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SUPERVASCO

Pesquisa SuperVasco
Terça-feira, 6 de janeiro de 2009

ÚLTIMO JOGO
Vasco
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ÚLTIMO | PRÓXIMO
Data:
07/12/2008
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Matéria
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Americano-RJ
ÚLTIMO | PRÓXIMO
Data:
24/01/2009
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Marcos Peressoni
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Sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Todo o cuidado é pouco!

Convém não ficar desesperado, muito embora nós já estejamos, não é? Convém, entender que a luta contra o rebaixamento faz parte do aprendizado do torcedor nesses tempos de renovação do futebol, onde já não existem mais os incaíveis. Muitos vascaínos não sabem disso. Para eles, o rebaixamento é o impensável. E isso é um dos componentes que nos levou aonde chegamos!

Nômade virtual, deslizando pelo éter das interfaces, mergulhando nesse universo espectral e sombrio, descubro uma pequena cintilação aqui, um fulgor acolá: na maioria das vezes, são femininas as vozes que aquecem o meu coração e renovam as minhas forças para a próxima batalha – contra o São Paulo -! Não são vozes isentas de revolta, nem repúdio, mas são vozes que nunca perdem de vista o essencial.

As meninas compreendem que o essencial da relação torcedor-clube é a lealdade e não a “paixão”. Elas sabem que qualquer que seja o resultado, hão de permanecer leais ao clube, a tudo aquilo o que ele representa – e que não vai deixar de representar por contas uma eventual temporada ou mesmo duas temporadas na segunda divisão -!

Já os meninos... caras, coisa desastrosa! Para a maioria de nós, a relação torcedor-clube é da ordem da paixão e isso justifica todo e qualquer despautério! E Isso, vascaínos, é um baita problema, porque a paixão nos convida a condutas irracionais – foi por este motivo que as elites inventaram, nos anos quarenta, que o torcedor é um apaixonado ( essa redução do torcedor ao elemento passional em contraste tácito com a razão – que seria o apanágio dos dirigentes - foi um meio empregado para desqualificar o amor das classes populares por seus clubes.). Nesse modelito elitista de torcer, a paixão não reconhece objetivos. Daí os torcedores que ainda torcem nesse velho modo, flutuam à mercê de suas paixões... e todo cuidado é pouco: o que se vê nesse ano, é um bando de vascaínos vivendo em ritmo de psicose maniaco-depressiva! “And the Yoyo man, always up and down...”

Séculos a fio, as mulheres fizeram o trabalho sujo das emoções para nós, os homens. Agüentaram com muito bom humor e paciência o nosso lado “Peter-Pan” que é ainda meio dominante (uns anos atrás, em uma derrota contra o urubu, por um nadinha, não lancei meu radio de pilha contra a parede! Descontrole emocional, histeria...). Acontece que, nos anos 60-70 do século passado, elas cansaram de brincar de Wendy.

Elas não querem mais viver com o Peter-Pan; elas querem parceiros, iguais; querem homens capazes de se autocontrolar emocionalmente e não aqueles ainda presos a esse arremedo de masculinidade que corre para a barra da saia da primeira “mama” à sua disposição quando enfrenta o menor obstáculo emocional.

Daí, elas decidiram que era hora dos Peter-pans crescerem. Um baita problema, pois nós, tolos que somos, acreditamos que podemos controlar racionalmente as nossas emoções. Alias, esse era o grande argumento: o que pretensamente nos tornava superior às mulheres e explicava a dominação masculina na sociedade ocidental era a nossa maior propensão para a ação baseada na razão, no cálculo racional! Elas eram boas em lidar com o lado emocional!

Óbvio que essa pequena mutação modifica completamente o papel masculino nas sociedades ocidentais (pelo menos); óbvio também que nós homens – que sempre nos apegamos às nossas “vassalas”, sempre tão compreensivas com os nossos surtos por conta de nossa dificuldade de lidar com as paixões – não temos o menor pendor (social) para o trabalho das emoções que em nossos corpos tendem a evoluir para sua intensidade máxima, a paixão “avassaladora”!

