Eurico x Brant: Urna suspeita decidirá eleição na Justiça

08/11/2017 às 08h07 - POLÍTICA

No "pleito regular", o candidato de oposição Julio Brant bateu Eurico Miranda na eleição do Vasco. Porém, uma "urna da discórdia" levará a votação para a Justiça.

No "baú da discórdia", Eurico ganhou amplamente: foram 428 votos contra os 42 de Julio Brant, além dos 4 de Fernando Horta, que abriu mão de sua candidatura em nome da de Julio.  No entanto, decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou que se o vencedor não tivesse uma margem de votos superior ao número de sócios em situação possivelmente irregular, estes seriam analisados em juízo.

"No caso de a chapa vencedora obtiver margem de votos superior aos colhidos na urna em separado, os votos acautelados poderão ser descartados e promulgado o resultado da eleição; No caso de a chapa vencedora obtiver margem de votos inferior aos colhidos na urna em separado, a mesma deverá ser lacrada e entregue ao responsável nominado por este Juízo", escreveu em seu despacho a desembargadora Marcia Ferreira Alvarenga, da 17ª Câmara Cível do TJ-RJ.

Nas outras seis urnas "regulares", Brant alcançou uma vitória por 1933 a 1683, diferença insuficiente para dar por encerrado o disputado pleito ocorrido no ginásio de São Januário.  Ao final da contagem, as duas chapas deixaram o ginásio cantando vitória.

Julio, por exemplo, deixou clara sua indignação sobre a "urna da discórdia":

"Todas as urnas foram parelhas. Foi uma disputa bonita, democrática e, nas urnas limpas, vencemos quase todas elas. Não é razoável uma urna separada. Esperamos agora que o resultado natural seja ratificado na Justiça e o Vasco comece uma nova história". Perguntado se o via como o novo presidente do clube, a reposta foi taxativa. "Sem dúvida. Não só eu como a maioria dos sócios".

Eurico Miranda, por outro lado, manteve o jeito provocativo. Após se declarar reeleito, o dirigente debochou.

"Algum dia considerei ele meu adversário? Tem de comer muito angu para ser meu adversário", disse.

O presidente da Assembleia Geral, Itamar Ribeiro de Carvalho, publicou documento no site oficial dando a vitória a Eurico Miranda, mas advogados de Brant desconsideraram, alegando que a eleição não teve resultado homologado. 

Os 474 sócios que votaram na "urna da discórdia" ingressaram de forma maciça no fim de 2015, antes do encerramento da categoria "sócio-geral", plano mais barato que dava direito a voto.

A votação, que se iniciou às 9h, terminou às 22h e apuração só se encerrou por volta das 3h. Brant e Campello deixaram o ginásio bastante hostilizados pelos aliados de Eurico e dezenas de torcedores que apoiam Miranda invadiram a quadra. 

Opositores se unem 

Vendo que não teria chances de vencer a disputa, o candidato Fernando Horta abriu mão da candidatura por volta das 15h30. Ele se pronunciou alegando que o principal objetivo seria destronar Eurico Miranda e, em seguida, que pediu que seus votos migrassem para Julio Brant.

"O importante é tirar a família Miranda do Vasco. Para os que vinham votar em mim, que venham agora e votem no Brant", declarou Horta.

Os militantes da chapa "Mudança com Segurança" agora se vestem e se auto-adesivam com as cores da "Frente Sempre Vasco Livre", de Julio e Alexandre Campello.

A aliança começou a ser costurada nos corredores de São Januário após saírem as primeiras parciais das urnas. Tão logo ficou sabendo, Eurico Miranda procurou a imprensa para criticar a ação, mas seguiu otimista na vitória.

Valdir Bigode é hostilizado e clima esquenta

Tão logo se encerrou a votação na eleição do Vasco, o clima esquentou na entrada principal de São Januário. O ex-atacante e auxiliar-técnico Valdir Bigode, apoiador declarado de Eurico Miranda, tentou entrar pelo portão principal que já estava fechado e passou a ser hostilizado por militantes de Julio Brant, que estão em ampla maioria do lado de fora.

Eles xingavam o ex-jogador e gritavam o nome de Edmundo, que apoia o candidato deles. Os seguranças e fiscais impediram a entrada de Valdir após o término do pleito - assim como estavam fazendo com qualquer outra pessoa que tentasse ingressar - e o ex-artilheiro cruzmaltino se enfureceu.

Com o dedo em riste para o fiscal de Brant, Bigode declarou:

"Vou sair por aqui, mas se acontecer qualquer coisa comigo eu vou até o fim da vida atrás de você".

Em seguida, o atual auxiliar técnico de Zé Ricardo voltou cercado de seguranças em busca do desafeto. A chapa de Eurico Miranda, a qual Valdir apoia, exige a saída de Faues Mussa Jussa, envolvido na confusão e que não poderia estar no local.

A eleição entrou agora em processo de apuração dos votos. Nas pesquisas de boca de urna, Eurico e Brant estão tecnicamente empatados.

Representantes de chapas quase brigam em contagem de votos

Uma briga quase tomou conta da contagem dos votos de uma das urnas. Ricardo Vasconcelos, assessor da presidência e que apoia Eurico Miranda, se desentendeu com Fred Lopes, ex-vice de patrimônio da gestão Roberto Dinamite. Eles foram contidos pela 'turma do deixa disso'.

Edmundo é ovacionado e hostilizado

Em sua chegada, Edmundo teve um forte aparato de segurança por homens da chapa "Frente Sempre Vasco Livre". O ex-atacante foi bastante tietado, mas também hostilizado por apoiadores de Eurico Miranda. Ele encarou a situação com naturalidade.

"Aconteceu lá foram alguns xingamentos, hostilidades, mas não tem problema. Era algo já esperado. Isso vai acabar e vou poder voltar a São Januário com tranquilidade", disse, demonstrando confiança na vitória do Brant.

Panfletagem e corpo a corpo do lado de fora

A eleição presidencial do Vasco, que se iniciou pontualmente às 9h, teve um começo tranquilo. A rua General Almério de Moura, onde se situa o portão principal, foi tomada por panfletagens, bandeiras e muita boca de urna. Trios elétricos tocavam sambas-enredos dos candidatos. Os oposicionistas Fernando Horta e Julio Brant chegaram cedo e foram um dos primeiros a votar.

Filhos do atual presidente Eurico Miranda, Álvaro e Eurico Brandão, gerente da base e vice de futebol respectivamente, foram para o corpo a corpo com os eleitores e também ajudavam na logística do pleito.

Brant, seu vice Alexandre Campello, e Horta também conversaram com os sócios em clima amistoso.

Fonte: UOL Esporte