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SUPERVASCO

Pesquisa SuperVasco
Sábado, 22 de novembro de 2008

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Hélio Ricardo
Hélio Ricardo é “carioca da gema”. Nasceu na Tijuca, cresceu entre a Praça XI e o Irajá. Bacharel em Comunicação, pós-graduado em Marketing, é também ator, diretor e autor teatral. Vascaíno engajado, escreveu o livro Mauro Capitão Galvão – Lições de Vida, Lições de Futebol. Trabalha na TV Globo e é pesquisador de teatro, culturas urbanas, escolas de samba e futebol
Quinta-feira, 3 de julho de 2008

Vasco da Gama: Cravos e uma Lição de Civismo

Seja este espaço vascaíno um canal a refletir, com toda transparência, a real conquista que o nosso Club de Regatas Vasco da Gama obteve nestes últimos dias, empossando democraticamente como presidente o maior ídolo e mais amado de todos os heróis do panteão vascaíno – nosso glorioso Roberto Dinamite!

Seja este espaço o foco de bravura e resistência contra uma imprensa tendenciosa, obscura, parcial e antiética (e não citarei nomes nem empresas, porque sei que os nomes passam e as empresas não são exatamente essas pessoas) que não deu a devida grandeza do que foi esta conquista para nós.

Atentai, vascaínos unidos, para as humildes palavras deste cronista que vos escreve, cordialmente, todas as semanas, rodeado de bravos amigos, autênticos vascaínos apaixonados, voluntários não-remunerados deste Supervasco que não almeja outra coisa senão um “Vasco-Super”, um Vasco respeitado e dignamente representado por dirigentes éticos, morais, por conselheiros e beneméritos que fizeram história, por uma torcida que não se envergonha de fundir negros, portugueses, pobres, ricos... brasileiros unidos por um mesmo ideal: a cruz de Cristo reluzindo sobre o peito!

O que ocorreu lá na sede náutica do Vasco, naquela noite histórica do dia 29 de junho, não foi apenas uma eleição, como muitos anunciaram por aí afora. Não foi, não, vascaínos ilustres, torcedores inflamados por essa paixão indescritível! Aquela noite de 29 de junho foi um marco histórico de um clube que tem história. O Vasco foi o primeiro clube a eleger um ídolo como presidente; pioneiro de novo, ao promover eleição com urnas eletrônicas e a presença do TER. Não adianta, não tiram isso da gente: o Vasco é o mais democrático e mais ético dos clubes do Brasil! Por isso precisávamos mudar. Por isso mudamos e fizemos história, Não apenas pela vitória, mas pela mobilização, pela conscientização de uma torcida inteligente, pela simbologia ritualística que envolveu cada movimento.

Para entendermos por que a torcida do Vasco levou cravos para o dia da eleição, recorreremos à história de Portugal, nossa amada colônia de família reunida. É à história que se recorre para se entender o clube que mais tem história na história do futebol mundial!

Voltaremos ao ano de 1974, mais especificamente ao dia 25 de abril, quando um levante conduzido por oficiais intermediários da escala militar (“beneméritos”) pôs fim ao terrorismo fascista de um ditador tirano que espoliava Portugal e sustentava uma política de vilipêndio já reinante desde 1926! Para muitos, o regime jamais cairia. Mas a força dos revolucionários (o “MUV”) e a manifestação assertiva do povo português (VOCÊ – torcedor vascaíno!) foram papel definitivo para a grande conquista. A imprensa em geral estava dominada pelo regime ditatorial, mas havia jovens, trabalhadores, intelectuais (os sites de oposição) ajudando a difundir a ideologia revolucionária e a expurgar o mal da nação. Pois assim foi feito em Portugal: a ditadura de Salazar foi derrubada, e o povo comemorava em júbilo, dançando, cantando e chorando nas ruas, abraçando os soldados sem medo dos fuzis, e colocando cravos vermelhos nos canos das armas. Homens, mulheres e crianças encheram de cravos os militares e as ruas de Lisboa - que tornou-se, naquela noite, a cidade mais festiva da Europa! O povo chamou esse dia de liberdade de “Revolução dos Cravos”. 25 de abril é feriado em Portugal, é o Dia da Liberdade.

