Nova comissão de arbitragem quer mudar sorteio

Em 29/09/2016 08:27
 

Sem pressão, com trabalho em equipe e sem descartar o que foi feito até agora. Marcos Cabral Marinho de Moura, o Coronel Marinho, assumiu a Comissão Nacional de Arbitragem da CBF com um discurso político, mas pretende implantar mudanças. A primeira e mais imediata deve atingir o sorteio de árbitros. Seu antecessor, Sérgio Corrêa da Silva, implantou neste ano um rodízio na escala das competições nacionais com o intuito de dar mais experiências a árbitros novos e foi criticado por dirigentes e jogadores. Para o Coronel Marinho, isso deve ser modificado.   

– (Processo do sorteio) Vai ser reavaliado, estamos estudando, discutindo. Não é fácil montar escala de sorteio, existe série de fatores que estamos discutindo. Estamos estudando melhor forma de atender árbitros, interesses da competição. Agora temos que ter muito cuidado de escolher árbitros que vão para sorteio. Temos bons árbitros, pelo menos 20 árbitros que podem ir para qualquer jogo. Temos que ser receptivos a isso, se insistirmos com algo que não está dando certo, não é bom – avaliou Marinho.

O novo comandante da arbitragem nacional é Tenente-Coronel da Reserva da Polícia Militar de São Paulo e comandou o quadro dos árbitros da Federação Paulista de Futebol entre outubro de 2005 e janeiro deste ano e lá ganhou a confiança de Marco Polo del Nero - que esteve presente na apresentação de Marinho -, atual presidente da CBF e ex-mandatário da FPF. Ele deixou a entidade após um erro em uma escala da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Junto com ele, chegam também à comissão os ex-árbitros Alício Pena Júnior, que será vice-presidente, Cláudio Cerdeira e Ana Paula Oliveira. Todos concordam com as mudanças no processo do sorteio. Em 2015, 42 árbitros diferentes foram escalados na Série A. Em 2016, já foram escalados 45 até a 26ª rodada.

– Era complicado. Fatalmente a gente vai mudar essa questão do sorteio, não adianta ficar como está. Não vai melhorar, não vai resolver nada. O objetivo maior é fazer com que arbitragem não cometa erros que influam no vencedor da partida – opinou Cláudio Cerdeira.

O sorteio é previsto pelo Estatuto do Torcedor e é utilizado desde 2003, primeiro ano de vigência da lei. Para Marinho, o modelo não é o ideal. No entanto, não há previsão de alteração na legislação. Outra novidade será a possibilidade de mudança na escala do árbitro um dia antes das partida. O juiz que relatar algum problema, seja pessoal ou técnico, poderá ser retirado da escala antes da partida. Quem irá substituí-lo ainda não foi definido.   

– O árbitro, uma vez escalado, se relatar uma enfermidade do filho, um problema em casa, qualquer outra questão que faça ele não se sentir apto, vai poder nos comunicar e vai ser retirado da escala. Se vai ser designado quarto árbitro ou novo sorteio, ainda não definimos. Esse árbitro não terá prejuízo algum. Ele receberá a taxa. Estamos procurando meios de melhorar a condição, e essa foi uma das discussões definidas – revelou Ana Paula Oliveira.

Sérgio Corrêa da Silva não deixou a CBF. Ele segue na entidade e foi designado para liderar a equipe que implantará a o projeto de árbitro de vídeo. Segundo Marinho, o ex-comandante da Comissão de Arbitragem continuará com influência na nova gestão.    

Confia os melhores trechos da entrevista coletiva do Coronel Marinho:   

SOBRE O FATO DE NÃO SER ÁRBITRO

É evidente que depois de 10 anos a gente aprende um pouco mais e até aprender, passar pelas injustiças que são cometidas, a gente foi aprendendo e procurou ajudar. Eu sempre tento ouvir a equipe. Tenho pessoas extremamente competentes. Decisões são de uma equipe. A gente avalia. Tem pessoas que pisaram na grama, eu me reporto sempre a eles. É decisão em equipe. Não vim decidir sozinho. A gente quer fazer o melhor. Analisar todas as reclamações, ninguém é perfeito. Temos que trabalhar nos desvios para tentar fazer o melhor.   

PRESSÃO DOS CLUBES

Estamos acostumados a pressão, ficamos 10 anos na Federação Paulista, é normal. Polêmica sempre foi normal, a gente tem que saber lidar com isso. Temos que buscar sempre o melhor. Se tem dificuldade, tem que achar solução. Pressão sempre vai existir. Nossa pressão é buscar melhoria contínua na arbitragem. Houve avanço extraordinário. Temos 20 câmeras vendo um lance que é muito rápido. Somos humanos, quem não erra. Jogador erra, técnico erra, equipe também. Árbitro é único que está sozinho. Índice de erros hoje é menor. Mas não tem paciência se ele se equivoca. Ninguém é infalível. Eu costumo separar erros perdoáveis e não perdoáveis. Lance de impedimento milimétrico é diferente daquele mais claro, escandaloso. Se for um erro claro, temos que apurar o que levou ao erro.    

TOLERÂNCIA ZERO CONTRA RECLAMAÇÕES

Árbitro tem que aplicar regra do jogo. Todo mundo tem que aplicar o que está no livro de regras. O jogador tem que ter bom senso. Tudo vai do que acontecer no campo. Árbitro tem que saber conduzir partida. Bom árbitro é aquele que entende como controlar a partida. Existem muitas formas de se fazer isso. Principalmente sendo atuante. Árbitro tem que ser atuante. Se ele mostrar cartão é porque está na regra. Não vou falar para ser intransigente, quem está avaliando no jogo é o árbitro. Árbitro tem que ser inteligente. A gente chama atenção às vezes é quando é omisso. Às vezes é um árbitro que não tem valentia, acovardado. Isso tudo tem que ser analisado. Ninguém vai passar a mão na cabeça de ninguém. Se o árbitro estiver com a razão, ele vai ser protegido até o fim.   

PROFISSIONALIZAÇÃO DA ARBITRAGEM

Nunca vou chegar e dizer que não chegará esse dia, mas a curto prazo é meio difícil. Temos trabalho hoje e o suporte para arbitragem hoje lhes dão condições de se desenvolverem. Temos árbitros profissionais lá fora que erram. Não é a profissionalização que vai encerrar. A curto e médio prazo, não acredito. Temos que trabalhar. Temos que desenvolver outros métodos e outros processos para tentar elevar o nível do árbitro.