Basquete: André Barbosa segue otimista e exalta o elenco

16/11/2017 às 08h28 - OUTROS ESPORTES

Um dos times que mais se reforçaram para a temporada 2017/2018 do NBB, o Vasco entra em quadra logo mais contra a Liga Sorocabana em São Januário (20h) em situação não muito confortável.

Após duas rodadas, o cruzmaltino segue sem vitória (perdeu de Minas na estreia fora de casa e na terça-feira, no Rio de Janeiro, para o Pinheiros) e sabe que novo revés logo mais pode trazer uma pressão desnecessária e até certo ponto inesperada para uma equipe que tem tudo para brigar pelo título do campeonato.

O blog conversou com o técnico do Vasco, Dedé Barbosa (ele agora pede para ser chamado de André Barbosa), a respeito disso tudo, da recepção que ele teve no time desde que começou a trabalhar na temporada passada, das novidades do basquete atual e muito mais. Confira o papo com o treinador, um dos mais antenados e melhores desta nova geração.

BALA NA CESTA: A pergunta inicial é a mais fácil de todas: agora é pra chamar de André Barbosa, e não de Dedé, é isso?
DEDÉ BARBOSA: (risos) É pra não confundir com o Dedé, ala que foi contratado pro nosso time nesta temporada. Só por isso mesmo, Bala, nada demais, não. Mas eu até achei legal, sabia? Mais sério…

BNC: Como vem o Vasco pra essa temporada? O que você está visualizando pro campeonato?
DEDÉ: Estou animado. É um grupo muito bom de trabalho, fora da quadra principalmente. Eles são muito unidos. Antes de fechar com cada um nós conversamos olho no olho e deixamos claro quais eram as intenções, do propósito, do projeto do Vasco da Gama. Isso é claríssimo para todos. Ninguém está ali pra coisa pequena. Coisas individuais são lucro, mas o que brigamos, o que brigamos mesmo, é pelo título do NBB, que é a conquista coletiva. O Vasco vem, sim, com toda humildade pra brigar pelo título do campeonato. Sabemos das dificuldades mas estamos muito fortes e focados nisso. Por isso optamos, também, por ter atletas experientes no grupo. A pressão existe, e estes jogadores mais rodados sabem encarar isso da melhor maneira possível.

BNC: Como você vê o basquete hoje? Te agrada? É muito chute de fora, né?
DEDÉ: Cada vez mais está complicado pra arrumar espaço. Por isso estão moldando muito armadores mais altos, pivôs que saem pra chutar, alas que fazem múltiplas funções. O motivo disso é fazer com que a defesa não seja facilmente posicionada para marcar atletas de habilidades tão diferentes. A gente já vê alguns exemplos disso, como o armador grego de 2,08m do Bucks (Giannis Antetokounmpo), o Karl-Anthony Towns, pivô do Minnesota que sai pro chute). E eu acho uma coisa que tenho uma grande convicção: em pouquíssimo tempo, todas as defesas vão ser todas de troca – de mudança de marcação. Eu digo isso porque os atletas estão crescendo tanto, que em muito breve os armadores já poderão marcar pivôs, e vice-versa. Todos cada vez mais versáteis, com cada um fazendo tudo. Por isso os chutes de três pontos, a transição rapidíssima, essas coisas que temos visto no basquete mundial. E eu gosto disso, hein. Mudanças são sempre boas.

BNC: E você, como está pra essa temporada? É a sua primeira temporada completa no Vasco.
DEDÉ: Espero que o time continue, né? Porque eu tenho essa má sorte, digamos assim… (Nota do Editor: Dedé era o técnico de Limeira e de Rio Claro quando os dois projetos fecharam suas portas recentemente)

BNC: É verdade, cara. Torçamos, né?
DEDÉ: Sim, sim. Mas falando sério agora. Olha, falando primeiro da montagem do time. Principalmente pelo que te disse acima sobre o basquete atual eu fiz questão de ter por perto atletas muito versáteis e que cobrem mais de uma posição. Temos dois alas-pivôs muito móveis, e um deles, o Guilherme Giovannoni, que consegue chutar de forma excelente de fora. Ele abre muito bem a quadra e isso será muito vantajoso pra gente.

