Sem torcida, único som que se ouviu no Engenhão foi dos jogadores

Em 16/07/2017 19:18
 

Faltavam menos de 10 minutos para a bola rolar quando os times de Vasco e Santos subiram a campo. Silêncio absoluto no do Estádio Nilton Santos. Da tribuna de imprensa, nas arquibancadas superiores, era possível até para ouvir o barulho das batidas de mãos dos jogadores se cumprimentando.

Por causa das confusões no clássico contra o Flamengo, São Januário está interditado e a Diretoria de Competições da CBF determinou que o jogo deste domingo, pela 14ª rodada do Brasileirão, fosse realizado de portões fechados.

A ausência da torcida parece ter tirado a inspiração tanto dos jogadores do time mandante quanto do visitante. Apesar de pegado, o jogo foi morno, de poucas oportunidades. E o placar ficou zerado, igual ao número de torcedores nas arquibancadas.

Assim que a bola rolou, apenas uma transmissão de rádio quebrava o silêncio. Era possível perceber claramente como os jogadores se comunicam intensamente durante o jogo. Quantidade de “Vai”, “vamos”, “vem, vem”, “Ei, ei, ei”, “olha”, “atrás” o tempo inteiro. A cada marcação do árbitro, o som do apito ecoava.

O Nilton Santos também pouco lembrava dia de jogo. Elevadores sem ascensoristas, diversas luzes internas apagadas, lanchonetes fechadas e pontos de escuridão… Trabalhando durante a partida, além de jogadores e membros das equipes, jornalistas, fotógrafos, seguranças, médicos e enfermeiros, policiais e alguns funcionários do estádio. Dava para ouvir também os trens passando na estação do Engenho de Dentro, ao lado.

Apesar de não poderem entrar no estádio, alguns torcedores do Vasco fizeram questão de apoiar o time na chegada do ônibus. Assistiram ao jogo pelas redondezas, em bares ou pela vizinhança. Durante a partida, de dentro do Nilton Santos, foi possível ver e ouvir fogos de artifícios na Rua das Oficinas, atrás do Setor Norte. De longe, policiais observavam a pequena movimentação de torcedores nos arredores. Apesar de o jogo ser com portões fechados, 102 homens do Gepe trabalharam normalmente na partida.

Dentro de campo, era possível perceber que alguns lances elevavam o tom de voz dos jogadores. Uma falta marcada para o Santos no começo da partida irritou os jogadores do Vasco. Um escanteio para o Cruz-Maltino aos 37 gerou reclamações dos santistas.

Destaque para a bronca de Martín Silva em Madson, que jogou para escanteio uma bola no fim da primeira etapa, quando estava sozinho na área. Na segunda etapa, os gritos foram dos jogadores vascaínos pedindo pênalti em duas ocasiões. Uma alegando falta de Lucas Veríssimo em Wagner, aos 25, outra pedindo toque de mão de jogador santista.

Apito final, 0 a 0. Jogo insosso e resultado ruim para Vasco e Santos no campeonato. Nem se tivessem torcedores presentes, eles teriam o que comemorar.