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Milton Mendes cobra reconhecimento por temporada 2017 do Vasco

03/01/2018 às 08h42 - FUTEBOL

Milton Mendes é um personagem que divide opiniões. No Vasco não foi diferente. Enquanto muitos reclamam da forte personalidade, outros são gratos ao treinador que realizou uma limpeza em São Januário quando esteve à frente do clube na atual temporada. Ele deixou o Cruzmaltino com amigos, mas também com alguns desafetos como Rodrigo e Eder Luís – Nenê não entra nessa lista, segundo o ex-comandante.

"Muitos tem uma imagem minha deturpada, mas deixo claro que quem pensa assim não conhece os bastidores e eu compreendo. Fiz a parte difícil. Arrumei o desarrumado, dei ordem, troquei o antigo pelo novo, tirei quem não dava mais resultado a altura do que o Vasco pedia. Para isso, há controvérsias. Mudanças, mexidas e realocação de figuras, sempre causam dor de cabeça. Não me arrependo de nada. Faria tudo de novo", disse.

O treinador mostra satisfação em ver o Vasco de volta à Libertadores. Apesar do grande trabalho desempenhado por Zé Ricardo na reta final, Milton Mendes deixa claro que suas atitudes no início do Brasileiro foram determinantes para o sucesso da equipe na temporada. Sem ser tão destacado como parte importante no processo, ele cobra reconhecimento.

"O Vasco acabou em sétimo com 56 pontos e eu saí na 21ª rodada e conto os pontos do jogo do Fluminense para a minha estatística. Portanto, 29 pontos conquistados com o meu trabalho e os outros 27 feitos depois, levaram o clube a disputar a fase de grupos da Libertadores. Isso me deixou muito satisfeito, porque houve muito trabalho. Aconteciam coisas que ninguém imagina e nós todos fomos firmes para poder pôr em ordem a casa", completou.

Veja a entrevista completa:

Chegada ao Vasco

Encontrei um grupo de jogadores com a estima muito baixa, porque vinham de resultados ruins e uma cobrança muito grande em cima deles. Diante disso, me contextualizei com o ambiente, vi onde estava o foco e comecei a agir. Estávamos no Campeonato Carioca e o Vasco já tinha sido eliminado da Copa do Brasil pelo Vitória. Comecei por fazer alguns treinos integrais, porque entendia que necessitávamos de evoluir em algumas situações e conseguimos atingir em pouco tempo uma performance que teríamos condições de ombrear com equipes mais fortes, como quando conseguimos ganhar a Taça Rio e muita gente não acreditava que nem classificaríamos para o quadrangular final. Fomos a semifinal com o Fluminense, perdemos de 3 a 0 e ficou bem à vista as necessidades para um Campeonato Brasileiro tranquilo.

Resposta a Eder Luis

O Vasco tinha jogadores só treinando. O Eder Luís não estava inscrito no Carioca e disseram que ele não servia por algumas atitudes por lá. Mesmo assim, pedi a integração dele e só acabou o ano junto ao grupo profissional, pois alguém o colocou lá. Lendo uma entrevista dele recente, entendo o porquê me diziam que ele não servia. E classifico como ingratidão o que disse [reclamou de falta de oportunidades], pois não deveria nem ter dado chance de treinar, já que esta era a posição da diretoria. Dizer agora, depois de ter feito o mínimo no fim do ano, que não lhe dei chances, é muito errado. Ele deve ter esquecido o jogo em Curitiba, quando empatamos em 2 a 2 com Coritiba e o coloquei, sendo muito criticado por tal escalação. Não me arrependo, mas não faria de novo diante da ingratidão de dizer que não o coloquei e que agora no fim que deram reconhecimento a ele. Lamentável!

Como mudou o Vasco?

A principal foi diagnosticar e colocar sangue novo no grupo já que tínhamos uma equipe com faixa etária muito alta. Como não tínhamos dinheiro para reforços, fui buscar reforços na base. Vi quase todos os jogos, da semi e da final do sub 20, e subimos para equipe principal, agora com algum protagonismo, Mateus Vital, Paulo Vitor, Alan, Andrey, Bruno Cosendey, Paulinho e Ricardo – único que não teve minutos no Brasileirão. Os outros todos jogaram. Saíram Rodrigo, Julio dos Santos, Andrezinho, Muriqui, Bruno Galo e Ederson. Diguinho, Julio Cesar e Jorge Henrique já estavam afastados.

Problemas com Rodrigo e Nenê?

O Rodrigo, acho que ficou claro para quem tinha alguma dúvida, que este rapaz sempre deu o tapa e escondeu a mão. Ele fazia as coisas e depois dizia que não sabia de nada. Tentou fazer isso no episódio comigo e, inclusive, deixou algumas dúvidas a quem não me conhecia, achando que eu poderia ter ido dizer algo a ele. Não tenho e nunca terei problemas com jogadores. Eu, quando sou contratado, estou para dar e colocar o que sei em prática. Sou profissional e sou pago para dar resultados, não sou pago para fazer amigos. Exijo de todos a minha volta profissionalismo, atitude, entrega, disciplina, e quem faz isto tudo está muito perto de ser meu amigo, porque daí entra no rol de homens responsáveis e de meus amigos. O mínimo que exijo são estes itens.

