Juniores: Jordi, destaque na Taça BH, atribui a Dorival campanha da base

Em 31/08/2013 07:45
 
Goleiro Jordi pegou 3 pênaltis na Taça BH Goleiro Jordi pegou 3 pênaltis na Taça BH
Foto: Marcelo Sadio/site do Vasco

 A inspiração para jovens goleiros no Vasco vem do passado. Mas um passado que está presente no dia a dia e olha pelo futuro dos garotos. Com Carlos Germano como preparador de goleiros dos profissionais e conselheiro da garotada, Jordi deixou temporariamente os profissionais há cerca de um mês para se tornar um dos principais destaques do Vasco na Taça Belo Horizonte. Neste sábado, às 13h, o Vasco faz a final contra o Vitória, depois de eliminar potências da competição, como Santos e Fluminense, além de um clube que faz bom trabalho na base, como o América-MG. Nas mãos do goleiro de 19 anos, de 1,91m, nascido em Volta Redonda, estão as esperanças de um título nacional na base, o que não vem desde 1992 - quando a geração de Valdir, Jardel e Pimentel venceu a Copa São Paulo de Juniores -, e outra expectativa ainda maior: que ele supere um tabu que está próximo de completar 10 anos. Desde 2004, com a saída de Fabio para o Cruzeiro, que o Vasco não tem um goleiro revelado em São Januário como titular do gol vascaíno.

O caminho ainda é longo, como sabe o jovem Jordi, que ainda evolui e aprimora uma técnica que o ajudou muito na Taça BH ao defender três pênaltis decisivos - um contra o América, nas quartas de final, e mais dois na decisão de pênaltis contra o Fluminense. Se a há muito chão pela frente, ao menos Jordi parece agora estar mais seguro. Assim que voltar da Taça BH, ele vai assinar um novo contrato com o Vasco. O atual vínculo termina no fim de fevereiro, mas os empresários do garoto sentaram-se com Ricardo Gomes e já definiram todos valores para a renovação por mais três anos com o Vasco.

Em entrevista na véspera da final da Taça BH, o goleiro, que defendeu o Vasco às 13h, em Sete Lagoas, surpreende ao falar que o técnico do profissional Dorival Júnior trouxe outra motivação para a garotada dos juniores. O treinador promove constantemente treinamentos coletivos entre profissionais e juniores. Jordi também se aproveitou das dicas de Juninho para virar um verdadeiro pegador de pênaltis.

Confira na íntegra a conversa com o goleiro do time sub-20 do Vasco.

GLOBOESPORTE.COM: Você sempre foi um pegador de pênaltis, como vem sendo nessa Taça BH? Ou você desenvolveu a técnica recentemente?

Jordi: Venho pegando pênaltis desde um tempinho atrás. Peguei muitas dicas com Carlos Germano (ex-goleiro e preparador dos profissionais), com o Juninho e com o Marcelo Pires (preparador dos juniores). Eles me passaram muita coisa de como funciona na hora da penalidade e fui tentando fazer como me ensinaram até conseguir melhorar (em pegar pênaltis). Juninho me fala muito da batida do jogador, de como é na hora, para onde o cara olha. Diz também que sempre espera o goleiro cair para depois bater. O Germano também, antes da viagem, me chamou no canto e disse para eu ficar posicionado, esperar o máximo que puder a cobrança e depois ir na bola. E nessa campanha, graças a Deus, fui bem feliz nas cobranças.

 

 Você está no Vasco desde os 16 anos, está com 19 hoje e deve saber que há um bom tempo um goleiro da base não é titular em São Januário. Desde o Fabio em 2004. E antes era Helton e Carlos Germano. Pensa muito nisso?

Vim para o Vasco com esse pensamento, pensando em quebrar esse tabu. O Vasco não tem formado goleiro nos últimos tempos. Mas tenho me dedicado muito, treinado bastante, me cobrado também e venho crescendo. Fui convocado para a seleção, onde também cresci bastante, recebi propostas de times de fora, mas resolvi focar no Vasco. Quero quebrar esse tabu. O Germano sempre conversa comigo e diz que tenho que estar preparado em qualquer momento. E nessa competição peguei três pênaltis, chegamos na final. Está dando tudo certo. Minha cabeça é de voltar para a seleção e ficar no profissional até chegar minha vez.

Por falar em propostas, você tem contrato até 25 de fevereiro, certo?

Sim, mas renovei por três anos com o Vasco. Já está tudo certo. Os valores estão definidos, tudo direitinho. Quando voltar da Taça BH, assino. É um alívio, porque mostra que estou sendo observado, valorizado, o que me ajuda dentro e fora de campo.

Carlos Germano disse, recentemente, que era para você ser o terceiro goleiro do Vasco já esse ano. Mas acabou que veio o Michel Alves e você hoje ainda é o quarto goleiro do profissional. Isso o desanimou?

Não, o Germano conversou comigo quando fui para a seleção. Disse que assim que voltasse da seleção que eu seria o terceiro goleiro, com a saída do Fernando Prass. Só que o René (Simões, ex-diretor de futebol do Vasco) queria cobrir a saída do Prass com um goleiro mais experiente. Éramos só eu, o Alessandro e o Diogo, que somos mais novos. Mas sou novo ainda, goleiro é normal demorar mais tempo para ser revelado.

Quais seus ídolos, suas referências na posição?

Dizem que a minha forma de ser no gol, meu jeito de agarrar, meu estilo, se parece com o Helton, que é um goleiro que gosto muito. Sou fã também do Julio Cesar, outro excelente goleiro. Mas quero fazer meu próprio estilo.

Como é esse estilo, mais calmo, mais esquentado?

Sou um pouco mais esquentado dentro de campo com os companheiros. Como sou um dos mais velhos tenho que dar uns gritos para deixar todo mundo ligado, passar experiência. Procuro fazer meu papel de capitão lá dentro do campo.

O Vasco fez alguns campeonatos ruins com os juniores este ano. E agora cresceu nessa competição. Já para dizer que melhorou muito a ida para Itaguaí?

Lá, para nós, a estrutura é muito importante. Todos nós crescemos bastante. São cinco campos, um deles oficial. Com alimentação boa, excelentes quartos, cozinheira, melhorias para todos, do mirim aos juniores. Antes havia muitos problemas. Não tínhamos direito local para treinos. O campo que treinávamos em Caxias era muito ruim, não tinha ônibus direito, a gente mal se alimentava, a concentração era muito ruim. Mas agora, ainda bem, é outro nível.

Esse grupo vinha sendo criticado. Qual foi o espírito desse grupo para chegar na final?

O Vasco cresceu muito nesse tempo. E chegamos na final por um motivo: graças ao técnico Dorival Júnior. Há quatro anos que estou no Vasco e nenhum técnico tinha observado os jogadores da base como ele faz. Nos últimos tempos o clube revelou poucos jogadores, até porque não olhavam muito para a gente na base. Mas o Dorival chama a gente para jogar contra o profissional. E todos começaram a crescer quando viram que podia pintar uma oportunidade, como aconteceu com Henrique (lateral) e Jomar (zagueiro). Estamos quebrando barreiras.

Por falar em quebrar barreiras, vocês passaram pelo Fluminense, que é um bicho papão da base hoje em dia.

Pois é. Dentro de campo a gente não parava de pensar: "Já deu de Fluminense, temos que ganhar". Porque eles chegam em todas as competições. A gente estava um pouco nervoso, cansado. Mas graças a Deus conseguimos ganhar deles. Agora, contra o Vitória, é outro que tem base surpreendente, que chega em tudo, foi campeão da Copa do Brasil sub-20. Vai ser um jogo bem complicado.

E como é a participação do Mauro Galvão, diretor, e do Sorato, treinador de vocês?

Eles trataram melhor a base, contrataram jogadores, trouxeram uma zaga nova, um lateral novo. Isso ajudou bastante o nosso time. Hoje nós temos treinador. Isso fez com que o grupo crescesse.