BNC: E como você se preparou pra essa temporada? Que tipo de coisa você fez nas férias para esse NBB tão importante em sua carreira? Clínicas, livros, cursos…
DEDÉ: Esse ano eu optei por não fazer clínicas fora. Já fiz muitas fora, inclusive a do Gregg Popovich recentemente, mas como agora tem tudo na internet eu acabei optando por ver e fazer de tudo pela internet mesmo. E lá há muito material, muita maneira diferente de estudar. Esse ano fiquei muito focado na formação da equipe para formar esse elenco do Vasco. Este é meu terceiro ano como técnico principal do NBB e me sinto muito bem, muito preparado para seguir evoluindo e dirigir o Vasco a uma posição de elite no basquete nacional. Acho que tenho muito a aprender dentro e sobretudo fora de quadra. Li muito sobre isso recentemente.

BNC: Que livro você leu, por exemplo?
DEDÉ: Li “O Poder do Agora”, do Eckhart Tolle, que fala sobre uma descoberta interior para todos nós. Em termos de cabeça, de consciência, eu tenho muita noção das coisas que eu fiz e das coisas que tenho que melhorar. Nunca fugi disso, nunca fugirei, mas tenho certeza que sou uma pessoa muito diferente de quem eu era dois, três anos atrás.

BNC: Mais tranquilo?
DEDÉ: Muito, muito mais. Se a gente quer chegar longe, tenho que ser um exemplo, um líder. Meus erros eu assumo todos, e procurei trabalhar neles para melhorar e me tornar um técnico e uma pessoa melhor.

BNC: Duas perguntas pra fechar. O quanto você é grato ao Vasco por ter te aberto a porta? Você é um cara que viveu muita coisa no Flamengo, foi formado lá, e vinha de uma situação complicada com aquela confusão que houve quando era técnico de Rio Claro lá em Franca. O clube tinha tudo pra não te abrir um centímetro de porta e hoje te trata com um carinho imenso, não?
DEDÉ: Cara, você tem toda razão. É algo bem incrível mesmo, meio inesperado, meio contramão do que vemos as coisas hoje em dia. A maneira como terminou em Rio Claro deixou minha imagem meio arranhada. Muitas pessoas fizeram matérias, você mesmo escreveu uma que eu lembro bastante e eu sei o tanto que eu errei. Peço desculpa novamente às pessoas, a cidade de Franca e vou sentir isso. Mas, falando do Vasco, o clube me abriu uma oportunidade única, daquelas que não se abrem todos os dias. Então vou me apegar a ela, trabalhar como nunca, trabalhar como um maluco para recompensar esse clube e essa torcida como eles esperam da gente. Este é o meu desejo e iremos correr atrás disso. Sou muito grato ao Fernando Lima, diretor do clube. O Vasco é um gigante, que me dá uma projeção enorme. Vou retrubuir.

BNC: Sobre o episódio da confusão em Franca, você já viu e refletiu muito. O que ficou na sua cabeça daquele momento?
DEDÉ: Eu procurei ajuda. Fui a um psicólogo, não dá pra fugir disso. Penso muito nisso e não penso só em nível brasileiro. Penso em ser técnico fora, e sei que pra seguir os passos da minha carreira eu tenho que evoluir muito como pessoa antes de me tornar um grande técnico. Mas nos livros que li e nas conversas que tive eu vi que antes de pedir perdão às pessoas eu precisava me perdoar, ficar bem comigo mesmo. Foi um erro? Foi. Mas me conscientizei das coisas e estou pronto para não repetir. Entendi o motivo que eu fiz aquilo, me perdoei e estou bem comigo mesmo. Nunca mais vai acontecer nem perto do que aconteceu naquele dia. Estou preparado e sei que estou pronto pros desafios que vêm fortes nesta temporada.

Fonte: Bala na Cesta - UOL