Brasileirão 2013 possui recorde de troca de técnicos

Em 10/07/2013 07:32
 

Os casamentos entre direção e comandantes de elenco parecem estar abalados nos times brasileiros este ano, depois de um 2012 marcado por relações estáveis e de confiança ao longo da disputa da Série A. Agora, tudo mudou. Ou, melhor dizendo, voltou ao normal.

A saída de Paulo Autuori do Vasco foi a oitava troca de comando no Campeonato Brasileiro em apenas seis rodadas, média de mais de um técnico por jornada sendo degolado ou pedindo o boné.

Antes dele, Ney Franco (São Paulo), Muricy Ramalho (Santos), Guto Ferreira (Ponte Preta), Vanderlei Luxemburgo (Grêmio), Silas (Náutico), Ricardo Drubscky (Atlético-PR) e Jorginho (Flamengo) haviam deixado suas equipes.

TROCAS DE TÉCNICOS NOS PONTOS CORRIDOS

Ano Trocas até a 6ª rodada Total de trocas
2003 2 36
2004 6 40
2005 4 36
2006 7 28
2007 4 24
2008 9 27
2009 5 25
2010 5 33
2011 4 24
2012 2 18
2013 6 ?

*Números do Datafolha

O número de oito trocas de comando é recorde em seis rodadas do Nacional, segundo números do Datafolha. Até então, o número máximo havia sido em 2006, com sete mudanças na comissão técnica.

A média atual de 1,33 saída de treinador por rodada é bem superior à maior da história no torneio considerando sua disputa integral. No ano de 2004, foram 40 trocas, um total de 0,87 por rodada. O número é o maior da história nas dez edições disputadas nos pontos corridos.

Curiosamente, a baixa estabilidade em 2013 vem seguida justamente depois de uma temporada em que a relação entre os técnicos e os gestores dos clubes parecia estar em completa lua de mel.

O ano de 2012 foi o melhor em termos de manutenção de comando. Foram apenas 18 trocas em 38 rodadas, média de 0,47 saída por jornada. Oito dos 20 clubes permaneceram com o mesmo treinador desde o início do campeonato.

No mesmo momento de agora, a sexta rodada, apenas duas trocas haviam sido feitas pelos clubes da Série A em 2012.

Fluminense, Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Grêmio, Santos, Náutico e Portuguesa não mexeram no comando técnico durante todo o Brasileiro de 2012. Destes, somente os quatro primeiros tem até agora os mesmos técnicos desde a edição passada.

Mais recente desempregado, Autuori parece ter como destino o São Paulo, clube pelo qual conquistou os títulos da Taça Libertadores da América e do Mundial de Clubes da Fifa de 2005.

Mas vai encontrar um momento de instabilidade, vide que desde sua saída, em 2006, o time do Morumbi teve sete técnicos, sendo que seis foram de 2009 até agora. A diretoria explica a dificuldade em se manter treinadores pela falta de resultados.

“No futebol as vitórias e derrotas são o que norteiam. A avaliação do trabalho infelizmente é feita em cima de resultados”, falou o diretor de futebol, Adalberto Batista.



Por outro lado, a Portuguesa passou o Brasileiro de 2012 todo com Geninho no comando, mesmo com o time flertando muitas vezes com a zona de rebaixamento. Este ano, vem repetindo a dose de manutenção e tem Edson Pimenta no cargo, sem trocas.

Um dos motivos da postura de proteção aos treinadores pode ser o fato de o homem forte do futebol do clube ser um ex-treinador e que já passou por isso: Candinho.

“Isso (troca de técnicos) não leva nada, é bem claro. Isso é pra proteger os dirigentes da reta. Os treinadores de renome que são trocados, como Muricy, Luxemburgo, são campeões e ganharam títulos. De uma hora pra outra não servem mais? No momento que grandes treinadores são demitidos muitas vezes a culpa não é deles, mas infelizmente aqui no Brasil isso acontece toda hora”, falou ao UOL Esporte.

“Procuramos manter técnicos e no ano passado mantivemos até o final, a não ser que o treinador sinta que não queira mais ficar. Ano passado ficamos sete jogos empatando e perdendo e não deixamos o Geninho sair. Tem momentos que o time não atravessa uma fase boa, que os jogadores não estão em bom momento e machucados. Isso tudo tem que ser levado em conta”, falou.