'Sem relaxar' Douglas comenta retorno ao Vasco e amizade com 'rivais'

Em 18/10/2016 08:10
 
Douglas LuizDouglas Luiz
Foto: Kaio Machado

Douglas não conseguia dormir direito na véspera da partida contra o Vila Nova, em 30 de agosto. Seria sua primeira chance como titular no time profissional do Vasco. Mais do que isso: para o garoto criado na comunidade da Nova Holanda, na Zona Norte do Rio de Janeiro, era a oportunidade de mudar de vida. A metáfora em sua cabeça era clara.

- Por eu não ser o nome mais badalado da base, eu vinha trabalhando pelas beiradas, forte. Quando tivesse a oportunidade, que fosse a primeira e única, para não perdê-la. Na noite antes do jogo eu pensava: “Amanhã é o dia de dormir pobre e acordar rico.” Era a minha chance e tinha que aproveitar ao máximo possível para continuar – contou Douglas ao GloboEsporte.com, enquanto estava com a seleção brasileira sub-20. 

Desfalque lamentado

De nome pouco badalado na base, Douglas virou titular absoluto do Vasco. Tanto que, no período em que vestiu pela primeira vez a camisa amarela do Brasil, teve ausência lamentada pelo técnico Jorginho em São Januário. Ele se reapresenta nesta terça-feira, após ser titular em dois dos três jogos do Quadrangular de Seleções conquistado pela equipe de Rogério Micale no Chile. 

Foi a primeira viagem internacional de Douglas. Mais um sinal de que a vida do garoto mudou desde aquele jogo contra o Vila Nova, em que o time perdeu, mas o volante fez um belo gol de fora da área. As coisas melhoraram: ele renovou contrato, recebeu aumento salarial e está prestes a sair da Nova Holanda. 

Durante a experiência na seleção sub-20, Douglas ficou impressionado com o trabalho de Rogério Micale. A recíproca foi verdadeira: o treinador campeão olímpico utilizou o garoto como titular nos duelos com Equador e Chile. 

- Foi uma experiência muito boa. Espero ter deixado boa impressão. Foi um prazer imenso ter trabalhado com ele (Micale). É muito inteligente, tem um trabalho bem diferente, que eu não imaginava. Por isso ele foi campeão olímpico. Aprendi muitas coisas, mesmo com pouco tempo. 

Catimba chilena e amizade com "rivais" cariocas

Entre as coisas que Douglas aprendeu, está a catimba sul-americana. O garoto de 18 anos viveu na pele a rivalidade com as seleções estrangeiras. Contra o Chile, no empate em 1 a 1 que definiu o título brasileiro, teve de lidar com a provocação de um jogador adversário. 

- Os caras são catimbeiros. Os chilenos tentaram me cuspir. Não tinha passado por isso ainda. A rivalidade é muito forte por causa dos estilo da seleção. 

Ao conviver com outros jogadores brasileiros, a situação foi oposta. Douglas conhecia, por ter enfrentando, atletas de outros times cariocas. E foi justamente com os flamenguistas Lucas Paquetá e Felipe Vizeu e o botafoguense Mateus Fernandes, além do lateral Marlon, do Criciúma, com quem ele travou maior amizade. 

- A molecada aqui é zoeira (risos). Quando é para ser sério nos treinos e trabalhos, todo mundo é sério. Fora isso, tudo é na brincadeira. Eu conhecia a galera do Rio, me entrosei rápido. 

Sem relaxar

No retorno ao Vasco, Douglas vai encontrar um ambiente mais pesado. Após a derrota para o CRB em São Januário, o elenco teve de trabalhar de forma integral na segunda-feira, e a programação ao longo da semana será informada diariamente. O próximo desafio é contra o Paraná, em Cariacica, no sábado.

Apesar do novo status no clube, o volante não quer diminuir o ritmo. Entre as lições que aprendeu na seleção, está a de não relaxar – afinal, em 2017, há as disputas do Sul-Americano e do Mundial sub-20, além dos compromissos pelo Vasco. E ele quer estar lá, para manter a rápida ascensão no futebol. 

- A primeira coisa que acontece é os jogadores darem uma relaxada quando voltam para os clubes. Não quero isso para mim, quero continuar trabalhando forte, agradando a torcida, o professor Jorginho. É um momento difícil que estamos passando, mas vamos tentar voltar e trabalhar firme O grupo é bom, e vamos sair dessa. 

Com Douglas, o Vasco volta a treinar nesta terça-feira, às 17h (de Brasília), em São Januário. O time é o vice-líder da Série B, com 54 pontos, quatro a menos que o primeiro colocado, Atlético-GO, a sete rodadas do fim da competição.