Coluna Vitor Roma

Coluna Vitor Roma

Carioca nascido em So Cristvo, do lado de So Janurio, scio do Vasco desde 1988; economista, Mestre em administrao e empresrio. A melhor descrio da sua relao com o Vasco veio das arquibancadas: o Vasco sua vida, sua histria e seu primeiro amigo
31/07/2012 22:30:00

O poder do autoengano

Olá a todos!

Meu grande amigo Leonardo Holanda, vascaíno e meu compadre, membro do Conselho Consultivo da minha empresa e executivo financeiro de sucesso, tem uma frase que sempre usa nas discussões corporativas: o autoengano (chequei que se escreve assim no site http://www.abril.com.br/reforma-ortografica/hifen.shtml) é o maior poder de todos.

Leo sempre usa esta frase para comentar os erros comuns de gestores e profissionais, quando no intuito de buscarem justificativas para suas escolhas que começam a parecer equivocadas, enganam a si mesmo porque preferem estar certos do que serem felizes.

E porque diabos estou falando nisso?

O nosso Vasco tem jogado bem. Parece finalmente ter encontrado um equilíbrio que não tinha, mantendo o ritmo durante todo o jogo, com grande aplicação tática e física durante os 90 minutos. Jogou muito bem contra o São Paulo, suficientemente bem contra o Santos, muito bem contra Botafogo e razoavelmente bem contra o Internacional, onde cabe um parênteses.

Quando qualquer time do Brasil vem jogar em São Januário contra o Vasco, é difícil nos vencer. Mesmo que estejamos muito desfalcados, os adversários têm que correr muito atrás para vencer. É assim também contra o Internacional, em Porto Alegre. E nós não vencemos porque Carlos Alberto não teve sorte na bola do jogo (falo mais a respeito lá embaixo), só isso.

Então temos, todos nós, muitas razões para nos animarmos com o momento do nosso time, que se mantém lutando pelo título mesmo após perder jogadores importantes. Que consegue bons resultados mesmo com desfalques e mesmo com todas as crises que insistem em dizer que temos semanalmente. Até aí, tudo bem, mas o problema é o autoengano. O Vasco (ainda) não tem um grupo que nos faça ter segurança em dizer, com segurança, que manterá o ritmo e disputará o título até o fim.

O que temos hoje é o que chamamos de conta do chá. Nosso time titular atual é Prass, Auremir, Dedé, Douglas, Willian Matheus, Nilton, Juninho, Wendell, Carlos Alberto, Éder Luis e Alecsandro. No banco temos Felipe, agora Jonas, Renato Silva, Feltri, Felipe Bastos, Barbio, e só. Muitos dos atuais titulares são jogadores que há alguns meses eram considerados incapazes de jogar no Vasco: Carlos Alberto, Nilton, Douglas, Willian Matheus... Ou estou dizendo alguma mentira?

Claro que em futebol a verdade de hoje se torna a mentira de amanhã; então Nilton por exemplo já teve momentos ótimos e ruins junto à nossa torcida. O mesmo podemos falar de Carlos Alberto, que indiscutivelmente é ótimo jogador, mas que até pouco tempo todos nós (ou a grande maioria de nós) queríamos longe do Vasco. A questão é que mesmo o melhor momento que, por exemplo, estes dois jogadores possam estar vivendo, não pode nos impedir de ver a realidade: precisamos de reforços.

O Vasco trouxe Jonas, bom reforço que com certeza será muito útil. Mas não tem um reserva para Nilton como primeiro volante (visto que aparentemente Renato Augusto não terá chances), não tem um reserva para nosso artilheiro que joga todas as partidas (e agora não temos a opção de adiantar Diego Souza) e não temos um reserva para Carlos Alberto (e mesmo Carlos Alberto não substitui Diego Souza da mesma forma que Diego jogava).

Se quiser ser campeão brasileiro o Vasco precisa acelerar o ritmo e trazer mais três jogadores. Não precisamos de craques, precisamos de opções. Precisamos de Rafinha, Rodriguinho, Lucca ou algo parecido. Precisamos de Zé Carlos, Neto Baiano ou qualquer outro atacante. Precisamos de um primeiro volante qualquer, que seja marcador. Vejam bem, não estou querendo discutir nomes, estou discutindo opções. Sempre teremos preferências por um ou outro jogador, mas o que está sendo discutido aqui é termos alternativas.

A mensagem que a direção do futebol passa hoje é a de que estão torcendo para o time continuar ganhando para que possam justificar a não necessidade de contratações. Eu quero ser campeão brasileiro, e para ser campeão brasileiro com este elenco terei de torcer muito para que Juninho jogue assim por mais 4 meses, para que Alecsandro nunca se machuque ou seja suspenso, para que Carlos Alberto continue focado e bem fisicamente, para que Nilton vire Ademir da Guia e não cometa faltas...

