Dinamite: "Quero ver o Vasco como historicamente sempre foi"

07/11/2017 às 10h47 - POLÍTICA

Além de ser o maior artilheiro da história do Vasco, Roberto Dinamite também foi o último presidente do clube antes do retorno de Eurico Miranda ao poder. Fora do cenário político nesta eleição, Dinamite não apoiou nenhuma chapa oficialmente e nem sabe se vai até São Januário hoje para votar. Em entrevista, o ex-presidente pediu por mudanças no comando administrativo do clube.

- Eu quero mudanças. Em particular, quero ver o Vasco como historicamente sempre foi. Mais humano, mais igual, com respeito aos associados, aos torcedores e aos ídolos do clube. Na minha gestão, a oposição era bem recebida no clube. Eu espero que isso aconteça novamente. Desejo e espero que o clube seja mais humano novamente.

Roberto foi presidente do Vasco por dois mandatos (2008-2011 e 2012-2014). Sua imagem de ídolo que vestiu a camisa do clube em 955 jogos e que marcou 644 gols ficou um pouco arranhada. Alguns anos depois do último mandato, a lembrança do que fez em campo parece voltar a falar mais alto. E Dinamite admite que se arrepende de não ter deixado o comando do clube em 2011, quando o futebol teve um bom ano, ganhando a Copa do Brasil, perdendo o título brasileiro para o Corinthians na última rodada e saindo nas semifinais da Sul-Americana.

- O meu primeiro mandato foi muito bom. Quem entra encontra uma situação, como eu entrei, e tem que aprender a administrar o problema das gestões anteriores. Se eu tivesse que administrar só do tempo que entrei para frente, seria muito mais fácil. Hoje, eu me arrependo é de não ter saído no primeiro mandato. Havia um acordo de todos se unirem ao fim dessa gestão. Foi um erro de avaliação. Eu aceitei concorrer a reeleição, acabou não dando certo. Mas acredito que deixei coisas boas, o Vasco voltou a ter patrocínio depois de 10 anos, por exemplo.

Roberto também pediu por uma eleição em paz, sem truculência e confusões como aconteceu em outras vezes e falou sobre o panorama da disputa atual:

- A eleição está aí. Eu acho que o sócio tem que escolher o melhor para o Vasco. Acredito que o a instituição precisa de uma reformulação, um caminho melhor do que vem sendo trilhado. Espero que seja uma boa eleição, sem confusão, sem truculência. Que o associado que apoie candidato A, B ou C possa chegar tranquilamente, sem truculência. Existem duas chapas de oposição ao Eurico. O Horta eu não sei se muda muito, até pouco tempo muitos nomes estavam na situação. O Julio Brant é outro perfil. Mais jovem, com apoio de ex-jogadores que são ídolos do clube. Só torço para que o associado possa votar com tranquilidade. O Vasco é maior que todos os candidatos.

A presença do ex-presidente em São Januário para votar hoje é incerta. Nem o próprio Dinamite sabe se vai ao clube depositar seu voto nas urnas.

- Ainda não decidi. Eu coloco a instituição acima de qualquer coisa. Acima de qualquer presidente, jogador, até do próprio Roberto Dinamite. Eu hoje não vou ao Vasco para evitar de me chatear. Existem pessoas que gostam do atual presidente, outras que gostam do Roberto e isso causa confusão quando vou ao Vasco. Prefiro ficar mais distante. Na minha opinião, o Vasco precisa de novos ares e de mudança. O clube precisa de um sangue novo, os mais jovens merecem essa oportunidades.

Na Chapa Sempre Vasco Livre, encabeçada por Julio Brant, muitos ídolos do campo estão envolvidos com a política e podem ter alguma atuação no clube caso ela seja eleita. Edmundo, Felipe e Pedrinho são os principais. Perguntado se gostaria de dar um conselho a esses jogadores, já que viveu os dois lados, Dinamite deu sua opinião:

- Eu acredito que administração tem que ser profissional. Na área de finanças, devem ter profissionais formados na área. No marketing, a mesma coisa. Mas os ídolos merecem e devem ter espaço no clube. Eu tentei e gostaria de ter feito mais pelos ídolos. Esses jogadores foram importantes para o Vasco dentro e fora de campo, podem contribuir com o clube e devem ser bem tratados. Quem tem identificação com o clube merece ser tratado como ídolo e não como adversário.

Fonte: Gaucha ZH