Cristiano Mariotti

Cristiano Mariotti

Mestre em Ciências em Sistemas Computacionais, Consultor e Professor em TI. Carioca de família portuguesa, nascido e criado em Jacarepaguá, adoto São Januário como meu segundo lar e levo a cruz-de-malta em meu peito desde que eu nasci.

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O custo pela incoerência

Em 28/08/2013 10:59
 

Os dois pontos que deixaram de ser conquistados no domingo podem, de certa forma, serem debitados na conta do técnico Dorival Júnior. Em tempo: sobre seus ombros recairão todos os pontos que o Vasco deixar de conquistar enquanto o referido treinador insistir em sua teimosia de escalar o time de forma incoerente com seus próprios critérios outrora adotados. Tal conforme comentado em meu texto da última semana, é totalmente incompreensível a insistência em jogadores como Cris, Yotún e Pedro Ken, tendo à sua disposição no elenco jogadores bem mais promissores e que são "pratas da casa" como Jomar, Henrique e o próprio Marlone, respectivamente. A esse último e mesmo deslocado de sua real posição, dão-se os méritos de uma ótima partida realizada e da certeza de que seus defeitos oriundos de uma má formação na base por culpa, principalmente, dos "profissionais" que lá estavam poderão ser corrigidos com o tempo e o jogador, enfim, se tornar o talento que nós desejamos que seja.

No caso específico de Cris, até o momento não me soou bem a estória da suposta "febre" de Jomar horas antes do jogo perante o Grêmio, em que por culpa dele próprio, Cris, o Vasco começou a perder aquela partida. Por consequência e ao invés de reassumir seu posto de titularidade, mesmo porque estava muito bem no time nos jogos em que atuou, ele foi inexplicavelmente para o banco de reservas e ali se postou para presenciar às falhas do jogador preferido do técnico, em princípio. O mesmo podemos afirmar com relação a Henrique, que mesmo sendo ainda um jogador imaturo, não vinha comprometendo à altura de Yotún, cujo seu lado no campo continua a ser uma verdadeira "avenida" para o ataque adversário. Não por acaso o cruzamento no gol corintiano no último domingo foi sobre suas costas, culminando na falha do "possante" Cris.

Por fim, o Vasco sempre entra com um a menos em seu meio de campo. A escalação de Pedro Ken nesse setor é ainda mais injustificável se formos analisar que um jogador contratado a peso de ouro com pompas de boa promessa de talento futura é submetido à reserva, preterido em relação ao mesmo. Após quase dois meses de espera, três milhões de dólares gastos e muita confusão para sua liberação, Montoya continua a ser uma incógnita, simplesmente porque não é posto para jogar, tal como deveria se o critério fosse o mesmo adotado com relação à escalação de Cris. Em compensação, Cris que somente falhou em lances cruciais contra adversários mais qualificados segue com sua posição inabalável na titularidade. Estaria mesmo Dorival Júnior com essa confiança toda no que Cris pode render ou sua escalação no time seria uma imposição que Dorival, supostamente, pode sofrer de fora para dentro de campo?

Independentemente do real motivo que leve Dorival a escalar dessa forma, o Vasco vai deixando pontos preciosos e correndo riscos desnecessários por conta das incoerências aliadas ao desprovimento de qualidade em certas posições do time e à sua incompletude. Se bem ajustado, pode-se pensar com algo a mais, em que pese o atual certame não ter nenhum time reconhecido como muito superior aos outros. Do contrário, o Vasco tende a não passar do meio da tabela, conformando-se somente com mais uma fuga do rebaixamento.

Reclamar de que?

Na negociação de Éder Luís com o Al Nassr, não havia muito do que reclamar. Fosse o atleta um jogador tão qualificado como outros que já saíram do clube em ocasiões parecidas a preços bem menores, o contexto seria totalmente diferente e Dorival Júnior teria todo motivo para ficar chateado. Na saída de Ânderson Martins em agosto de 2011, por exemplo, poder-se-ia contestar e muito, haja visto que o Vasco nada recebeu e o jogador que vinha muito bem deixou o clube às vésperas do jogo perante o arquirrival. No entanto, Éder Luís passa longe em seu atual momento que se propaga desde o fim da Copa do Brasil de 2011 de alimentar saudades tal como Ânderson Martins, por exemplo, além de receber uma quantia considerada muito boa se for essa mesma veiculada pela imprensa esportiva. Se considerar nossa situação financeira, então, não há muito o que se discutir, e sim, aceitar a negociação como normal e muito bem vinda.

Além de tudo, Dorival escolheu mal a forma e o momento para mostrar sua indignação. Levando em consideração que o presente articulista é um crítico ferrenho da atual direção do clube e admirador do trabalho do atual técnico, no entanto, nesse caso em específico a diretoria não poderia negar à oferta e nem Dorival ficar tão indignado, tal como se fosse um craque em excelente fase a sair do clube.