O futebol é esse caldeirão. Mário Rodrigues , o principal ideólogo das elites conservadoras (o poeta da mídia que conseguiu frear o ímpeto popular nascido na colina, que conseguiu deter o poder de renovação desencadeado pelo Vasco nos anos 30, limitando a potência renovadora do Vasco a uma participação honrosa na questão racial e a criação de um nicho de mercado onde os “negros” e os “brancos” pobres poderiam subir na vida – profissionalização, carteira assinada, emprego,etc...) compreendeu que o futebol cumpre um papel fundamental na sociedade brasileira, qual seja: é um rito no qual sublimamos nossas pulsões irracionais, permitindo a tal civilização brasileira na qual o principal valor seria a cordialidade – por exemplo, o “racismo” cordial (sic!) -...

Nas arquibancadas, cada torcedor é um leão ou o animal selvagem que preferir. A paixão desenfreada na arquibancada é a contrapartida da repressão generalizada às emoções que vigoram no cotidiano masculino – pois o masculino é definido como “pura racionalidade” -... a paixão desenfreada na arquibancada é o “outro” de nossa subserviência ao poder no cotidiano... a paixão desenfreada na arquibancada é o “outro” de nosso conformismo generalizado! E o torcedor histericamente apaixonado é peça fundamental na máquina repressiva da elite brasileira!

Eis-nos, então... nós, os machos, diante de um problema colocado pelas mulheres: é preciso “devir-mulher”, como dizia Guattarri. Ou seja, núpcias ou aliança: se a mulher entra em devir e passa por um processo de mutação, o seu parceiro ideal, o homem, é carregado por esta e acaba obrigado a modificar seu comportamento e conduta por contas das mudanças ocorridas no pólo feminino das núpcias (como diz uma amiga de minha companheira: Ela quer mais que os filhos dela se lembrem sempre da comidinha... do papai!). Se elas colocam que o trabalho das emoções é fundamental para a parceria (núpcias ou aliança), não nos resta outra escolha...

Mas convém não falar muito disso aqui, pois a maioria torcedora (nas arquibancadas, ritualizam-se papéis masculinos muito apreciados, mas incompossíveis com o real atual, como o “chauvinista”, por exemplo) confunde-se “mulher” com “mariquinha” (basta ouvir os cantos dos “enrustidos” organizados para notar isso!). O outro da maioria masculina torcedora é a “bichinha” – essa paródia do feminino - e não a mulher... por isso, os “machões” de arquibancada são tão descontrolados e tão dados a histeria de massa...

Basicamente, a luta contra o rebaixamento deve ser pensada, entre outras coisas, como um desafio para melhorar a nossa capacidade de lidar com emoções, para compreender como as emoções são elementos fundamentais na constituição e realização de nossos objetivos (não por acaso, os que não gostam da atual diretoria ficaram tão excitados e falantes nas listas após a nossa derrota contra o Galo; a “emoção” que os avassala define o objetivo deles! Não é questão de “oportunidade de ouro”, não é racional, pensado e nem é cinismo; não é que “torcem contra”... é expressão do como sentem a vida política vascaína! É conduta histérica, nostalgia do grande “macho” latino que ´avassalava´ o clube!); pois nossos objetivos não são puros frutos da razão e da racionalidade;

A luta contra o rebaixamento é uma oportunidade para não deixar que elas – emoções – evoluam para a paixão desenfreada e o comportamento irracional; para demonstrar que a sabemos dosar e impedir o seu livre curso que faz com que percamos de vista que o fundamental do torcer não é a paixão, mas a lealdade irrestrita ao clube que escolhemos aconteça o que acontecer! É, também, uma oportunidade para demonstrarmos que nós, homens vascaínos, estamos à altura dessas fêmeas fabulosas, as vascaínas, que nós tantos amamos...

* As informações, notícias e opiniões expressadas neste espaço são de inteira responsabilidade do colunista.

Comentários


  • Erica Alves Nogueira (Rio de Janeiro - RJ) 48 dia(s) atrás
    Comentário: Caro colunista, só um doce toque pra ti: faça análise, muita. Vai te fazer bem reconhecer que o PATHOS (paixão, sofrimento, excesso) é inevitável e nos atravessa sem dó nem piedade. O futebol e o nosso apaixonante Vasco é nada mais nada menos do que um belo símbolo disso.

    No mais, fico com a sacada do leitor Gesner. Auto-controle nesse nível se chama Neurose Obsessiva-Compulsiva da braba.

    Portanto, faça análise, de preferência com um freudiano de charuto para te lembrar de seus fetiches mais inconfessáveis. Vai te fazer muito bem. Sem ironias.

