
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. A derrota de ontem para o Galo por 4x1 não foi um resultado absurdo, visto que o jogo de volta foi 6x1 para o Vasco (numa época em que o time carioca estava na pior fase de seu futebol), enquanto os mineiros estão em visível ascensão técnica. A bem da verdade, o Vasco ainda tem chances de se segurar nessa posição, se considerarmos os confrontos de seus principais adversários: à exceção do Fluminense, todos os demais terão jogos com adversários que são francos favoritos.
Um coisa é preciso que todo vascaíno tenha por certo, e acho que isso não se questiona: a “reviravolta” do Vasco, ao somar pontos de quatro rodadas para cá, é uma reviravolta que não tem heróis. No máximo, temos um símbolo: Mádson. Suas lágrimas após o gol contra do artilheiro Jorge Luiz dando vitória ao Flamengo, seu golaço de raça e técnica no empate contra o Atlético Paranaense, seu ímpeto, sua revolta, sua coragem de assumir o papel deixado por Morais, suas declarações de amor ao clube, seu empenho a cada jogo: Mádson é um símbolo vivo dessa gana que está fazendo o Vasco respirar no Campeonato. Além dele, nada mais. Vamos torcer, vamos incentivar. Mas sabendo que não há heróis!
É a camisa do Vasco quem está jogando sozinha! É verdade! Estamos ganhando no grito! Na raça, na força, no canto, na pujança de sua torcida. Não nos iludamos com um golzinho aqui, um golzinho acolá... não, não somos uma torcida acéfala, boba, inebriada. Não vamos achar que temos heróis, porque não temos! É a camisa quem está decidindo, é a paixão quem esta jogando. Ninguém ficou inteligente, nem habilidoso, nem mais competente. Esse time não tem herói. Todos que estão ali jogaram desde o início, e nada fizeram para evitar a atual situação. Exceção talvez para Mateus, que se firmou depois e vem vindo muito bem, e Rafael, essa pérola de goleiro que ficou escondida atrás de dois frangueiros bem disfaçados (um pela fama e o outro pela “paixão vascaína”). Melhoraram o time, mas não chegam a ser heróis. Volto a dizer: só Mádson – um pequeno Davi que se levantou contra esse gigante do rebaixamento – espelha e retrata a virada desse time, postulando esse título. O treinador que veio é o mesmo que deixou lá outro time, o Fluminense. O que houve? Milagre? O Jorge Luiz virou Mauro Galvão? O Jonílson virou Riquelme? O presidente que fez alguma contratação e mudou o time??? Não! Foi o Edmundo, que semana passada fez o golzinho de pênalti e ontem se arrastava em campo, municiando pelo menos dois dos gols do adversário (o quarto foi de uma bola ridícula que ele perdeu no ataque)??? Não! Foi o Leandro Amaral? Foi o Renato, que continua apaixonado pelo futebol de Leandro Bonfim, um sujeito inerte e desnutrido em campo???
Perdemos Alex Teixeira para o jogo de ontem, e o que aconteceu? Em seu lugar, jogou Edmundo. Alex Teixeira cumpre dois papéis táticos extremamente importantes: dá saída em velocidade para o contra-ataque e volta ao meio de campo dando combate e marcando. Lembram dos dois gols do Vasco contra o Goiás, em bolas que ele roubou e iniciou a jogada? Pois é: Alex Teixeira, sem ser brilhante, traz velocidade no contra-ataque e combate no meio-campo.
Em seu lugar, entrou... Edmundo.
“AAAAhhhh, é Edmundo” – grita o séqüito apaixonado.
E o que faz Edmundo? Dá velocidade na saída de contra-ataque??? Combate no meio-campo???
Nada. Mas acertou o primeiro pênalti decisivo do ano domingo passado. Legal...
