No choro compulsivo atrás de um gols de São Januário na derrota para o Vitória, sepultando o Vasco à Série B do Campeonato Brasileiro, Pedrinho parecia derramar sua história — nascida em 1983 e interrompida em 2001 com a ida para o Palmeiras. Hoje, o meia atua no Figueirense que enfrenta o clube de coração, admite a cicatriz do rebaixamento ainda aberta, mas encarna o lema de torcedor para se revigorar : “o sentimento não para”.
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— Torço para o Vasco subir este ano. E o Figueirense também. O meu sentimento não para. O que me conforta é ver a torcida crescendo, unida...
Integrante de uma geração vencedora — Brasileiro (1997), Carioca e Libertadores (1998), Rio-São Paulo (1999), Mercosul e Brasileiro (2000) —, Pedrinho relembra a impotência de ver uma torcida em lágrimas e, como legítimo representante, nada poder fazer. Evita críticas ao então técnico Renato Gaúcho e ao presidente Roberto Dinamite, que, em sua saída do clube, disse que ele teve chances de atuar.
— Fiquei de mãos atadas, mesmo sabendo que poderia ser útil. Respeito o Renato. O choro foi de um jogador criado no Vasco, que vai levar o filho para torcer em São Januário... Caí com o clube que eu amo — desabafa. — Eu forcei tanto para voltar ao Vasco. De repente, não era a hora...
Pedrinho conta que a dor da queda se agravou nos dias seguintes. Friamente, analisou a tabela e viu que, com três empates contra Ipatinga, Náutico e Figueirense, o Vasco se livraria do vexame.
— Sempre acreditávamos: se ganhar, saímos dessa. Mas era preciso só empatar talvez. Depois, envergonhado, não quis sair de casa. Passada a adrenalina do jogo, foi mais duro.
Hoje, se fizer gol no Vasco com a camisa do Figueirense, o meia garante que não vai comemorar.
— Eu respeito o Vasco — afirma.
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