Bernardinho revela dívida do Vasco com Fernanda Venturini

Em 03/10/2016 11:34
 

Foram apenas seis dias de folga após a apoteose no Maracanãzinho. Campeão dos Jogos do Rio, ao lado do filho, o levantador Bruno, com a família e amigos na plateia, e a torcida inteira a favor num templo do vôlei, o técnico Bernardinho logo voltou a trabalhar no time feminino do Rexona/Sesc, no Rio. Sem tempo para o vazio, para a tal “depressão olímpica”, ele perdeu a final do estadual para o Fluminense por 3 sets a 2, na noite de quinta-feira, e agora prepara a equipe para a Superliga, que deve começar dia 27 de outubro.

Sua equipe busca o 12º título do torneio mais importante do país, que nesta temporada contará com dez estrangeiras, sendo a holandesa Anne Buijs o maior reforço no Rexona. E, desta vez, a cidade do Rio terá mais uma equipe: o Fluminense, que venceu seletiva para chegar à elite.

A equipe das Laranjeiras, com a campeã olímpica em Pequim-2008 Sassá, a oposta Renatinha e a ponteira Jú Costa, é treinada por Hylmer Dias, ex-auxiliar de Bernardinho. E promete fazer bonito na Superliga. Na noite de quinta-feira, venceu o Estadual justamente em cima do Rexona, por 3 a 2 (25/23, 13/25, 21/25, 25/20 e 16/14), interrompendo uma série de 12 títulos seguidos do novo rival. O Fluminense já foi campeão brasileiro de vôlei, no feminino, em 1976 e 1981, segundo dados da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).

— Há 45 anos, comecei a jogar vôlei no Fluminense. Foi muito bacana voltar às Laranjeiras no Estadual, lembrar do início de tudo. Mais bacana ainda é ver o clube de volta à Superliga. É nosso rival e parceiro — revela Bernardinho, que “compartilhava” com o Fluminense jogadoras novas, para que elas pudessem atuar nas categorias de base, já que o Rexona só tem time adulto e escolinhas.

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Desde a temporada 2012/2013, quando o Macaé deixou a Superliga, o Rexona é o único representante do Rio na competição. O recorde de equipes cariocas na elite do vôlei aconteceu em 1983, com Supergasbras, Fluminense, Flamengo e Botafogo; em 1989/1990, com Supergasbras, Lufkin, Atlântictur e Flamengo; e 2000/2001, com Flamengo, Vasco, Força Olímpica e Macaé.

Bernardinho sente frio na espinha ao lembrar de 2000/2001, quando os últimos clubes de futebol voltaram. Frisa que os tempos eram outros, mas afirma que Vasco e Flamengo, à época, não fizeram bem à modalidade.

— Era véspera de Sydney-2000, e Vasco e Flamengo resolveram ter times. O clássico projeto Eurico Miranda inflacionou o mercado de maneira absurda e, depois, saíram. Chamo de “inflação de promessa”. Posso prometer salário de R$ 1 milhão. Legal, mas não pago. Até hoje o Vasco deve metade do salário da Fernanda Venturini. Muitas não receberam ou ficaram anos na Justiça — conta. — Fizeram mal ao vôlei. Flamengo e Vasco são clubes incríveis, que hoje têm gestores competentes. Mas, à época, além da questão dos salários, trouxeram a violência dos estádios. Na final entre Flamengo e Vasco, teve até tiro na porta do ginásio.

FUTURO NA SELEÇÃO

A experiência passada, no entanto, não significa que a chegada do Fluminense não seja bem-vinda.

— Mas é preciso saber que, aqui, não há espaço para loucuras nem violência — pondera o treinador. — Naquele momento não foi bom.