Resultado: Leandro Amaral correndo sozinho, Mádson sumido do jogo por ter a obrigação de recuar e marcar sem ajuda dos atacantes, Rodrigo Antônio (péssimo) errando tudo e Leandro Bonfim morto e sepultado, esperando alguém servir um acarajé no meio do jogo. O treinador viu o jogo o tempo todo, mas não fez nada. Deixou correr frouxo. Ele disse, durante a semana, que o Vasco não tem outro jogador com as características do Alex Teixeira. Tem sim. Ao menos improvisado, o Pinillia poderia cair pelas pontas, com boa técnica e passes eficientes. No mínimo, Pinillia tem jovialidade e preparo físico para correr – e vimos que o Vasco correu muito mais depois que Edmundo saiu, a ponto de criar chances e até fazer um gol, além do pênalti perdido (bisonha cobrança do Leandro). Mas o Renato não gosta do Pinillia. Ele gosta do Jorge Luiz... do Allan Kardec... do Leandro Bonfim...
Leandro Bonfim vestindo a camisa do Vasco é como a Giselle Bündchen vestindo roupa da C&A: você olha, vê aquilo, mas não acredita; a roupa não tem nada a ver com quem veste. Leandro é jogador para time de segunda divisão. E daqueles sem pretensão de vir para a primeira. A garra, a paixão e a raça de um Mádson parecem humilhar a técnica desprezível e fúnebre de um Bonfim que aparenta ter saído da UTI do estádio para entrar em campo.
Caros, a verdade precisa ser dita: o Vasco melhorou na força, na raça, na camisa! É o Vasco do grito! Vamos gritar, vamos lotar estádios, vamos acreditar: o Vasco vai sair desta, o Vasco vai tirar o título do São Paulo e deixá-lo nas mãos do Grêmio ou do Cruzeiro! O Vasco vai fazer seus resultados, eu acredito nisso! Mas acredito porque tenho fé nessa camisa, porque tenho fé nessa torcida, porque vi o mover veemente de mensagens emocionadas com a coluna que incentiva e decanta essa paixão! Mas nosso treinador não sabe armar um time, não sabe escalar nem mexer na hora certa, e seguimos à espera de uma força sobrenatural que flua por aquela faixa lateral, descambe na cruz-de-malta sobre o peito e incendeie os corações dos jogadores para que um milagre aconteça!
Sigamos gritando... é o Vasco do grito!
A ESTÁTUA QUE FALA
Romário está querendo "voltar à moda". Ciente de que encerrou a carreira de forma deprimente, em decadência e sem nenhum glamour; após cumprir um papel duplamente patético de contabilizar gols de pelada para se igualar a Pelé e de bancar o (péssimo) treinador de futebol, o baixinho aproveitou um lampejo de atenção da imprensa para se promover junto à maior torcida do Brasil. Não sei se ele pretende se candidatar a algum cargo público e, para isso, está articulando as massas acéfalas com acenos desse tipo. Como vascaíno, agradeço a Deus por ele ter declarado que a torcida do Flamengo é aquela com a qual ele mais se identifica. Conhecendo, como todo brasileiro conhece, a sua postura e as suas atitudes, pergunto eu: não é um orgulho para nós, vascaínos, que ele não se identifique com a gente? Pois é: se "o Pelé calado é um poeta", Romário, calado ou abrindo a boca para falar besteira, é apenas uma estátua de fundo de estádio! Mais nada, coitado...
LAMBANCEIROS DO APITO
Uma excelente e imparcial matéria do GloboEsporte.com sobre erros de arbitragens mostra que, apesar de alguns loucos defenderem o erro como "emoção do futebol', as falhas grotescas dos árbitros influenciam a tabela e, mesmo com pontos corridos, podem gerar um campeão imerecido. Ao que parece, somente agora estão interessados em levantar essa bulha. A decisão dos dois últimos estaduais, por exemplo, beneficiou o Flamengo e lesou gritantemente o Botafogo. Mas, no comércio barato da venda de jornal na banca, a imprensa brasileira se calou e promoveu o falso campeão, consentindo a injustiça para faurar $eu$ reai$ a mai$!
NASA: HUMORISTA???
O volante Nasa, famoso pelo gol contra que eliminou o Vasco da disputa do Mundial de Clubes, saiu-se com a pérola de que o Vasco atual "precisa de um jogador como ele". Sugestão para o presidente Roberto, que adora homenagens: apresentar ao estrupício o Jorge Luís, novo "artilheiro de gol contra" da Colina.
* As informações, notícias e opiniões expressadas neste espaço são de inteira responsabilidade do colunista.
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