Andrés Ríos foi herói e quase vilão em partida contra o Avaí

12/10/2017 às 00h04 - FUTEBOL

Já desconfiado de jogos que se desenham tranquilos, dado o retrospecto neste Brasileiro, o torcedor do Vasco passou por emoções mistas na noite desta quarta-feira — mas surpresa dificilmente foi uma delas. Contra o Avaí, fora de casa, a equipe carioca foi cirúrgica no primeiro tempo e abriu dois gols de vantagem. Depois do intervalo, sentiu o baque pela expulsão de Andrés Ríos e passou sustos contra a equipe catarinense, que diminuiu para 2 a 1. Dos males, o menor: no fim das contas, o Vasco segurou a vitória apertada e subiu para oitavo, com 36 pontos, só três atrás do Flamengo, que é o primeiro time na zona da Libertadores e joga hoje contra o Fluminense. 

Logo aos dois minutos, Wagner mostrou que a pausa do Brasileiro para a rodada das eliminatórias fez bem ao Vasco. Inspirado em Arjen Robben, da seleção da Holanda, o meia vascaíno — que confessou ter assistido a vídeos do holandês horas antes da partida de ontem — repetiu uma de suas jogadas características: na quina da área, pelo lado direito, cortou a marcação com a perna esquerda e chutou no ângulo. Um gol de almanaque para deixar o Vasco à frente. 

A partir daí, o time repetiu o desapego à posse de bola já exibido em outras partidas sob o comando de Zé Ricardo. O treinador chegou a reclamar ao longo do primeiro tempo: pedia que o time adiantasse a marcação e tentasse sufocar a saída de bola do Avaí. Por outro lado, a postura mais recuada é natural dentro da proposta implementada por Zé Ricardo, que tem se dedicado a dar solidez defensiva antes de exigir força ofensiva de seu time. 

Não por acaso, o Vasco viu sua média de gols sofridos cair a menos de um por jogo desde a chegada do novo treinador, mas também não havia balançado a rede mais de uma vez na mesma partida com Zé Ricardo — até esta quarta-feira. 

Enquanto o Avaí esbarrava nas próprias limitações ao passar tempo com a bola, o Vasco ampliou sua vantagem assim que chegou à frente de novo, aos 23 minutos. O caminho, outra vez, foi o lado direito: Nenê cruzou, Wellington escorou e Andrés Ríos guardou. 

RÍOS LEVA VERMELHO 

O argentino, que passará a disputar posição com Luis Fabiano, recuperado de cirurgia no joelho direito, queria mostrar serviço. Foi assim que ele criou a melhor chance do Vasco no segundo tempo, aos 14 minutos, emendando de primeira uma bola perdida na entrada da área e assustando o goleiro Douglas.

O problema é que o excesso de vontade saiu pela culatra no minuto seguinte. Em disputa com Pedro Castro, Ríos correu risco desnecessário ao colocar a mão no rosto do adversário — antes do intervalo, já havia corrido risco semelhante ao chegar atrasado em dividida com Capa. Acabou recebendo dois cartões amarelos e foi expulso. 

Foi a senha para o Avaí, antes desequilibrado emocionalmente — ao ponto do reserva Williams conseguir ser expulso sem entrar em campo —, acordasse na partida. Na cobrança da falta cometida por Ríos, Marquinhos ergueu na área, Alemão desviou e Betão, ligeiramente impedido, diminuiu o placar para 2 a 1. Nervoso, Andrés Ríos quis assistir da beira do campo os minutos finais, para conferir se passaria de herói a vilão. Sorte dele é que o Avaí, assim como no primeiro tempo, seguiu improdutivo com a bola nos pés. E, nas raras vezes em que achou o caminho do gol, Martín Silva estava lá para salvar o dia do Vasco. Até aí, nenhuma surpresa. 

Fonte: O Globo Online