    Um afetuoso abraço.
  • Marcos Szukala (Campo Grande - MS) 49 dia(s) atrás
    Comentário: está chegando a hora de perder a paixão e largar, não vou acompanhar segunda divisão por umas três temporadas que é o que vão nos impor ,sob um discurso colocado todo no gerundio.Pedro Paulo,Ferreira,Brito ,Fontana e Eberval,Danilo Meneses e Buglê,Nado,Nei,Walfrido e Silvinho.Adeus minha paixão , vocês venceram.Saio junto com o Edmundo.
  • Luciana (Rio de Janeiro - RJ) 51 dia(s) atrás
    Comentário: Sim, estou MUITO desesperada já, a beira de um ataque de nervos a cada jogo... Nem em 2005 sofri tanto...

    Obrigada pelo que fala de nós mulheres (ou meninas)! Sou leal! Mas também sou apaixonada, perdidamente apaixonada pelo meu Vasco. O time que eu escolhi...

    Eu me vi dos dois lados agora... Pois serei Vasco por toda vida, não importa onde ele esteja, mas, tive várias atitudes irracionais nesses jogos, principalmente na geral do Maracanã (VascoxFlamengo).

    Talvez seja a hora de repensar isso... Ou não!
    Domigo estarei lá... Quero torcer, pular, chorar, gritar e brigar com quem quiser me tirar a razão!

    Vou repensar meu comportamento sim amigo, quando o Brasileirão acabar...

    P.S.:

    Por favor não se importe com esses babacas que fazem questão de vir aqui só pra tacar pedra.

    Eles não estão preparados para seus textos...
  • Paulo Salles (Rio de Janeiro - RJ) 51 dia(s) atrás
    Comentário: Olá Peressoni, tudo bem?
    Vc sabe, sou seu fã há tempos. Tenho visto algumas pessoas pegando no teu pé aqui, mas não se aveche não. Ninguém consegue agradar a todos nunca. Nem Jesus Cristo conseguiu.

    No tocante ao seu ponto de vista relativamente ao descenso do time do Vasco, sou, tanto quanto seu admirador, na mesma proporção, contrário.

    Vai ser difícil encarar um jogo no Maracanã contra o flamengo estando na segunda divisão do campeonato brasileiro. Ainda mais sendo ele agora o único integrante do futebol carioca que nunca abandonou a elite do futebol. Vai ser difícil. Talvez não para vc daí, não presente aos estádios. Não circulando pelas ruas do Rio e defrontando-se com as pessoas que o conhecem e sabem para qual time torce.
    Até em jogos contra Olaria, Volta Redonda e outros menores, irão gritar-nos: "Segunda divisão!!!" A tentativa do baque moral. Que será fatal. Que abaterá a todos.
    No futebol é assim. Se não pensar assim, abandone a paixão por ele.
    A graça, a intenção, é e será sempre essa: obter todas as possíveis vitórias (há os que se utilizam até de meios mais que excusos nessa empreitada - os rubro-negros que o digam), tentar perder o mínimo possível e um rebaixamento é fatal.

    Neste momento nem se fala somente no moral do time - seja qual for daqui pra frente -, da torcida. Mas, vivemos um momento de crise mundial. As receitas do clube cairão drasticamente. As cotas da TV. O tal patrocínio será o mesmo com o time na divisão B?
    Valerá a pena? Não será nada isto?
  • Joao Vitor (Petrópolis - RJ) 52 dia(s) atrás
    Comentário: O que voce propõe exatamente? que nós deixemos então de ser apaixonados? isso nunca. É justamente essa paixão loca que faz nós sermos quem somos, Vascaínos malucos e incondicionais. Voce não precisaria escrever o que escreveu. Por mais que sejamos loucos, loucos e loucos, e por não querer que nosso Vasco seja rebaixado com toda força da nossa insanidade, não significa que em caso de um eventual rebaixamento deixaremos de ser. Sou Vasco em qualquer divisão, justamente por causa da Minha Paixão insana! Futebol não é racionalidade como o senhor propôe, aliás propôe do jeito mais chato, com um texto prolixo e de dar sono!

    visitem o blog do almirante, onde não vemos esse tipo de conformismo e sim opiniões de um Vascaíno loucamente apaixonado que tem confiança até o ultimo apito.

