Forma como dinheiro da venda de Coutinho será usada vira incógnita no Vasco

07/01/2018 às 08h03 - CLUBE

Vendido há uma década por € 3,8 milhões (R$ 9,5 milhões na cotação da época), Philippe Coutinho volta a ser assunto no Vasco. E, mais uma vez, num contexto marcado por disputa política, brigas judiciais e indefinições. O clube carioca tem direito a 2,5% destes € 160 milhões — ou seja, cerca de R$ 15,5 milhões — devido ao mecanismo de solidariedade da Fifa, que premia os formadores dos jogadores. Mas quem receberá este dinheiro e o que acontecerá com ele é uma grande incógnita.

Com os votos da urna 7 invalidados devido a uma decisão judicial, Júlio Brant é, atualmente, o vencedor do pleito realizado em novembro. Caso nada mude, ele assumirá o clube no próximo dia 17. Mas o possível presidente cruz-maltino não sabe se contará com este dinheiro.

Pelas regras do mecanismo de solidariedade, o Barcelona tem até 30 dias após o registro de Philippe Coutinho para realizar a transferência do dinheiro. Com isso, a quantia pode cair tanto durante os últimos dias do mandato de Eurico quanto na nova gestão. Como contesta a decisão judicial que invalidou a urna 7, o atual presidente se recusa a dialogar com o seu possível sucessor.

— A venda do Coutinho foi realizada ainda na gestão do Eurico Miranda. Infelizmente, não existe transição e diálogo pelo lado deles conosco. Por isso, fica impossível opinar sobre o futuro dessa receita — disse Brant.

Mesmo que o dinheiro seja depositado após o dia 16, a chapa vencedora ainda teme que a atual gestão antecipe este valor em forma de empréstimo bancário ou até reconhecimento de dívida com outros credores. Certo apenas é que o dinheiro seria bem-vindo, já que o clube atravessa um momento de crise financeira, inclusive com salários atrasados. A quantia oriunda da venda de Coutinho já estava prevista no orçamento para 2018, aprovado em dezembro e que conta com R$ 18 milhões vindos justamente do mecanismo de solidariedade da Fifa.

— Essa receita extra será maior que qualquer patrocínio obtido pela atual diretoria nos últimos três anos — atesta Julio Brant.

Philippe Coutinho atrai o interesse dos grandes clubes europeus desde as categorias de base. Em 2008, quando o jogador ainda era menor de idade, Eurico Miranda chegou a denunciar o Real Madrid à Fifa por aliciamento. Naquele período, o clube também vivia um período de turbulência política. A última eleição, realizada em 2006, foi anulada pela Justiça. O então presidente recusou-se a participar do novo pleito, vencido por Roberto Dinamite. Antes de deixar o cargo, ele acertou a venda da joia para a Inter de Milão. Segundo ele, o pai e o agente do meia condicionaram a renovação do contrato com o Vasco ao aval à transação com os italianos, que só poderia ser concretizada em 2010, quando o atleta atingisse a maioridade. A venda foi bastante questionada.

Fonte: UOL Esportes