Roberto Dinamite dá conselho para Neymar

27/06/2018 às 08h34 - FUTEBOL

Neymar cai demais? Reclama sem razão? Chora sem motivo? Com o craque brasileiro na berlinda, o blog ouviu ex-treinadores e jogadores da seleção brasileira. Capitão do penta na Copa de 2000, o ex-lateral-direito Cafu quer que Neymar fique mais tempo de pé e assuma menos responsabilidades - braçadeira de capitão, nem pensar... Zinho também pede que o craque caia menos: “Ele exagera”. Já Bebeto e Ricardo Rocha acham que ele tem que soltar mais a bola. Veja os pitacos:

Sebastião Lazaroni, técnico da seleção na Copa da Itália, em 1990 – “Esse cai-cai... ele pode levar cartão... No acúmulo de cartões, pode prejudicar a seleção. Com relação ao choro, tudo bem. Ele é um ser humano, passou por dificuldades com a fratura no pé e não podemos esquecer que não terminou a Copa de 2014 por causa da joelhada nas costas. Acho que alguém tem que dividir com ele a parte ofensiva. Nas Eliminatórias, o Tite adiantou e adaptou o Philippe Coutinho do lado direito. Nosso jogo fluiu, Neymar teve mais espaço. E assim atingimos nosso melhor jogo”.

Ricardo Rocha, ex-zagueiro da seleção – “Estou achando o Neymar muito nervoso. Está sentindo dores... Os caras estão conseguindo roubar a bola dele, o que não é normal. Toca de primeira, Neymar! Joga mais fácil! É um craque. Pode fazer isso. Ele não é mais nenhum garoto”. Roberto Dinamite, ídolo do Vasco – “Ele tem que equilibrar o lado emocional e usar o que tem de melhor, a técnica. No primeiro jogo (contra a Suíça), exagerou no contato direto com os adversários. Tem que ser mais objetivo, driblar, finalizar, jogar a responsabilidade para o adversário, cavar faltas, ser mais malandro. Não pode se fazer de vítima. A gente vê que o Messi e o Cristiano Ronaldo focam no resultado”.

Cafu, capitão do penta da seleção, na Copa do Japão e Coreia, em 2002 – “O nervosismo dele é claro. Não há como negar. Dá para ver que não é o Neymar que só pensava em jogar futebol, que se divertia. Eu o vi sem confiança, tenho quase certeza de que é por causa da lesão. No último jogo (contra a Costa Rica), o fato de ele cair bastante influenciou na decisão do árbitro em voltar atrás na marcação do pênalti. Se fosse outro jogador, ele daria. Neymar tem que jogar futebol. Quanto menos se expor, melhor. Tem que tirar o peso. Quando era o capitão, queria fazer coisas que não eram para ele. O capitão não precisa ser o craque do time. Neymar não vai chamar o Miranda e o Tite para tomar um café e resolver algo. Criou-se um peso muito grande nas costas desse menino”.

Bebeto, atacante do tetra, na Copa dos Estados Unidos, em 1994 – “Ele não se recuperou totalmente. É muito caçado, fica nervoso. Tem que ter tranquilidade. Tem que ficar mais perto da área, porque ali o perigo é maior. Tem que variar mais. Não pode partir sempre pra cima. Toca e sai, até para evitar o choque, pois vem de contusão”.

Zinho, tetracampeão com a seleção, na Copa dos Estados Unidos, em 1994 – “Está sendo muito cobrado. Ele tem a característica do drible, é o estilo de jogo dele ir para a jogada individual. E como tem o corpo mais franzino, não tem uma estrutura muscular tão forte, o contato faz com que ele perca o equilíbrio. É claro que ele exagera. Acho que poderia moldar um pouco, evitar conduzir essa bola tão lá de trás. Tem que usar essa habilidade dele da intermediária para a frente. Os próprios defensores ficariam com medo de fazer a falta nele. No meio campo, prendendo a bola ali, é muito fácil para o defensor fazer a falta. Tem que procurar não simular também. Isso é ruim para ele. O Tite tem que conversar com ele. Não pode se irritar se o árbitro não marcar uma falta. É aquilo que falei: saber onde prender a bola vai diminuir as faltas. Quem tem que irritar o adversário é ele, o craque. Precisa saber onde usa o talento. Entrar em conflito não faz bem a ele nem para o time”.

Fonte: Coluna Marina Caruso - O Globo