    www.fundamentalismovascaino.blogspot.com
  • Zeca (Criciúma - SC) 53 dia(s) atrás
    Comentário: Caro Marcos,
    Num ponto concordo com você: As mulheres vascaínas são maravilhosas. Marcella Schittine que o diga. Em relação a queda para a 2ª divisão ser um aprendizado seria imaginar o seguinte, medindo substancialmente as devidas diferenças e proporções:
    A família vizinha teve seu lar invadido e destruído por uma quadrilha, experimentando a ruína total. Como tudo na vida é um aprendizado, a mesma tragédia terá que ocorrer na sua casa para você sentir a mesma sensação de tristeza e melancolia, para depois com muito sacrifício tentar renascer das cinzas. É uma apologia ao desespero e a amargura. Para um clube com a grandeza do Vasco, disputar a série B-(três batidas na madeira para que isso não ocorra) seria uma mancha para a torcida que nunca iria se apagar. É entrar num bar, dez anos depois, e ser lembrado constantemente da data e do fato ocorrido. É sentar nas arquibancadas do Maracanã para um jogo contra o Urubu e ter o refrão, Ao, Ao, Ao, 2ª divisão gritado e comemorado, no mínimo, por metade do público presente. Existe para um verdadeiro vascaíno, pior sensação que esta? Tenho certeza que os torcedores dos grandes clubes que caíram e conquistaram títulos na série B, voltariam no tempo, se fosse possível, e trocariam suas conquistas por uma permanência duradoura na série A, nem que tivessem que comemorar 16º lugar. Como o futebol está enraizado na cultura popular brasileira, afeta diretamente o nosso dia a dia, acreditando que este é o real motivo para nos preocuparmos tanto com o rebaixamento do nosso time. No entanto, respeito a sua opinião e acredito que você é tão fanático quanto qualquer outro torcedor cruzmaltino que não partilhe de sua idéia. Observação: É a paixão e não a lealdade que leva um vascaíno a opinar e interar sobre o seu clube de coração num site.
    Saudações Vascainas
  • Gesner (São Luís - MA) 53 dia(s) atrás
    Comentário: Um bom comentário, porém inoportuno. É como se o Peter Pan tivesse doidão pra comer a Wendy, sabe, que nem naqueles "day after pós ressaca", e ela só quisesse ficar "discutindo a relação". É autocontrole demais, meu irmãozinho!
  • Cléber Guiot (Rio de Janeiro - RJ) 54 dia(s) atrás
    Comentário: Meu Deus...Qual era o real objetivo deste comentário ????? Com que objetivo se escreve desta forma ??? Quem não entende a suas idéias fica boiando, e quem entende fica pensando qual a razão de tanta falta de objetividade....
    Meu filho, seja menos pernóstico !!! A inteligência está na clareza e no conteúdo das idéias, e tu não possuis nem um e nem outro !!!
  • Gabriel de Paula (Guaçuí - ES) 54 dia(s) atrás
    Comentário: chegando em (mergulhando nesse universo espectral e sombrio) parei de ler ...

    cara só fala besteira
  • Jared (Rio de Janeiro - RJ) 54 dia(s) atrás
    Comentário: Você disse: "... a luta contra o rebaixamento faz parte do aprendizado do torcedor nesses tempos de renovação do futebol..."
    Que me perdoe, meu caro Marcos, mas brigar lá embaixo da tabela, coisa que estamos fazendo praticamente todos os anos durante este século, faz parte de time que não tem planejamento, bagunçado, desestruturado, desorganizado, como foi o da ex-diretoria durante todos estes últimos anos.
    Quem começa o planejamento contratando um bom técnico e este indica os jogadores e as contratações são feitas de maneira criteriosa, é bem sucedido, mesmo com parcos recursos.
    Sabemos que a folha do Grêmio não é das maiores, mas o time está aí, apresentando resultados.
    Como exemplo, vou mais além: Coritiba, 7º colocado, e Vitória, 11º, vieram da série B e eram cotados pela mídia como prováveis candidatos ao seu lugar de origem. Foi mais uma roubada da imprensa.
    Estou torcendo muito para que o Vasco não caia, mas, se um dia, por acaso, o ex voltar ou o seu dna se fizer presente, juro que vou me recolher ao silêncio - porque entenderei que a luta não fará sentido - e passarei a ser apenas mais um torcedor e irei pertencer à maior torcida do Brasil e do mundo: a anti-fla.
    Saudações cruzmaltinas.

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