O Nenê estava passando por um período de baixa de forma e após o 4 a 0 na estreia do Brasileiro para o Palmeiras optei por fazer algumas mudanças, como dar mais rapidez na armação e no ataque. Por isso coloquei o Mateus no meio, Kelvin na esquerda e Pikachu na direita, além de Luis Fabiano na finalização. Acabei mudando também a zaga central e fizemos bons jogos, conseguindo uma sequência de bons resultados. O Nenê soube esperar e trabalhou especialmente junto com o Alex Evangelista, aliás profissional de grande gabarito, voltando muito bem, terminando o ano ótimo. Poucos analisam assim, mas talvez por ter passado este período fora, isso pode ter ajudado muito. No meu modo de ver, tenho um respeito grande pelo Nenê e foi um grande profissional na minha frente.

Perda de mando de campo atrapalhou?

Sem dúvidas, já que o fator casa era nosso elo mais forte com torcida. Nosso campo, atmosfera criada, e isso nos fez não ter perdido em casa até o fatídico jogo do Flamengo. A partir deste momento nos dificultou muito, porque fizemos um jogo com o Santos em campo neutro, sem torcida, e os outros no campo do Volta Redonda sem ter treinado uma só vez no gramado.

Se sentiu injustiçado com demissão?

De forma nenhuma. O Vasco foi importante para mim, como também fui importante para o Vasco, já que fiz uma remodelação com o campeonato em andamento; Lógico, quando assim é, tem-se desgaste. Deixei 29 pontos para o clube, somando os 26 pontos que estive no comando na beira do gramado e o do Fluminense do 2º turno, que ganhamos por 1 a 0, quatro dias depois de eu ter saído. Portanto, este jogo cai também na minha conta.

No jogo do Bahia foi feita a estreia do Anderson Martins, jogador que veio dar a estabilidade pretendida desde o início. Porém, perdemos o jogo com erros individuais e fui chamado para uma conversa com o Presidente, Euriquinho, o gerente Anderson Barros e o Silvio [vice geral]. Todos falamos e o presidente Eurico disse que estávamos numa zona incômoda, sob muita pressão, visto que as eleições estavam chegando e ele precisava de estabilidade. Coloquei alguns pontos e eles outros e decidimos pôr um fim naquela etapa, tudo com muita retidão e tranquilidade, como foi sempre meu trato com todos e todos comigo.

Sua participação foi decisiva para os bons resultados?

O Vasco acabou em sétimo com 56 pontos e eu saí na 21ª rodada e conto os pontos do jogo do Fluminense para a minha estatística. Portanto, 29 pontos conquistados com o meu trabalho e os outros 27 feitos depois, levaram o clube a disputar a fase de grupos da Libertadores. Isso me deixou muito satisfeito, porque houve muito trabalho. Aconteciam coisas que ninguém imagina e nós todos fomos firmes para poder pôr em ordem a casa.

Por que quando não se ganha a culpa recai sempre no treinador?

Faltam profissionais capacitados nas direções para detectar aonde estão os problemas e agir, podendo até ser do treinador o problema do insucesso, mas existem muitos outros fatores, como pessoas e departamentos que são causadoras das chamadas crises. Há pessoas encostadas nos clubes com vícios, amigos dando palpite quase sempre em lugares inadequados e nunca com nomes, fomentando fofoca e intriga que são como o vento. Ninguém vê, mas derruba casas, faz estragos monumentais, mata pessoas, traz grandes malefícios. Isso também têm em todos os seguimentos da nossa sociedade e principalmente no futebol, que é muito generoso, aceitando qualquer um.

O que mudaria no futebol Brasileiro?

Não se pode generalizar, mas o jogador brasileiro é muito criativo, tem força, talento e talvez se pensassem que não se ganha nada sem muito trabalho, dedicação, organização e ter boas tomadas de decisão na vida, ou seja pensar antes de fazer, seriam estupendos. Eu quero dizer trabalhar muito e forte, porque só há um lugar onde o sucesso está na frente do trabalho, que é no dicionário. Ainda existem jogadores que querem o bom do futebol, o carro bonito e caro, a casa bonita, viajar, ter coisas boas, o glamour, mas não querem ter o desgaste no trabalho, o descanso que se exige para a recuperação, enfim...

Qual mensagem ao torcedor neste ano novo?

Queria aproveitar a oportunidade e desejar a todos um ano novo repleto de alegrias. Ao torcedor brasileiro, a certeza de uma grande Copa com o comando de um representante de qualidade de todos nós treinadores [Tite]. Ao torcedor vascaíno um esclarecimento. Muitos tem uma imagem minha deturpada, mas deixo claro que quem pensa assim não conhece os bastidores e eu compreendo. Fiz a parte difícil. Arrumei o desarrumado, dei ordem, troquei o antigo pelo novo, tirei quem não dava mais resultado a altura do que o Vasco pedia e coloquei, com muito orgulho, quem pode dar demais ao futebol do nosso país. Enfim, para isso, há controvérsias. Mudanças, mexidas e realocação de figuras, sempre causam dor de cabeça. Não me arrependo de nada. Faria tudo de novo. Vejo o Vasco bem no fim do ano, voltando a Libertadores pelas mãos do competente Zé Ricardo, mas vejo minhas sementes lá. Nasci e cresci no Vasco para o futebol e hoje termino o ano sorrindo. Sou pai de família, homem de caráter, retidão e postura. Diferente disso, o que ouvirem, não creiam. Tudo de bom a todos.

Fonte: UOL Esporte