Coluna João Vítor Carvalho

Coluna João Vítor Carvalho

Entre um jornalista e um comentarista de boteco. Um jovem universitário sem muito dinheiro mas que gasta o pouco que tem assistindo aos jogos do Vasco seja no Maraca ou em São Janu. Vascaíno desde 20 de agosto de 1898, antes mesmo do Vasco existir.
17/08/2012 12:45:00

É "falta de ousadia", só pode ser!

Foi preciso uma noite inteira de sono para que eu acreditasse no que aconteceu ontem a noite em São Januário.

As horas da madrugada, ainda que mal dormidas, foram o suficiente para esfriar minha cabeça, razão pela qual eu comecei a dedilhar essas linhas agora pelas as 11 e tal da manhã, já com um mínimo de serenidade.

Depois do jogo, imediatamente depois, só me era dado socar o teclado do computador, repetindo o que Juninho fez com o campo após ver o Coritiba empatar a partida pela hora da morte, roubando-nos dois preciosos pontinhos.

Antes de começar a analisar como Cristóvão Borges “sabota” nossa “facílima” missão de nos tornarmos campeões do campeonato mais difícil do mundo, rendo homenagens ao Futebol, esse esporte apaixonante, que morde e assopra nossos corações, que sabe ser pai e sabe ser padrasto.

Não jogava bem o Vasco dentro de seu campo. Mas vá lá, também não acho que jogasse tão mal. Fazia um jogo difícil como todos são, contra um time organizado, veloz na frente, que ao contrário do que podem supor muitos, não se postou na outra extrema do gramado apenas para conceder suas redes para nossos gols.

Tanto não era assim, que o Coritiba saiu do primeiro tempo com a vantagem de um gol, obtido num contra-ataque mortífero, pegando nossa defesa de calça curta. Até ali, embora o Coxa assustasse justamente explorando a velocidade de seu ataque, o jogo era equilibrado, como bem apontou Juninho em decreto real na saída pro intervalo.

Penso que Cristóvão lançou uso de uma escalação errada para o início da partida, talvez fruto de ouvir mais do que um líder deveria fazê-lo. Mas antes de condená-lo, de julgá-lo, preferi tentar entender, por que sei que até os melhores como nosso técnico podem errar.

Sem Éder Luis, a opção natural seria por Willian Bárbio para compor o ataque. Não entro aqui no mérito se Bárbio é bom ou não, mas é o jogador de velocidade que tínhamos para exercer a função em nosso esquema de jogo. Ainda que afobado, é o jogador que se movimenta e agride o adversário com arrancadas em velocidade. Para azar, o garoto foi mal no jogo.

Ouvindo radialistas sabichões, jornalistas entendidos, que nada são além de palpiteiros e torcedores como nós, Carlos Alberto foi preterido por Felipe. O time ficou estático, como apontou um trecho do decreto real de Juninho no intervalo dos tempos. Enquanto o Rei se dirigia aos microfones, a torcida- a parte burra, claro- se voltava contra seu técnico, novamente me envergonhando.

A torcida do Vasco não age como companheira e amiga do time, como penso que deveria. Age como pai severo. Não quer respeito, quer temor. Incapaz de mover uma palha quando o momento é difícil. Só sabe pegar carona no momento bom. Tá lá ganhando, é “São Januário meu caldeirão” é “sentimento não para”, é “sempre ao seu lado até o fim”. Tá perdendo, sai debaixo! É só esporro! Só põe pra baixo! Assédio moral dos brabo! Tipo aquele seu chefe babaca! Tipo aquele pai severo, que não é o melhor amigo como todo pai teria de ser.

Sob vaias descemos para o intervalo e, com o Carlos Alberto no lugar de Bárbio, voltamos dele. Por na minha visão ter montado errado o time, ou melhor, de uma forma que poderia até funcionar mas não funcionou, Cristóvão fez a única coisa que daria para ser feita pelo restante da partida. Não tinha mais ninguém no banco para mudar nossas características ofensivas.

Deu certo. Carlos Alberto entrou muito bem e produziu toda a jogada do gol de Felipe, que antes e depois daquilo não fez nada além de não fazer nada e não marcar ninguém. Empatamos logo cedo e teríamos muito tempo para virada. Era melhor, mas seguia sem uma grande atuação o Vasco. O jogo estava em aberto. Não jogávamos bem, mas lutávamos. Insistíamos. Buscávamos a vitória SIM! Sabíamos da importância dela.

Entra Felipe Bastos no lugar de um extenuado e improdutivo Felipe. Senha pra você começar a xingar a porra toda de novo ao invés de entender o que se passava dentro de campo. Pressionando na letal bola parada de Juninho, o Vasco vira o jogo já no apagar das luzes com o ótimo Wendel. Virada de raça, de fibra, de quem não desistiu nem sequer por um segundo da vitória.

Nessa hora eu já começava a mentalizar o meu texto dessa sexta-feira. “ Ahhhh que beleza garotim, vou poder escrever sobre uma vitória de raça, sobre a vitória de um grupo de jogadores que só me faz encher de orgulho”. Revelando sua face padrasta, o Futebol me golpeia à faca o coração. Desatenção imperdoável na levantada de bola na área, gol dos caras, já com as luzes todas apagadas. Como diz o amigo Celso Júnior, Cristóvão- o culpado fundamental- do outro lado do campo, na área técnica, estava muito longe da jogada e não marcava ninguém. Um absurdo!Uma verdadeira jamanta!

