São Januário terá o seu entorno revitalizado pelo "Morar Carioca"

Em 30/01/2011 09:40
 

A segunda fase do Morar Carioca — plano da prefeitura para urbanizar todas as favelas até 2020 — vai concentrar seus trabalhos em comunidades localizadas num raio de quatro quilômetros das futuras instalações olímpicas nas zonas Sul, Norte e Oeste. Nessa etapa, serão urbanizadas 216 favelas, divididas em 91 grupos. Para projetar as intervenções, orçadas inicialmente em R$ 2,6 bilhões e que atingirão 89.058 moradias, foram escolhidos 40 escritórios de arquitetura. Selecionados por concurso do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), os escritórios — que serão diplomados neta sexta-feira pela prefeitura — começam a trabalhar em março.

A ideia é encontrar soluções urbanísticas que ajudem a integrar as favelas à cidade formal, com abertura de ruas, construção de áreas de lazer e esporte, remoção de famílias de áreas de risco e melhorias habitacionais num espaço de 12,2 milhões de metros quadrados, o equivalente a 1.485 campos de futebol. A expectativa do secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, é que os primeiros projetos comecem a ter as obras licitadas em setembro e os trabalhos sejam iniciados em dezembro, durando dois anos. Nessas favelas, moram cerca de 312 mil pessoas.

— A meta é que a segunda fase esteja pronta até a Copa do Mundo de 2014 — disse Bittar.

( Paes lança projeto de remoções no Morro da Providência )

Na Zona Sul, serão urbanizadas favelas como Chácara do Céu, no Leblon; Vila Parque da Cidade, na Gávea; e Ladeira dos Tabajaras, que tem trechos em Copacabana e Botafogo. Essas comunidades ficam nas imediações do núcleo Copacabana das Olimpíadas, onde serão realizadas competições de vôlei de praia, maratona aquática, triatlo, canoagem (Lagoa) e iatismo (Marina da Glória). O Morro dos Macacos, em Vila Isabel, que já tem uma UPP, e o Morro São João, no Engenho Novo, ocupado pelo Bope no início do mês, também integram a lista. Junto com a Mangueira e a Providência (incluídas na primeira fase do Morar Carioca) , as favelas ficam no raio de interferência do Maracanã, onde serão realizadas as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos e as provas de atletismo.

Previsto para receber as partidas de hóquei, o estádio de São Januário também terá o seu entorno revitalizado, uma vez que a Barreira do Vasco, em São Cristóvão, faz parte da lista. Já na região da Barra da Tijuca, que concentrará a maior parte das instalações olímpicas, como as vilas dos atletas e de mídia e o Parque Olímpico, foram incluídas favelas como Muzema e Tijuquinha, no Itanhangá; Mato Alto, na Praça Seca; e Pantanal, em Jacarepaguá. Nos arredores do núcleo de Deodoro, foram incluídas Vila Vintém, em Padre Miguel; Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho; Parque Furquim Mendes, no Jardim América; e Faz Quem Quer, em Rocha Miranda.

Segundo Bittar, os R$ 2,6 bilhões para a execução dos projetos estão sendo negociados com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e com o governo federal. A contrapartida da prefeitura seria de 20% dos recursos obtidos.