Segundo estudo, votos da urna 7 do Vasco não podem ser aleatórios

10/11/2017 às 08h19 - POLÍTICA

Eurico Miranda tinha mais chances de vencer na Mega Sena do que de receber 90,3% dos votos na urna 7, a “urna da discórdia”, da eleição do Vasco. Aliás, muito mais: era um sextilhão de vezes mais provável ganhar na loteria do que vencer a votação nessas circunstâncias. Esta é a conclusão de um estudo feito pelo matemático Paulo Pereira Ferreira, mestre em estatística pela UFRJ. Eurico obteve 428 dos 475 votos depositados na urna em questão, que passará por perícia judicial. Sem esses votos sub judice, o atual presidente seria derrotado pelo candidato da oposição, Julio Brant.

Pereira é atuário - matemático especialista em avaliação de riscos - e consultor de empresas, além de vascaíno. Surpreso com o resultado avassalador de Eurico na urna da discórdia, o matemático tentou calcular o quão improvável seria obter tamanha superioridade. A média de votos de Eurico no pleito foi de 46%.

A fatia de 90,3% obtida por Eurico fica tão acima do padrão das outras urnas que, estatisticamente, a chance disso ocorrer é considera nula — a não ser, ressalta o estudo, que a inclusão dos membros que votaram nesta urna não tivesse obedecido a um processo de escolha aleatória, “e sim foram escolhidos aqueles que votariam no candidato Eurico Miranda”.

As chances de Eurico obter tal votação em um cenário de escolha aleatória dos eleitores desta urna seria amplamente menor do que 1 em 50 milhões, que é a chance de uma pessoa qualquer vencer a Mega Sena. O número obtido por Pereira tem 88 zeros, e o matemático não conseguiu sequer achar um nome para ele, dada a enormidade.

O documento produzido por Pereira será anexado à ação judicial movida por Fernando Horta, que tenta anular os 475 votos da urna 7.

- Fiz o cálculo sem intenção de colocar em processo. Mandei para um amigo vascaíno, que pediu autorização para compartilhar. Isso acabou chegando até o Julio Brant, que pediu autorização para anexar à ação movida pela oposição - explicou Pereira, que usou o bom humor ao falar sobre a inspiração para tamanho cálculo: a vitória do Vasco contra o Santos, anteontem, na Vila Belmiro.

Diferença de votos é normal, garante o clube

A discrepância tão grande entre a quantidade de votos de Eurico Miranda e Julio Brant na urna 7 da eleição do Vasco é considerada normal pela diretoria do clube. Procurado pela reportagem para comentar o estudo do matemático, Eurico não foi encontrado. Mais cedo, em entrevista coletiva, argumentou que é natural que os novos sócios sejam a favor da diretoria na gestão no momento em que se associam.

O clube também afirmou que não faz diferença o fato de o Cruz-Maltino ter sido rebaixado para a Série B no mês em que houve a adesão em massa, sendo que normalmente o movimento de sócios é influenciado pelos resultados em campo.

A respeito também do número bem superior de associações no período, em comparação à quantidade de sócios que entram no clube normalmente, o vice-presidente de marketing do Vasco, Marco Antônio Monteiro, afirmou que isso aconteceu por ter sido o último oportunidade de associação mais barata com direito a voto. O plano foi cancelado pela diretoria em seguida para valorizar o sócio torcedor.

Fonte: Extra