Quando a torcida do Vasco encheu as ruas à volta da sede náutica para bradar o grito de “Roberto”, foram distribuídos os mesmos cravos, gesto simbólico de uma revolução pacífica, com as armas da justiça, com o facho de luz da transparência, recuperando a trajetória democrática e o grito de liberdade que o clube sempre bradou.

Terça, na cerimônia de posse, eu abraçava meu presidente, abraçava o companheiro José Henrique Coelho, abraçava os guerreiros do Supervasco que nunca desistiram de lutar, e pensava comigo mesmo: que lição de civismo, de civilidade, de superioridade está dando o nosso Vasco da Gama nesta noite!

A grande mídia estava lá, mas o material a ser exibido terá mil cortes, será editado. Não mostrarão o governador do Rio declarando sua paixão e a importância histórica do clube no processo de democratização social, apregoando a unidade e o respeito entre os clubes. Numa reunião de civilidade, até adversários clubísticos estiveram presentes. E não adianta ostentarmos uma pose radical e dizermos que os flamenguistas não deveriam estar lá: meu pai é flamenguista e convivo com ele há mais de trinta anos; todos nós temos amigos e familiares de outros times, por que os presidentes e ídolos de nosso clube não podem ter? Ostentação e radicalismo são duas vicissitudes que caíram com a ditadura no Vasco, não vale a pena ressuscitar esses males em nome de um radicalismo. “Não preciso falar mal do Flamengo para levar o torcedor ao estádio” – disse, sabiamente, o novo presidente vascaíno. É isso. Sem bazófia, sem tripudiação, sem provocações chulas que, muitas vezes – dito pelos próprios jogadores vascaínos – acabam incentivando o adversário a jogar com o dobro da garra quando enfrenta o Vasco. Diplomacia a elegância são a tônica do novo presidente. Um homem de paz.

Tive, na época do lançamento de meu livro sobre a vida de Mauro Galvão, todo o apoio e incentivo do ex-presidente. Poderia ter me calado a vida inteira para me beneficiar daquela aliança. Mas não vendo meu voto por saco de cimento, nem minha ideologia por proveito próprio! Quando Roberto foi expulso do Vasco, senti-me igualmente defraudado e desrespeitado, e assumi uma posição – senão política, dada a minha condição de cronista, mas ideológica. Passei a apoiar o MUV pura e simplesmente porque apoiava o retorno do maior ídolo ao clube que o projetou. Hoje são meus amigos, e fico feliz por vê-los lá.

Obrigado, queridos leitores do Supervasco. Recebi abraços, agradecimentos, parabéns de pessoas na cerimônia pelo trabalho de sinceridade que desempenhei aqui, em meus textos. E foi graças a vocês, exército vascaíno que me brindou durante todos esses anos com milhares de mensagens, às quais eu sempre respondi e procuro responder como posso, que tudo isso aconteceu.

Vocês ajudaram a empossar o Roberto! Vocês me colocaram naquela cerimônia! É uma vitória da nossa torcida, dessa gente comum que me reconhece nos estádios, que me abraça nas ruas, mesmo sendo eu apenas um pequeno escritor devotado a essa paixão pelo Vasco!

Monarco tem um belo samba chamado “Portela, Um Família Reunida”. Nós, do Supervasco, também somos assim! Saudações cordiais aos amigos do site – o “patrão” Elisvaldo Coelho (que começou tudo isso), Adriano Filho (engajado, guerreiro, um exemplo!), Marcelo Panoeiro (parceiros de longa data nas coisas do site), Marcelo Coelho (figura extraordinária, a cara de um Vasco alegre e aguerrido), Rafael Furtado (que se revelou um amigo precioso em minha trajetória no site), Anderson Firmino (que diz ser “meu discípulo” – olha a responsabilidade!; o garoto é fera!), Roberto Miralha (sangue novo, grata surpresa, sujeito leal) e os não-presentes Renildo Almeida e Marcos Peressoni, (brilhantes em suas empreitadas, queridos do mesmo jeito). Estão todos de parabéns!

