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11/11/2009 08:57:00
O Almirante dos Mares Bravios e a Revolução da Torcida
Por Francisco Kronemberger
Sentimento. A palavra mais dita, cantada e versada no ano de 2009, fiel representante da força transformadora que fez do Clube de Regatas Vasco da Gama um dos gigantes do futebol mundial. Um clube que carrega no nome a homenagem ao heróico navegador português, primeiro europeu a chegar à Índia cruzando o temível Cabo das Tormentas.
Seguindo os passos do navegador que lhe dá nome, tantas foram as tormentas enfrentadas pela caravela cruzmaltina rumo às incontáveis glórias esportivas. A primeira delas, a vil perseguição da elite branca do football carioca, que queria proibir o clube de utilizar jogadores negros e de origem humilde no campeonato carioca. E aquele até então pequeno clube do subúrbio carioca, campeão estadual logo em seu ano de estréia na elite, mostrou que veio ao mundo não para participar, mas para ser protagonista. Fez de uma carta endereçada ao presidente da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos um marco na democracia esportiva mundial. E consolidou as bases da popularização de um esporte até então restrito a uma elite preconceituosa.
Graças ao Vasco, o football virou futebol e craques como Leônidas da Silva e Fausto, a Maravilha Negra, puderam brilhar na década de 30. Da luta cruzmaltina contra o preconceito fez-se o alicerce para o surgimento do Rei Negro do Futebol Mundial, um menino mineiro de nome Édson, que, por uma doce coincidência (ou seria predestinação?) carregava no peito o amor ao clube da cruz de malta.
A tormenta do preconceito era grande, mas não o suficiente para subjugar um destemido Vasco da Gama. E impuseram nova restrição: o clube não poderia disputar campeonatos por não possuir estádio.
Uma tormenta quase intransponível. Como um clube de origem humilde conseguiria construir um estádio? Mas eis que uma força até então desconhecida ergue-se para conduzir o almirante a mais uma vitória. Sua já grande torcida se une, faz uma campanha de arrecadação e em 1927 inaugura o maior estádio de futebol das Américas.
São Januário tornou-se o símbolo da transformação do Vasco em um gigante do futebol brasileiro. Palco da seleção brasileira, dos principais eventos da então capital federal, dos discursos do presidente da República.
Quis o destino que oito décadas após sua construção, São Januário testemunhasse uma grande tristeza para milhões de apaixonados torcedores. A caravela cruzmaltina rumou para o revolto mar da segunda divisão brasileira.
Mas o que era motivo de revolta, dor, choro, transformou-se em redenção. Era preciso expurgar os pecados recentes, os desmandos, os males causados à imagem do clube. Era preciso reconstruir uma marca e mais que isso, reconstruir uma relação.
O Vasco sempre foi da torcida, mas tinha deixado de ser. Passou a ter um dono, que se autoproclamava defensor dos interesses do clube, mas o conduzia por um oceano de dívidas rumo a um deserto de títulos. E no ano em que o maior ídolo da história do clube tornou-se seu presidente, os problemas deixados pelo antecessor e mal-conduzidos pelos inexperientes novos administradores, aliados a uma insana guerra política, rebaixaram o clube.
E nesse cenário de ruína, a torcida vascaína retomou sua origem revolucionária. Envolta em um sentimento de amor e entrega há muito não visto, abraçou a causa de reconduzir o clube a seu lugar de direito entre os grandes do futebol nacional. Levou a caravela nos ombros, inflou o brio dos jogadores, ferveu o Caldeirão, fez o Maior do Mundo parecer uma Bombonera em final de Libertadores. Recordes foram batidos, camisas do Vasco se proliferaram por todo o Brasil. O sentimento se aflorou e fortaleceu. Nunca parou. E a tormenta foi vencida.
Hoje o maior ídolo vascaíno é o camisa 19, Carlos Alberto. Mas o principal jogador do time no ano, o responsável direto pela volta à elite, o camisa 10, sou eu. E você. E mais 15 milhões de apaixonados que fizeram o Vasco jogar em casa onde quer que o time fosse. E mostraram a todo o país a grandeza do clube e a força do sentimento que emana das arquibancadas.
Sentimento esse que nos trouxe de volta. Mais fortes, mais unidos, mais apaixonados pelo glorioso Clube de Regatas Vasco da Gama. Clube que tal qual o bravo almirante, vence os mares mais bravios. E traz consigo a cruz, símbolo de redenção e de entrega.
Que 2010 seja o ano da volta por cima. A torcida merece.
Sentimento. A palavra mais dita, cantada e versada no ano de 2009, fiel representante da força transformadora que fez do Clube de Regatas Vasco da Gama um dos gigantes do futebol mundial. Um clube que carrega no nome a homenagem ao heróico navegador português, primeiro europeu a chegar à Índia cruzando o temível Cabo das Tormentas.
