Ex-Vasco, Léo Lima atuará no Madureira no Estadual

02/01/2018 às 08h16 - FUTEBOL

Na capital do Subúrbio carioca, Léo Lima se sente em casa. Revelado nas categorias de base do Madureira, o meia de 35 anos encontrou no primeiro clube o abraço fraterno para se reerguer. Não em campo, mas emocionalmente. Há cinco meses, o jogador perdeu a mulher, Nathalia Solano, de 33 anos, vítima de um câncer no estômago. Foi um duro golpe na vida do atleta e dos pequenos Ana Sophia, de 11 anos, e Pedro, de 5. Mas quis o destino colocar o Tricolor Suburbano como ponte para o seu renascimento.

– É difícil... – diz, enquanto respira fundo – Coisas acontecem na vida. Mas lidei bem com isso, passou, aconteceu... Vou levando a vida e meus filhos estão bem. Tenho conseguido me concentrar, porque ainda tenho disposição para jogar e muito para queimar.

Em casa, as lembranças de Nathalia estão em fotografias e na memória. As coisas físicas não estão mais presentes, porque a família preferiu não manter. Com a ajuda da mãe, da sogra e de uma babá, Léo Lima dá continuidade ao dia a dia com as crianças, que adoram futebol e vê-lo jogar. A promessa é que na estreia do Madureira no Campeonato Estadual de 2018, no dia 17, na casa do clube, em Conselheiro Galvão, a dupla vai entrar em campo com o pai coruja.

– Eles gostam muito e vou levar eles na estreia. Ainda mais nessa minha volta ao Madureira. É gratificante. Passa um filme, porque foi onde tudo começou, eu ainda jovem – relembra. – Fui para o futsal, depois, aos 15 anos, parei no campo. Fiz amigos de verdade nessa época, joguei bem e o Vasco me comprou depois.

A proposta para voltar surgiu ainda em 2016, mas Léo Lima já estava acertado com outra equipe. Nessa temporada, vestiu a camisa do Santa Cruz, que foi rebaixado à Série B do Brasileiro, e foi chamado novamente pelo diretor de futebol do Madureira, Luiz Claudio, e não pensou duas vezes em aceitar.

– Eu aceitei assim que ele me convidou no fim do ano. Não jogo um Estadual desde 2009, quase dez anos... Estou bem, treinando normalmente. Mas senti uma fisgada no posterior da coxa direita, uma lesão de grau 1, mas não abriu nada. Comecei o tratamento logo que senti, então estou recuperado. E não sou dúvida para estreia não (risos) – diz.

PARCERIA COM SOUZA

Com a camisa grená, amarela e azul, Léo Lima reencontrou um velho amigo: Souza "Caveirão". Juntos, eles começaram na base do Madureira e chegaram a vestir a camisa de outros clubes, como Vasco, Flamengo e Marítimo. A relação em campo é mantida fora dele, e o meia ficou feliz de poder reencontrar o seu irmão, como gosta de tratar o atacante.

– É amizade de irmão. Sempre fomos muito próximos. A maioria das coisas a gente fazia junto. Não tem como não estar feliz. Mesmo antes de eu voltar ao Madureira, a gente sempre se falava , se encontrava na praia, jogava futevôlei. Souza é meu irmão – afirma.

O contrato com o Madura vai até o fim do Campeonato Estadual, mas o meia não descarta ficar no clube por mais tempo. Até porque, mesmo prestes a completar 36 anos no dia 14 de janeiro, o carioca vê a aposentadoria ainda longe.

– Quero fazer um bom campeonato e, quem sabe, continuar aqui. O Madureira tem um bom projeto, uma boa estrutura, os dirigentes são corretos e o time merece estar na Série B do Brasileiro. Cada clube que disputa a Segunda Divisão aí, o Madureira merece estar lá – analisa o meia. – Não bebo, não fumo, tenho cabeça boa, com certeza vou jogar mais uns três ou quatro anos.

E por falar em aposentadoria, Léo Lima torce para um velho amigo também conseguir o seu espaço no futebol: Adriano Imperador. O meia afirma que o atacante, que não entra em campo desde maio de 2016, tem vaga em qualquer time.

– O Adriano tem vaga em qualquer time, sempre foi um talento. Jogamos desde moleque, sempre contra, ele no Flamengo e eu no Madureira, só jogamos juntos na seleção. Ele joga onde quiser, no Flamengo, no Vasco, na Europa. Com certeza tem espaço, falta oportunidade e ele querer – diz.

Fonte: Extra