Naquela noite da “Revolta dos Cravos vascaínos”, lembrei-me que Cristo salvou a humanidade tendo cravos nas mãos. Não o cravo-flor, mas o cravo que atava suas mãos à cruz.

Ele morreu para que a humanidade fosse livre, e todos precisam conhecer e crer nisso.

O Vasco é livre, hoje, também!

Deus te abençoe, presidente Roberto Dinamite!
Deus abençoe o Supervasco e os supervascaínos que nos prestigiam por aqui!

7 PECADOS AO SUL DO EQUADOR (SOBRE A LIBERTADORES 2008)

1. A imprensa brasileira, por unanimidade, reputava a LDU como um time fraco, de péssimos jogadores, sem toque de bola, sem nada. Engoliu as palavras desde o primeiro jogo da decisão. Mas manteve a pose, continuando a depreciar os equatorianos. Parecia que o Fluminense é quem tinha vencido por 4x2 o jogo de lá...

2. “Renato Gaúcho: Apenas um motivador I”. Na prorrogação, ficou bem clara a diferença entre um time treinado, com toque de bola e jogadas ensaiadas (LDU), e um time cheio de ótimos jogadores, mas sem nenhuma jogada ensaiada e sem padrão tático para mandar no jogo (Flu).

3. “Renato Gaúcho: Apenas um motivador II”. Agora mais do que nunca. Com o forte elenco do Fluminense, perdeu tudo. Ficou fora de todas as decisões regionais (Taças Guanabara, Taça Rio e, obviamente, o Estadual) e está em último colocado no Brasileirão. Ganhou a Copa do Brasil, que até o Sport, o Santo André e o São Raimundo ganham. Ou seja, só chegou à Libertadores pelo “atalho” concedido aos pequenos. Nada além disso. E ainda se gaba de grandes feitos...

4. “Renato Gaúcho: Apenas um motivador III”. Semana passada, nos 4x1 do primeiro tempo, Renato chamou seu elenco de “sem-vergonha”. E ontem apareceu na coletiva dizendo que estava ali “porque era homem”. Até a Rogéria e a Roberta Close devem ter achado graça dessa necessidade de auto-afirmação! Viva a diversidade, Renatão!

5. O planejamento do Fluminense, desprezando totalmente o Brasileiro, beirou a arrogância. Ninguém queria jogar as partidas nacionais: todos “focados” (palavra nojenta!) na Libertadores. Estrelas sulamericanas, chiques demais para o embate nacional! Nem o treinador ia aos jogos! Agora todos voltam sem a Libertadores, lutando para saírem da lanterna e do rebaixamento. Do céu ao inferno! Vaidade é pecado!

6. Juiz sul-americano é mais ou menos como cd pirata de camelô do terceiro mundo: muito divulgado, barato, de péssima qualidade, mas tem sempre alguém que compra e alguém que gosta! Ontem foi um show de cera do goleiro equatoriano, dois pênaltis (para o Flu) e um impedimento equivocado (LDU) que decidiriam a partida, se fossem marcados. COBRAF, Sulamericana, FIFA... quem faz o quê?!?! Nota zero!!!

7. Tá bom, senhor governador do Rio! Valeu a sua torcida pelos votos dos tricolores. Mas ainda é o Vasco o dono dos dois últimos títulos internacionais (Libertadores 98 e Mercosul 2000) que o Rio de Janeiro conquistou!

* As informações, notícias e opiniões expressadas neste espaço são de inteira responsabilidade do colunista.

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Coluna: Vasco da Gama: Cravos e uma Lição de Civismo
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