Erazo fala sobre apelido, momento vivido no Vasco e muito mais

13/03/2018 às 13h32 - FUTEBOL

Até quando é ruim, é boa. A frase normalmente se refere à pizza. Mas também pode ser sobre a experiência de Erazo. Em meio ao inferno astral de sua chegada ao Flamengo, em 2014, o equatoriano muitas vezes treinava com as categorias de base e, assim, conheceu Zé Ricardo. Hoje ele é o seu comandante na equipe do Vasco que enfrenta a Universidad de Chile, pela primeira rodada da fase de grupos da Libertadores.

Mas e a pizza? Ela era o refúgio de Erazo no início da sua trajetória no Brasil. Agora, quatro anos e três clubes depois, o zagueiro garante sentir-se em casa, depois de superar algumas barreiras. O idioma, a principal delas.

Erazo disputa sua quarta Libertadores – uma pelo Barcelona de Guayaquil e duas pelo Atlético-MG – e comemora o bom momento depois de um 2017 complicado por causa de uma lesão no joelho. Agora, com 10 quilos a menos e longe da pizza.

- Precisei perder peso para aliviar o joelho, mas ganhei força e massa muscular. Passei a ter uma alimentação equilibrada, principalmente depois de aprender o português e não precisar pedir pizza o tempo todo – brinca.

Confira os principais trechos da entrevista exclusiva com Erazo:

Momento

Estou me sentindo muito bem. Estou num clube com tradição, camisa e títulos. É ótimo para a minha carreira também voltar ao Rio, cidade que gosto pra caramba. Tenho uma nova oportunidade de mostrar meu futebol depois da lesão que tive ano passado. No Vasco, saíram algumas peças importantes do ano passado. O time está se conhecendo bem, está com ótima harmonia nos treinos. O treinador é muito bom também. Aos poucos estou me acostumando ao esquema, ao time e aos companheiros. Tudo isso facilita para continuar crescendo com os jogos.

Apelido de “Elegante”

Surgiu no Equador em 2012. Acho que foi pelas minhas características, de sair jogando, a forma como me expresso... Acho que também pela forma de me vestir. Dizem que é elegante. Aí o jornalista colocou o apelido e ficou. Hoje no Equador ninguém me chama pelo meu nome. Chego lá e me chamam pelo apelido.

Liderança

É uma característica. Você se sente à vontade, e o treinador e seus companheiros dão confiança, você assume a liderança. Além disso, ali atrás no campo é possível assistir tudo. Deixei claro que vim para ajudar, não quero atrapalhar ninguém. Você pode ir mal num lance, errar faz parte. Mas quando você não dá o máximo, aí é um problema.

Libertadores

Maior experiência que posso passar para equipe é da minha primeira Libertadores (2013). Fomos bem no primeiro jogo da fase de grupos e achamos que já estávamos classificados. E, de uma hora para outra, estávamos eliminados. Mas na fase de grupos, até o último jogo você não sabe se está classificado. Na Libertadores você não pode relaxar, são jogos em que não pode levar gol em casa, tem que ser agressivo na marcação, tem que ter muita concentração. Vontade, nem se fala. Você já tem que entrar motivado. São coisas que eu posso transmitir para a minha equipe.

Experiência no Flamengo

Saí do meu país com aquela vontade de triunfar no exterior. Queria mostrar por que tinha chegado a um clube como o Flamengo. Queria mostrar meu futebol e ser embaixador do futebol do meu país. No primeiro treino, tomei uma batida na cabeça e levei 12 pontos. Estava tudo dando errado, e não entendia absolutamente nada da língua. Um zagueiro tem que se comunicar toda hora, falar “aqui, tá indo, cuidado, ladrão”, e eu não conseguia falar absolutamente nada. No primeiro jogo levei dois cartões amarelos e fui expulso.

Pizza

Naquela época eu só comia pizza. Não sabia pedir outra coisa, minha família não estava comigo. Saía do treino e pedia uma pizza, que é igual em espanhol e em português (risos). Não vou botar a culpa do meu rendimento na pizza, mas os atletas de alto rendimento precisam de uma ótima alimentação para render o máximo. Foi uma época difícil, mas ficou como experiência. O melhor que posso levar daquela época é que fiz grandes amigos, aprendi a língua, tive paciência. Agora estou muito mais adaptado ao Brasil.

Problemas com a língua

No início, pesou pra caramba, porque é importante ter ótima comunicação. Futebol hoje não é só bola no pé. Tem que saber se comunicar com quem está do seu lado. Foi difícil no começo me relacionar com os companheiros. Gosto de conhecer, saber com quem estou contando, quem vai me ajudar no momento ruim.

Também me perdi muitas vezes. Morava num apartamento pequeno na Barra, descia e pedia a pizza. Para ir ao treino tinha alguém que me sempre me buscava, mas eu não me arriscava pra dar um rolé na praia. Para mim era tudo desconhecido. Não sabia como chegar aos lugares, nem como pedir um táxi. Ficava direto no meu apartamento vendo filme, e quando via os programas de futebol, tirava o som.

Lições

São experiências que ficam, e hoje quando chega um estrangeiro no clube, procuro ajudar. Foi uma época bastante difícil, mas importante na minha carreira. Aqui no Brasil as pessoas não têm muita paciência. Tem que botar a camisa e ser o melhor do mundo. Todo mundo gostaria que fosse assim, mas por trás disso tem um processo e uma pessoa.

Inspirações

Estudo bastante. Gosto de me inspirar em outros atletas como Maldini, Passarella... jogadores que jogaram lá atrás na minha posição. Vontade, raça e liderança são coisas que tento transmitir para mim. Quando estava machucado ficava assistindo e dizia: isso eu ainda não consigo fazer. Depois da recuperação pratiquei muito nos treinamentos, mas são coisas que vamos adotando aos poucos.

Fonte: GloboEsporte.com