Após orçamento de R$ 8 milhões, investimento no basquete deve ser menor

17/04/2018 às 13h26 - OUTROS ESPORTES

Na elite do basquete brasileiro desde a temporada 2016/17, o Vasco vai seguir com o seu projeto para o NBB 11. Quem garante é o presidente do clube, Alexandre Campello. O tamanho do investimento, porém, é incerto, e o Cruz-Maltino, caso não consiga patrocinadores, terá um time muito mais barato do que o montado para o NBB 10, quando o orçamento ficou acima dos R$ 8 milhões e mesmo assim a equipe acabou eliminada ainda nas oitavas de final. Hoje, a modalidade não é autossustentável e nas duas últimas edições do Novo Basquete Brasil a verba para a manutenção do esporte veio de um cofre único. É com essa dependência do dinheiro investido no futebol que Campello quer acabar.

- A ideia sempre foi de manter o basquete. Nossa expectativa é conseguir montar um projeto e trazer verba das leis de incentivo fiscal para manter essa equipe para a próxima temporada. É um investimento pesado, e esse investimento, quando não há patrocinadores ou leis de incentivo, acabam sendo drenadas do futebol. Queremos evitar isso. Sempre defendemos que os esportes devem ser autossustentáveis. Se não conseguirmos isso, é possível que o investimento caia. O ano de 2018 foi difícil para o Vasco. Temos que trabalhar muito bem o orçamento do clube. Trabalhamos para aumentar receita, mas temos que diminuir despesa. A ideia é manter uma equipe competitiva, mas é possível que seja necessário fazer ajustes - explica Campello.

Alexandre assumiu o Vasco no meio de um turbilhão em janeiro deste ano. Além da crise política com a eleição parando na Justiça, ainda tenta solucionar uma crise financeira. Desde que venceu a Liga Ouro em 2016 e conquistou a vaga no NBB, o Vasco tenta patrocínios para o basquete sem sucesso. Disputou a temporada 2016/17 sem parceiros e neste ano, com investimento quase 30% maior, voltou a não conseguir receitas. O orçamento ficou acima dos R$ 8 milhões e o clube não conseguiu honrar seus compromissos. Jogadores do ano passado já haviam saído do time e ainda não tinham recebido. Neste ano, o salário também atrasou e David Jackson chegou a se afastar da equipe para depois retornar.

- Temos pouco tempo na gestão, conseguimos algumas mudanças. O time estava sem patrocinador, nesses últimos jogos conseguimos algo, e percebemos uma aproximação do mercado ao clube. Estamos na expectativa de conseguir patrocinadores para o basquete. Não se transformam essas coisas da noite para o dia. Se existir a percepção de se criar um ambiente favorável para esses investimentos, se no início não é suficiente para manter, mas você percebe uma perspectiva boa, a ideia é manter o nível de investimento - garante o presidente.

Eliminado do NBB, o Vasco terá alguns poucos meses para se movimentar. O torneio termina no começo do mês de junho, com a definição do campeão, e os times já começam a se movimentar para a montagem dos elencos. A permanência de alguns jogadores da atual equipe, por exemplo, dependem desse movimento. David Jackson, que tem seu contrato encerrado nesta temporada, tem salário na casa dos US$ 20 mil dólares mensais, cerca de R$ 68 mil. Nesse novo formato, o jogador, que ainda tem vencimentos atrasados, assim como outros atletas, dificilmente ficaria.

Uma possível mudança financeira, porém, não seria significaria ao Vasco uma queda de patamar técnico. Prova disso é o Caxias do Sul desta temporada. A equipe, que gasta pouco mais de R$ 100 mil mensais com folha de salário, conseguiu o quinto lugar na temporada regular - os cariocas foram apenas o 11º time -, e estão nas quartas de final do NBB duelando contra o Mogi das Cruzes. O primeiro compromisso do basquete do Vasco agora é o Campeonato Carioca, no segundo semestre, caso ele aconteça.

Fonte: GloboEsporte.com