
Estou extremamente feliz e otimista com a vitória da chapa "por amor ao Vasco". E bastante satisfeito com as primeiras medidas anunciadas pelo seu coordenador, Roberto Dinamite. Em um momento de transição, a prudência e a cautela devem ser maximizadas. E têm sido.
Ainda que o Antonio Lopes não seja o técnico dos meus sonhos, acho correto que ele permaneça até o fim da temporada. Exceto se as circunstâncias exigirem o inverso. Convém que nossos sonhos permaneçam modestos no atual campeonato brasileiro.
Ainda que eu sinta o desejo de justiça, acho correto o posicionamento de que não haverá a caça às bruxas. Acho que se deve ser ousado: apurar tudo, mas não pessoalizar nada. Sanções de cunho moral – espontâneas – serão suficientes para que aqueles que cometeram erros possam refletir sobre os mesmos, e se emendem; não sendo necessário o concurso dos urubus de tribunal para desencadear tal processo, nem execração pública. Processar judicialmente determinaria o continuísmo, ou seja, a manutenção da estratégia de inação judicial a qual, desde que o Eurico se tornou o presidente, tem sido a forma "política" dominante no clube; no que ele foi seguido pelos vascaínos do MUV. Ainda que o uso dessa estratégia, por parte do MUV, tenha obtido sucesso, que ela não foi exatamente um sucesso, é pura evidência! A mudança ocorreu assim tão rápida por contas de um vacilo de um servo voluntário do senhor da tristeza. Tivesse ele pago a tal taxa, estaríamos à mercê da (indi)gestão interina por, pelo menos, mais uns dois ou três anos.
Ainda que a inação judicial tenha de permanecer por mais um tempo, pois há uma “infinidade” de processos contra o clube que demandam a atenção de seus advogados, penso que deve ser assumido publicamente o compromisso de paulatinamente deslocar nossas energias da inação judicial e da manutenção do atual estado de coisas por recursos ao poder reacionário da república para ações que visem transformar de modo radical o atual estado de coisas. Afinal, nós estamos sentindo na carne a conseqüência dessa estratégia: é da lógica desse poder (que visa impedir ou atrasar ao máximo a transformação que é imanente ao desejo da multidão – o qual é o motor da política -) conduzir a decomposição da comunidade.
Ainda que eu seja simpático à realização dos clássicos no "monumentalzinho", parece lógico, para tal, ser necessário que ele passe por um processo de reforma e ampliação e que este deve ser realizado com cautela e transparência absolutas. Daí, há um tempo necessário para que se possa desencadear este processo. Durante este tempo de maturação, por assim dizer, parece-me correto disputar os clássicos no Maracanã que é um estádio seguro e confortável para o número de afluências que a magnitude desses jogos faz transbordar.
Ainda que eu queira um patrocínio do tamanho do Vasco, entendo ser extremamente importante, mais ainda vital para a recuperação de seu bom nome junto a opinião pública e para o seu crescimento que se respeitem contratos, que não se os rompa unilateralmente.
Nós ainda estamos no inverno. É evidente que agora o apreendemos de forma diversa: não é mais apenas o tempo da estagnação, sendo esta, apenas o que ocorre na superfície. A estagnação advém do que ocorre na profundidade; de ser o inverno, tempo de nutrição; a decomposição exterior nada mais é do que o invólucro da revitalização interior, na qual o solo se regenera e prepara as florações da primavera. É, portanto, o tempo onde nossa atenção deve estar voltada para a revitalização do solo, onde nossa intervenção deve se limitar a estrumar (preparar o bom solo) e a ceifar a erva daninha (a inação judicial; os inquisidores que confundem desejo de justiça com vingança e, ávidos pelas fogueiras da inquisição e pelo cheiro de carne queimada, querem promover a caça às bruxas a qualquer custo, etc...).
Uma anedota do filósofo chinês, Mêncio, convida à meditação que penso ser instrutiva para todos nós: “Um homem de Song, desolado por não ver os brotos de sua plantação crescerem com bastante rapidez, teve a idéia de ajudá-los dando-lhes um puxão. Entrando em casa apressadamente, disse a família: “Estou bastante cansado hoje, ajudei os germes a crescer”. Imediatamente, seu filho saiu correndo para ver, mas os brotos já haviam secado. No mundo são raros os que não ajudam os germes a crescer. Os que abandonam, convencidos de que é tempo perdido, são os que negligenciam o cultivo dos brotos; mas os que forçam o crescimento são os que puxam os brotos; esforço não só inútil, mas prejudicial” (Mengzhi, II A 2; trad. de Anne Cheng, História do Pensamento Chinês: Petrópolis: Vozes,2008)
* As informações, notícias e opiniões expressadas neste espaço são de inteira responsabilidade do colunista.