Sócios de urna 7 entraram quando Vasco dificultava novas adesões

11/11/2017 às 12h02 - POLÍTICA

A adesão em massa de sócios da urna pró-Eurico ocorreu no mesmo período em que o Vasco dificultava e até barrava novas adesões. É o que apontam dados obtidos pelo UOL Esporte e acusações feitas pela oposição no clube. O clube reconhece que limitava novas entradas em seu quadro por conta de futuras mudanças nas categorias, mas diz que não impediu novos sócios entre novembro e dezembro de 2015, período de toda a polêmica. 

A contradição é fundamental no contexto da eleição. Conforme apurou a reportagem, naquela época o Vasco havia acabado de cancelar as adesões pela internet e chegou a represar a entrada de novos sócios pela secretaria. Opositores ainda vão além, dizendo que nem na recepção do clube era possível se associar. Ainda assim, o Vasco recebeu 671 novos afiliados, o que despertou suspeita de irregularidades. 

É justamente a chamada "urna 7", com todos os associados deste período, que deu a vitória sub-judice para Eurico Miranda ao lhe conceder mais de 90% dos votos - na soma das demais, