Mateus Vital foi um dos jovens alocados no projeto 'Promove'

12/09/2017 às 08h17 - FUTEBOL

Herói do Vasco no fim de semana, o jovem Mateus Vital, de 19 anos, teve uma trajetória difícil na vida até chegar ao seu primeiro gol como profissional no último sábado, na vitória por 1 a 0 sobre o Grêmio. O meia, que ainda é chamado pelo apelido de "Pet" por companheiros e funcionários do clube, presenciou a morte da mãe quando tinha apenas nove anos de idade.

A tragédia aconteceu em 2007, na volta para casa após um treinamento do futsal, e foi resultado de uma tentativa de assalto na Zona Norte do Rio de Janeiro. Além de Vital, estavam no carro seu pai, um irmão e um amigo, que não se feriram. Mateus já era do Vasco, onde chegou com 5 anos.

Quando a mãe de Mateus deixou o carro para argumentar com os bandidos, a aproximação de uma viatura policial acabou por resultar em uma troca de tiros. No meio da confusão, ela foi atingida por uma bala e não resistiu aos ferimentos.

Apesar de todo o sofrimento da família, Vital foi forte e não pensou em desistir do sonho de ser jogador de futebol por achar que a mãe não gostaria de saber desta opção.

Em sua conta no Instagram, o meia postou uma foto onde demonstra toda a saudade que sente dela (veja abaixo).

Se eu pudesse eu voltaria atrás E te beijaria muito mais Mãe, ouviria mais os teus conselhos Sinto tanta falta do teu cheiro De acariciar os teus cabelos Mas aprouve a Deus te colher Minha esperança é que na eternidade eu vou te ver... #Mãeamoreternos2

O trauma não impediu Mateus de seguir sua caminhada na base. O jovem sempre foi visto como uma promessa, até que em 2015 recebeu do então técnico Jorginho a primeira oportunidade de atuar no profissional. A situação, porém, foi mais uma vez bem longe de ser das mais fáceis. Ele entrou na última rodada daquele Campeonato Brasileiro, contra o Coritiba, fora de casa, e o Vasco precisava vencer e depender de outros resultados para evitar a queda, algo que não aconteceu. O 0 a 0 e foi rebaixada para a Série B pela terceira vez em sua história.

A estreia em uma partida negativamente marcante, apesar de tudo, deixou uma boa impressão. Mesmo atuando fora de sua posição, como volante, Mateus impressionou. A trajetória no profissional, marcada por altos e baixos, voltou a ganhar destaque somente neste ano, quando ele passou a ganhar espaço na "era Milton Mendes". 

De volta à meia, sua posição de origem, ele virou titular e, aos poucos, conseguiu se destacar no Campeonato Brasileiro. O gol do último sábado, o primeiro da carreira como profissional, trouxe alívio e coroou toda uma luta de vida.

"Eu estava muito ansioso. Espero que seja o primeiro de muitos. Estou mais leve, tranquilo. O Ramon (lateral esquerdo) me cobrava toda vez na concentração. Que o Corinthians (adversário de domingo) seja a próxima vítima", disse o jogador, que tem 26 partidas como profissional.

Hoje, inclusive, Mateus tem a responsabilidade de vestir a camisa 10 histórica do Vasco, que desde 2015 era utilizada por Nenê. Desde o afastamento do veterano, que brigou com Milton Mendes e a diretoria e esteve perto de deixar o clube, é o jovem meia quem ostenta a numeração - Nenê acabou ficando com a 11.

Difícil de se desfazer do apelido

Mateus hoje é chamado pela imprensa de Vital, mas cresceu no Vasco como Mateus Pet. O apelido foi dado ainda em seus primeiros passos na base. Um treinador achava seu estilo muito parecido com o do sérvio Petkovic e a brincadeira pegou. No profissional, foi ele mesmo que decidiu ser chamado pelo sobrenome de batismo, até para evitar comparações com o ex-jogador, muito identificado com o rival Flamengo.

No dia a dia de São Januário, porém, ainda é difícil para os companheiros e funcionários se desapegarem. Funcionários do clube e os demais jogadores, sem perceber, se referem a Mateus pelo antigo apelido. Até Zé Ricardo, novo técnico cruzmaltino, não consegue desapegar de "Pet", reflexo dos diversos confrontos que teve com o jogador quando treinava a base flamenguista e precisava enfrentar o hoje camisa 10 do Vasco.  

Ramon vira "irmão mais velho"

De volta ao clube nesta temporada, o lateral esquerdo Ramon, de 29 anos, resolveu "adotar" Mateus Vital no elenco e virou uma espécie de "irmão mais velho" do jovem. Nos hotéis, por exemplo, costumam concentrar juntos. Após a vitória sobre o Grêmio, o jogador, campeão da Copa do Brasil de 2011 e da Série B de 2009 pelo clube, vibrou por dar a assistência para o gol do meia.

"Eu concentro com essa peça e estava cobrando um gol dele há muito tempo. Muito feliz pelo crescimento que ele vem tendo, principalmente nos últimos cinco jogos. Taticamente está se empenhando de forma incrível...Esse moleque merece, está de parabéns. É um craque!", disse à Vasco TV.

Vital enalteceu a amizade entre eles e admitiu a cobrança que vinha sofrendo. "Ele é muito meu parceiro aqui. Dentro das quatro linhas e fora também. Sempre me ajuda e dá conselhos com a experiência que ele tem no futebol. E ele estava me cobrando muito por esse gol. Graças a Deus eu pude fazer".

Sempre extrovertido, Ramon costuma chamar Mateus de "meu juva", um diminutivo de "juvenil", expressão utilizada entre os boleiros para se referir a jogadores mais jovens. "Fico brincando que ele é meu menino de ouro e ninguém pode mexer com ele (risos). 

Mais forte fisicamente

Mateus Vital foi um dos jovens alocados no projeto "Promove", idealizado pelo Vasco para os pratas-da-casa e que oferece uma estrutura individualizada nas áreas escolar, física, psicológica, técnica, tática, médica e nutricional. Atualmente, com os trabalhos no Caprres (Centro Avançado de Prevenção, Recuperação e Rendimento Esportivo), ele se encontra mais forte fisicamente e apresenta evolução constatada pela fisiologia do clube.

Fonte: UOL Esporte