Manja aquela expressão empate com gosto de derrota? Pois é. É o que resume a noite de ontem em São Januário. Ao final, vaias de novo. Essas até entendo. O cara foi lá, na guerreiragem de quinta-feira a noite pra São Cristóvão, ver um golzinho safado daqueles do Coritiba no último minuto,o caboclo fica mesmo desesperado. Age no impulso do ódio e vaia.Decisões tomadas no ódio são na maioria das vezes ruins, razão pela qual eu cheguei em casa, tomei um copo de água gelada, contei até 100, ao invés de vir pro computador chamar geral de RETARDADO. Ainda bem que esfriei minha cabeça pra não chamar neguinho de RETARDADO. Pegaria mal demais escrever de cabeça quente e chamar nego de RETARDADO.

Eu sou contra vaias, motivos pessoais. Vaias da torcida Vascaína me remetem à um passado que gostaria de sepultar. Eu ouço a vaia e o primeiro sujeito que aparece na minha mente é o Roberto Lopes. Eu amava vaiar esse maluco! Odiava ter razão em fazê-lo. A vaia também me leva a um estágio de preocupação:

“ Caraca maluco! Que horas é o Jogo do Náutico? O Atlético Paranaense perdeu ontem? Figueirense empatou que eu sei. Quer dizer que se vencermos o Sport amanhã a gente sai do z-4? Cumpade, se não começar a arrancar agora não pega nem a Sula no final! ”

Anos miseráveis esses hein filhão! Hoje eu sou contra vaias por esse motivo principal e porque meu time briga pela PONTA da PORCARIA DO CAMPEONATO! Mas quem vaia tá certo mesmo... principalmente durante o jogo... ahan... sei.

Vocês sabem que procuro me relacionar bem com as palavras, mas também fico de mal com várias delas e algumas expressões às vezes. Desatei relações com a palavra “Pseudo” há algum tempo. Pseudo não quer dizer porra nenhuma, ninguém nunca falou a palavra pseudo dentro de um busão, numa feira, até por isso ela soa de uma “inteligência” ÍMPAR! “ Amigão, quanto vale a laranja? Tem não fera, só tem tangerina, essa pseudo laranja”

Colocou que o Cristóvão é um pseudo técnico, pronto, lavou as mãos. “Meu comentário foi genial!” Ninguem usa pseudo sem a pretensão de se passar por gênio. A palavra “ousadia” é outra com que rompi. Admito reavaliar sua utilização quando o cara que falar que “falta ousadia” me explicar tim tim por tim tim o que ele quer dizer. “ Faltar ousadia” não é uma expressão que se acaba nela mesmo, não é como dizer “ Fulano de tal é um bosta!”. Não. “Faltar ousadia” tem que ser sucedido de uma explicação, de um ponto de vista, de uma análise que faça sentido, também não é qualquer análise. “Faltar ousadia “é o mesmo que dizer “não tem padrão de jogo”- que é aquilo que temos quando ganhamos e não temos quando perdemos.

No mais, o Vasco segue no alto da tabela, há 4 pontos do líder, faltando 21 rodadas pro fim. Estamos no bolo, consolidados no G-4 há sete mil cento e quatorze rodadas, mirando a ponta. Tá ruim?

Eu que devo tá maluco...

Notas

1. O empate ontem não estava nos planos de ninguém, nem de nós torcedores, nem dos jogadores. É aquele tipo de jogo em que não poderíamos vacilar. Pode ser aquele jogo em que lembraremos com dor no coração no final do campeonato, tomara que não. Fico com a ira do Juninho, na certeza que na noite dessa quinta, nosso valoroso grupo de jogadores também dormiu tão ou mais triste do que eu.

2. Felipe e Juninho no meio campo juntos expõe demais o time aos contra-ataques, principalmente porque o Felipe não marca ninguém. Penso que é alternativa para jogos do Ferjão contra pequenos e só. Em campeonato Brasileiro, isso só dá certo nas cabeças “sapientes” dos nossos radialistas cariocas. Felipe é BANCO DE RESERVAS do Juninho. Não é vergonha nenhuma.

3. Arriscado o Vasco domingo ter que entrar em campo “pressionado” pela sequencia de “abomináveis resultados”, tendo que se “autoafirmar” pela enésima vez , e nosso esquálido rival entrar “rumo ao topo da tabela”.Vão vender esse peixe até lá, vocês verão.

4. Péssima fase essa do Vasco! Já são DOIS jogos sem vitória! Tem alguma coisa muito errada acontecendo! Não é possível! 17 jogos, 10 vitórias, 5 empates, duas derrotas, tudo isso que se dane! Já são DOIS jogos sem vitória! Vou ali me jogar da marquise.

5. “Falta ousadia!” é... deve ser isso mesmo.

6. Galo e Flu tem elencos superiores ao nosso. Vamos com o que temos até o final. O que temos é enxutinho, contadinho, mas é o que temos. E com que o temos dá pra brigar.Com a faca nos dentes, como já vem sendo! Ninguém perde três titulares assim tão impunemente. Se quer culpar alguém, dar seu “ataquinho de pelanca”, tenha discernimento o suficiente para endereçar suas insatisfações ao alvo certo: O Comando de futebol do Vasco, com presidente e tudo mais. Pondere, no entanto, que o comando de futebol do Vasco também montou esse time aí, que briga por tudo, como há anos não rolava.

7. Podemos vencer o campeonato, apesar da torcida. Uma pena. Vasco quando se confunde com sua torcida fica o triplo de forte. Infelizmente não somos bons como antes.

8. Cheguei no topo da marquise e fui salvo por um pedaço de jornal. Tava lá escrito, “Vasco em terceiro lugar iguala com duas rodadas de antecedência desempenho do primeiro turno de 2011”. E eu que pensei que o campeonato tinha acabado domingo passado, que tinha quase certeza que tinha acabado ontem, resolvi não me jogar. Não encontrei motivos. Se os encontrá-los, vai fundo. Se joga mano, vai que vai!Tem meu apoio!

Abraço a todos

@joao_almirante
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