de vez na briga pelo Penta. Por que mesmo que o Vasco tenha vencido bem seus dois últimos jogos contra tradicionais rivais paulistas, as vitórias eram cercadas de ponderações. O São Paulo é horrível, o Santos está desmontado, o céu é azul , a bola é redonda demais, café sem açúcar é amargo. Ontem não.

Ontem o Vasco jogaria, ainda que mandante, no campo do adversário. E tem mais. Contra o Botafogo, que não é nada não é nada, mas tá lá nas melhores posições, e tem o “mago tático” Oswaldo de Oliveira, o sabe tudo, o gato mestre, o treinador de gabarito e experiência que “falta” ao Vasco. O Gênio. O Gus Riddink Carioca, O Rinus Michels de Realengo, o Guardiola com sotaque.

O burro do Cristóvão só conseguiria armar o vasco para uma vitória se tivesse muita sorte. Sorte que a sorte vem lhe acompanhando há 30 e lá vai fumaça rodadas. E o Vasco, novamente por conta da sorte, do mérito exclusivo da união de seu elenco, de uma improvável conjunção cósmica, do alinhamento das luas de Saturno com Vênus, venceu, e venceu bem para cacete!

Agora, fora a ironia, ou seja, excluindo os três últimos parágrafos, o Vasco novamente voltou a atuar de forma convincente nos últimos três jogos. O que sempre foi regra pra esse time. A exceção é jogar mal como foi contra Ponte –Preta e Atlético Goianiense. Ainda assim, ganhamos os pontos todos desses jogos.Jogar mal é ganhar os pontos é coisa de campeão.

A volta da boa fase, em minha avaliação, passa muito pela presença do Wendel no time. Ele ajeitou o meio campo. Foi a contratação mais certeira da temporada até aqui, embora o menino Willian Matheus também venha me agradando bastante, não porque tenha feito coisas do arco da velha, mas por que joga com personalidade, como se fizesse parte do time desde sempre. Some-se ao Wendel, o Nilton.

O Niltão caiu no caldeirão do Obelix! Parou de fazer bons jogos e começou a fazer jogos perfeitos! Muita força, muita pegada, muita vontade , muita aplicação tática, e técnica. Sim, técnica! Nunca foi um brucutu como sugere o Calazans, apesar de saber dar porrada também. O que é ótimo! Um time que não tem pelo menos um boneco pra dar porrada não vai longe. O Futebol não é só feito de Lords como Juninho. É feito de marcação, roubar a bola, provocação, pisar no tornozelo machucado do adversário e rasgar a panturrilha do oponente com as travas da chuteira. Sem o juiz ver, quando bem feito. Como dizia Nélson Rodrigues, o futebol precisa de “canalhas”.

A boa fase, evidentemente, passa também pela consistência da zaga, com um goleiro ao nível dos melhores que se tem por aí no Brasil, dois laterais que marcam firme e dois zagueiros de três metros e meio, fortes e rápidos feito cavalos árabes. Dedé voltando a sua melhor forma( Não está ainda) e Douglas, quem diria, batendo um bolão, jogando simples, sem inventar.

Não menos importante, muito pelo contrário, a boa fase passa pelos pés daquele menino barbado da camisa 8. Aquele que eu só acredito que existe porque posso ver com meus próprios olhos e sentir com meu próprio coração. Aquele que é bola de ouro do campeonato sem nem precisar ficar de pé. Aquele que tem a liderança outorgada pela natureza. Aquele que tem o nome do meu filho que ainda nem nasceu.Aquele que o RG diz que tem 37, mas o corpo diz que tem 25. Aquele que, como diz meu amigo Kadu, só deveria entrar em campo vendado e com uma perna amarrada, a bem do equilíbrio do espetáculo. Ele mesmo, Juninho, aquele que caminha para ser o maior ídolo da história do Vasco quando levantar o penta.

Por último, e novamente não menos importante, talvez seja a coisa mais importante, a boa fase passa pela condução MAGNÍFICA que o Cristóvão faz do seu elenco. Vocês me conhecem, sabem que eu não sou desses que acha que o treinador é a coisa mais importante do futebol, mas é claro que reconheço sua parcela de importância, principalmente quando ele é bom, como é o Cristóvão. O cara trabalha sério, mantém o time no rumo mesmo com vendas, desfalques, atrasos de salário, o Felipe enchendo a porra do saco todo dia, com a torcida- a parte burra, claro- chamando ele de burro, falando que o time não tem padrão de jogo( Que é aquilo que temos quando ganhamos e não temos quando perdemos). Não é fácil não. Sentar no banco dos réus todo jogo sem a presunção de inocência não é pra qualquer um. É preciso ser bom como Cristóvão. É um dos melhores que se tem por aí e é isso aí mesmo que você ouviu. 37 rodadas no g-4 e é isso aí mesmo que você ouviu! Mas  chorar é de graça.

Notas

1.Não sou cagador de regra e nem doutrinador de torcida, até porque não tenho influência para nenhuma das duas coisas. Mas, diferente de alguns, acho que as opiniões no futebol podem ser de várias formas. Acho inclusive que não é nada demais dar opinião sobre opiniões alheias. Se eu acho a opinião do cara uma opinião de merda, não acho que estou sendo doutrinador por achar isso. É uma via de mão dupla. Eu acho sua opinião uma merda, você pode achar o mesmo da minha. Vida que segue. Sem melindre.

2.Beira o inacreditável ver a torcida do Vasco chamando seu treinador de burro, aos 30 do segundo tempo, num jogo difícil, após uma substituição perfeitamente natural e correta, de Carlos Alberto por Felipe. É pra tomar meia dúzia de tapa na cara quem participou desse mais novo desserviço.

3. Muito bom o Cristóvão tirando ondinha: “Sou um burro com sorte então”. A cada dia mais teu fã professor! Daqui a pouco o Vasco tem que pensar em extender o contrato e aumentar seu salário. Você merece ganhar bem. Tô contigo e não abro!

4 Não foi o Felipe que disse que quem ganha a vida com a boca é cantor? Pois bem, pare de cantar e comece a jogar bola. Pegue a bola e exija a titularidade com ela. Você sabe como fazer isso. In Maestro we trust!

5. Éder Luis está fantasmagórico. Costuraram o nome dele na boca de algum sapo. Willian Barbio ainda é novo, afobado, mas tem ajudado. Ajudou contra o São Paulo e, contra o Botafogo, ajudou de novo. Abre o olho Chico Bento!

6. O Vitor Roma trouxe a informação que o Carlos Alberto tá naquela medicina ortomolecular do Juninho, que continuo sem saber do que se trata, mas que dá certo a vera. Carlinhos tá menos bundudo, menos barrigudo e participou bem dos dois jogos em que foi titular. Assim seja até o fim. De chuteira cê vai ajudar muito, de chinelo tu só da despesa.

7. Curioso para ver o que o professor vai arrumar contra o Inter sem o Niltão no meio-campo. Tira o currículo debaixo do braço e vá a campo Eduardo Costa. Eu quero ver as folhas de papel dando certo na prática. A conferir... Em princípio, derrota no Beira Rio, para nós é zebra.

8. Contratações curtas e grossas: Lateral direito, em princípio, pra reserva do Auremir. E mais um meia. Jonas e Rafinha? Era a boa. Talvez um volantão pegador. Jumar? Quem sabe de tanto eu pedir, alguém me ouça.

9. Juninho , sem viadagem por favor, mas eu te amo. Feliz natal antecipado pra você! Paz de cristo!

Abraço a todos!

@joao_almirante
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