Desastre total

O Vasco abriu mão de seu mando de campo perante o Corínthians - mesmo sabendo que sua situação no campeonato não é tão confortável como muitos pensam que seja - e optou por correr o risco de receber uma quantia supra muito menor do que poderia arrecadar em bilheteria. Por fim, viu sua torcida ser covardemente agredida por corintianos que iniciaram mais uma confusão em um estádio de futebol e, agora, corre risco até mesmo de perder mandos de campo em jogos de suma importância.

Lamentável ocorrido e de uma grande constatação de hipocrisia por parte de quem ainda sustenta a tese de que "São Januário é inviável para grandes jogos", contudo, foi numa "arena" caríssima recém-inaugurada e que primaria pelo conforto e pela segurança de seus torcedores que tais cenas estarrecedoras a quem zela pela paz nos estádios ocorreram. Logicamente por motivos políticos e necessidade de arrecadação do retorno financeiro sobre seu investimento, tal "arena" não será interditada, tal como seria em São Januário, por exemplo, se fossem lá tais episódios vistos em horário nobre de futebol nos dias de domingo.

Da série perguntar não ofende...

Por falar em horário nobre do futebol nos domingos: já se passaram dezesseis rodadas, o Vasco inclusive já jogou em São Januário às 21 horas de um dia de sábado, mas ainda não atuou às 16 horas de domingo em São Januário. "Pivilégio às avessas" do nosso clube?!

Anos dourados e geração carente

Tal como comentara em meu último texto, na última segunda-feira completaram-se quinze anos da conquista da Copa Libertadores da América que significou o bicampeonato sulamericano. No último sábado, o assunto foi pauta do programa Papo Vascaíno do grupo Só Dá Vasco em parceria com o SuperVasco em divulgação. Foi emocionante ver nossa jovem comentarista Letícia Souza chorando ao vivo ao se colocar como se estivesse vivenciando aquela época de ouro, na qual não há dinheiro do mundo que compre tamanha felicidade vivenciada por todo vascaíno que já acompanhava futebol mais atentatente, tais como meu companheiro Júlio César Teixeira e eu que também participaram do debate.

Não somente a Letícia, mas também aos jovens Carol Canoa, Hely Júnior, Daniel Freitas, Matheus Alves entre outros que fazem parte do projeto "Só Dá Vasco", seria (ou será, quem sabe) muito gratificante para suas paixões como vascaínos se nosso clube pudesse (ou puder) reviver um dia àqueles dias de glórias e emplacar mais uma sequência de anos dourados ainda que, para ser sincero, em nosso atual momento isso esteja mais próximo de uma utopia do que da realidade. Afinal, foram somente dois títulos de expressão conquistados após 2001, com direito à rebaixamento para a segunda divisão e perda constante de expressividade com triste desvalorização de nossa valorosa marca. Será preciso muitos anos de luta com inteligência e bravura para que o Vasco possa se colocar como forte e representativo tal conforme fora um dia. Que as pessoas que venham a dirigir o clube nos próximos tempos possam ter carinho com essa nova geração.

A verdade a história registra

Em sua tese de Doutorado (KOWALSKY, M., Por que Flamengo?, 2010, p.71) cita a declaração de Coutinho (1980) e de Alencar (1970) sobre o "Clássico dos Milhões" realizado em 8 de julho de 1923, nome esse já instituído na época para o clássico entre Vasco vs Flamengo: "(...) além da afamada rivalidade das regatas, um sentimento de desforra contra o Vasco, que ousara desafiar, vencendo o Campeonato Carioca do ano, com seus negros, brancos pobres e mulatos, cuja regra estabelecida no começo do século, de que a prática do futebol, na divisão de elite estava reservada apenas aos moços de boas famílias; continua valendo para o Vasco no decorrer das décadas, onde o clube continua fazendo e cumprindo seus desafios".

Tal como vários jornalistas esportivos - e até mesmo da mídia "toda-poderosa" desse país - já afirmaram, o Vasco usa muito pouco sua rica história, e até mesmo em conversão da mesma em marketing ao seu favor. Recentemente, por exemplo, o clube fez quase nada em favor da marca de Dedé como negro "mito da Colina", agregando valor de mercado à exploração de sua história de superação e de construção de sua carreira em conformidade com "a cara do Vasco", superando o menor favorecimento econômico com trabalho e humildade. Revive sua história em discursos bem preparados em solenidades de comemoração de aniversários, contudo, trabalha muito pouco sobre ela e na formação de novos torcedores oriundos das classes menos favorecidas economicamente e socialmente. Não é a toa de que, perante os jovens no qual leciono, noto o decrescente número de crianças e adolescentes vascaínos em comparação ao meu tempo de aluno na escola.

O vídeo que segue abaixo mostra a declaração do "Rei do futebol" à TV Cultura, em 1977. Constatação de que, por mais que a mídia queira esconder os fatos, o próprio ex-atleta confessa sua preferência clubística.

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Desafio semanal

Pelo Campeonato Brasileiro de 1989, o Vasco estreou vencendo ao Cruzeiro, nosso adversário do próximo domingo, por 1 vs 0 em pleno estádio Mineirão, com direito à defesa de um pênalti por parte de nosso goleiro Acácio. Quem foi o autor do gol vascaíno naquela partida?

 

Cristiano Mariotti
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