Seguindo os passos do navegador que lhe dá nome, tantas foram as tormentas enfrentadas pela caravela cruzmaltina rumo às incontáveis glórias esportivas. A primeira delas, a vil perseguição da elite branca do football carioca, que queria proibir o clube de utilizar jogadores negros e de origem humilde no campeonato carioca. E aquele até então pequeno clube do subúrbio carioca, campeão estadual logo em seu ano de estréia na elite, mostrou que veio ao mundo não para participar, mas para ser protagonista. Fez de uma carta endereçada ao presidente da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos um marco na democracia esportiva mundial. E consolidou as bases da popularização de um esporte até então restrito a uma elite preconceituosa.
Graças ao Vasco, o football virou futebol e craques como Leônidas da Silva e Fausto, a Maravilha Negra, puderam brilhar na década de 30. Da luta cruzmaltina contra o preconceito fez-se o alicerce para o surgimento do Rei Negro do Futebol Mundial, um menino mineiro de nome Édson, que, por uma doce coincidência (ou seria predestinação?) carregava no peito o amor ao clube da cruz de malta.
A tormenta do preconceito era grande, mas não o suficiente para subjugar um destemido Vasco da Gama. E impuseram nova restrição: o clube não poderia disputar campeonatos por não possuir estádio.
Uma tormenta quase intransponível. Como um clube de origem humilde conseguiria construir um estádio? Mas eis que uma força até então desconhecida ergue-se para conduzir o almirante a mais uma vitória. Sua já grande torcida se une, faz uma campanha de arrecadação e em 1927 inaugura o maior estádio de futebol das Américas.
São Januário tornou-se o símbolo da transformação do Vasco em um gigante do futebol brasileiro. Palco da seleção brasileira, dos principais eventos da então capital federal, dos discursos do presidente da República.
Quis o destino que oito décadas após sua construção, São Januário testemunhasse uma grande tristeza para milhões de apaixonados torcedores. A caravela cruzmaltina rumou para o revolto mar da segunda divisão brasileira.
Mas o que era motivo de revolta, dor, choro, transformou-se em redenção. Era preciso expurgar os pecados recentes, os desmandos, os males causados à imagem do clube. Era preciso reconstruir uma marca e mais que isso, reconstruir uma relação.
O Vasco sempre foi da torcida, mas tinha deixado de ser. Passou a ter um dono, que se autoproclamava defensor dos interesses do clube, mas o conduzia por um oceano de dívidas rumo a um deserto de títulos. E no ano em que o maior ídolo da história do clube tornou-se seu presidente, os problemas deixados pelo antecessor e mal-conduzidos pelos inexperientes novos administradores, aliados a uma insana guerra política, rebaixaram o clube.
E nesse cenário de ruína, a torcida vascaína retomou sua origem revolucionária. Envolta em um sentimento de amor e entrega há muito não visto, abraçou a causa de reconduzir o clube a seu lugar de direito entre os grandes do futebol nacional. Levou a caravela nos ombros, inflou o brio dos jogadores, ferveu o Caldeirão, fez o Maior do Mundo parecer uma Bombonera em final de Libertadores. Recordes foram batidos, camisas do Vasco se proliferaram por todo o Brasil. O sentimento se aflorou e fortaleceu. Nunca parou. E a tormenta foi vencida.
Hoje o maior ídolo vascaíno é o camisa 19, Carlos Alberto. Mas o principal jogador do time no ano, o responsável direto pela volta à elite, o camisa 10, sou eu. E você. E mais 15 milhões de apaixonados que fizeram o Vasco jogar em casa onde quer que o time fosse. E mostraram a todo o país a grandeza do clube e a força do sentimento que emana das arquibancadas.
Sentimento esse que nos trouxe de volta. Mais fortes, mais unidos, mais apaixonados pelo glorioso Clube de Regatas Vasco da Gama. Clube que tal qual o bravo almirante, vence os mares mais bravios. E traz consigo a cruz, símbolo de redenção e de entrega.
Que 2010 seja o ano da volta por cima. A torcida merece.
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Camp. Brasileiro
| Pos. | Time | PT | JG | VI | GP | SG |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Corinthians | 71 | 38 | 21 | 53 | 17 |
| 2 | Vasco | 69 | 38 | 19 | 57 | 17 |
| 3 | Fluminense | 63 | 38 | 20 | 60 | 9 |
| 4 | Flamengo | 61 | 38 | 15 | 59 | 12 |
| 5 | Internacional | 60 | 38 | 16 | 57 | 14 |
| 6 | São Paulo | 59 | 38 | 16 | 57 | 11 |
| 7 | Figueirense | 58 | 38 | 15 | 46 | 1 |
P pontos J jogos V vitórias GP gols pró SG saldo de gols
Estatísticas
Performance na temporada:
28 jogos
19 vitórias (67,86%)
3 empates (10,71%)
6 derrotas (21,43%)
62 gols pró (2,21 por jogo em média)
32 gols contra (1,14 por jogo em média)
Artilheiros: Alecsandro (16), Diego Souza (10) e Juninho Pernambucano (7)
Quem mais atuou: Fernando Prass (26), Alecsandro (25) e Diego Souza (24)
