Jogador do Bota que levou dancinha de Edmundo relembra o fato

Em 28/04/2012 16:18
 

Quando se fala do clássico entre Botafogo e Vasco, Gonçalves é um dos personagens mais importantes pelo lado do time da estrela solitária. Nos anos 90, o jogador foi referência na zaga do Glorioso. Um ídolo da torcida que até hoje é lembrado nos momentos decisivos. Seja pelo estilo firme de seu jogo, pela \"rebolada\" de Edmundo na final de 1997 ou por sua cabeleira vasta, o ex-zagueiro está no coração dos torcedores e na história do Botafogo.

Contratado junto ao Flamengo, o zagueiro se firmou no Glorioso, onde conquistou o Campeonato Carioca de 1990 e também em 1997, o Brasileiro de 1995 e o Rio-SP de 98. Nos dois estaduais, levantou o troféu contra o Vasco. Um adversário que para ele, é especial.

- Nos clássicos regionais os jogadores sempre têm uma preferência por um adversário. O meu era o Vasco. Sempre fiz bons jogos contra eles - revela Gonçalves.

O ex-zagueiro contou que o clássico diante dos cruz-maltinos sempre teve um valor a mais em sua família.

- Meu pai é vascaíno. Foi ele quem mais incentivou a minha carreira. Os jogos contra o Vasco sempre mexiam com a emoção da nossa família – conta com orgulho do patriarca, Seu Orlando, de 72 anos.

Gonçalves, que leva vantagem no histórico sobre o rival, diz que o título de 1990 foi mais especial, pois vinha de um momento ruim no Flamengo. No Carioca de 89, ele marcou um gol contra no empate por 3 a 3 com o próprio Botafogo, que se sagrou campeão naquele ano, quebrando um jejum de 21 anos sem taças.

- Para mim, o título de 90 foi o mais importante, pois foi a conquista da minha afirmação depois de um ano ruim no Flamengo. Esse título me deu confiança, elevou minha auto-estima. Fiquei mais seguro e pude seguir para o futebol mexicano confiante no meu futebol - conta ele, que se transferiu para o UAG Tecos ainda em 90, ficando até 95. No exterior, ele conquistou o Campeonato Mexicano 93/94.

TÍTULO DE 97: ELOGIO A JOEL SANTANA

Da conquista de 97, Gonçalves também guarda boas recordações. Ele fala com orgulho e emoção do gol do título da Taça Guanabara diante do próprio Vasco, marcado aos 32 minutos do segundo tempo, no Maracanã com quase 90 mil torcedores. De acordo com o ex-zagueiro, essa conquista serviu para afirmar o Alvinegro como time vencedor no período pós-título brasileiro de 1995.

Gonçalves faz elogios a união do time e, principalmente, ao personagem que ele chama de “grande comandante”.

- O Joel Santana montou um time equilibrado e unido. Por isso, fomos brilhantes. Ele já era um vencedor e mais uma vez mostrou toda a sua capacidade como treinador - elogia.

Um fato entre Botafogo e Vasco ficou gravado. A dança de Edmundo, num lance com o próprio Gonçalves. Para quem pensa que ficou qualquer tipo de mágoa do ídolo do Vasco, ele esclarece:

- Não teve problema algum, pelo contrário, considero que ele até nos ajudou. Vínhamos da conquista dos dois primeiros turnos e nosso time estava relaxando um pouco e aquilo serviu para nos acordar. Acendemos novamente e no outro jogo o Dimba fez o gol que nos deu o título – disse, e continua nas suas lembranças.

- Edmundo e eu éramos amigos na Seleção, acredito que ele quis me desestabilizar, provocar uma reação mais raivosa da minha parte para eu ser expulso e prejudicar o nosso time para a próxima partida. Mas mantive a calma e isso só nos trouxe benefícios - afirmou.

BOTAFOGO ATUAL E PALPITE PARA DOMINGO

Atualmente o ex-zagueiro, de 46 anos, é comentarista esportivo de um canal de televisão no Rio de Janeiro. Ídolo da torcida botafoguense ele continua acompanhando o time por quem teve tantos dias de lutas e glórias.

- Tenho acompanhado o trabalho do Oswaldo, que é um treinador experiente e vencedor. É difícil montar um time no início da temporada. Por mais que a torcida cobre, é preciso dar tempo para trabalhar. O time está invicto e o trabalho está sendo bem feito - disse.

Apesar da boa fase, Gonçalves acredita que a equipe alvinegra carece de reforços para o restante da temporada. Na sua opinião, a falta de um elenco com mais opções de qualidade foi o que desequilibrou o time na reta de chegada do Brasileirão de 2011.

- Com bons reforços é possível lutar por títulos importantes. A continuidade no trabalho é tudo. O Corinthians em 2011 é um exemplo. Eliminados na Libertadores, no Paulista, eles mantiveram o Tite e o resultado foi o título do Campeonato Brasileiro - opinou.

Para a final deste domingo, Gonçalves aposta no equilíbrio. Diz ainda, que vai estar na torcida por seu Alvinegro. Ele arrisca até um placar de 2 a 1 para o Botafogo. Se der empate, ele confia na segurança de Jefferson nas cobranças de pênaltis.

Destaque da semifinal contra o Bangu, Loco Abreu conta com a simpatia do antigo ídolo. Para Gonçalves, o uruguaio é uma referência dentro e fora do campo. E pode, mais uma vez ser decisivo.

- Confio muito no trabalho e na capacidade dele. É um ídolo - encerra.

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