Tem como dar certo? Claro que tem. Mas não seria a lógica. Então eu queria que a direção do futebol do Vasco nos respondesse: vocês querem GANHAR o brasileiro ou querem TENTAR GANHAR o brasileiro?

Quem não se comunica, se trumbica

O Vasco tem um sério problema de comunicação com seus sócios e sua torcida. Houve uma revolução tecnológica que colocou todo mundo, independente de local de nascimento, religião, escolaridade ou linha política distantes por apenas 140 caracteres. Portais, blogs, facebook, twitter, colunistas em profusão (inclusive este que vos fala)... Todos comentam e opinam o dia inteiro. Sobre qualquer assunto.

E a torcida do Vasco tem esta particularidade adicional: é extremamente ativa nas redes sociais e blogs.

Enquanto isso o Vasco, que evoluiu demais nos últimos anos em vários aspectos, neste tão importante não acompanhou a revolução. O clube demora muito a responder algumas coisas, demora muito a passar sua versão oficial, demora muito a contestar alguns absurdos. E muitas vezes demora muito a mostrar ao seu torcedor e sócio as coisas que tem feito para tirar nosso clube no atoleiro que estava metido.

Não ocupa um espaço que pode acabar sendo ocupado por quem nada tem a agregar além de desinformação e intriga.

Já mudamos a mentalidade do futebol, do patrimônio, das finanças e do marketing. Temos a base como pedra no sapato e um programa de sócios para remodelar. Poderíamos incluir também uma nova mentalidade na comunicação do clube com seus principais clientes.

E vejam bem, de tudo dito acima, esta é com certeza a mudança mais fácil a se realizar.

Carlos Alberto

Supondo que Carlos Alberto se mantenha focado e firme no seu propósito de recuperar o tempo perdido, é bom que se saiba que ele não é Diego Souza, nem de longe.

E não é porque nem de longe é bom como Diego Souza, é porque é diferente. Diego Souza tem uma característica fantástica: sabe fazer gols. Eu dias bons ou ruins, bola com ele sempre pode significar gol.

Com Carlos Alberto não é assim. Infelizmente ele não sabe fazer gols. Em contra partida participa muito mais do jogo do que Diego Souza, não dorme, não some do jogo, pede a bola o tempo todo e ajuda muito mais na marcação.

São diferentes, e pode ser que dê ainda mais certo com o segundo por causa de suas características. Mas também pode ser que não.

Em tempo

- Vou cobrar toda semana aqui uma chance a Marlone, Jhon Clay, Guilherme, Luan, Romário, Yago e outros. Está na hora. Os maiores rivais estão testando meninos que não são melhores do que estes, podem acreditar. Eu não troco o Tomás, que agora virou titular no time das avespretas, pelo Marlone. Está na hora de perguntarmos ao Gaúcho, responsável pela transição dos meninos, quando eles terão uma chance de verdade.

- Em mais uma ótima matéria, meu companheiro Cristiano Mariotti trouxe a informação de que há uma remodelação em curso no nosso programa de sócios, e que só falta o Vice Presidente Antonio Peralta, responsável pela área, executar. Já passou na hora! A torcida que vive a pedir um novo plano (que fique claro que eu acho o atual bastante bom) com certeza comprará a idéia e levará o Vasco rapidamente a um novo patamar de associações!

- Um exemplo do que falei acima sobre comunicação: a coluna De Prima publicou outra "pérola" a respeito do assunto que falei semana passada, envolvendo o Qatar (http://www.netvasco.com.br/n/114068/proposta-para-construcao-de-ct-da-base-em-parceria-com-o-catar-nao-avancou). Tratou o tema de forma absolutamente irresponsável, como se alguém em São Januário fosse louco de recusar 17milhões de reais só por recusar. A resposta do Vasco foi dada pelo VP de Marketing Eduardo Machado em seu Facebook (http://www.netvasco.com.br/n/114093/eduardo-machado-nega-proposta-de-r-17-milhoes-para-construir-ct). Ou seja, apesar de muito bem feita, a resposta não foi oficial do Vasco, no site oficial...

- Mais uma amostra do quanto, também esportivamente, é difícil nos recuperarmos da década perdida.Ótimo levantamento do site do vascaíno Júlio César Cardoso, também colunista do Bola pra quem Sabe, mostra como ficamos para trás durante a era dos pontos corridos. Chequem no link http://futdados.com/pontos-corridos-campanhas-acumuladas-dos-12-maiores-times-do-brasil/ e façam a relação com aquela coluna onde falo sobre noss gap financeiro durante esta década.

- Não quero nem discutir muito o tema: JOGAR EM SÃO JANUÁRIO NÃO!!!!!!!!!!

Abraços!

Vitor Roma (@vm_roma)

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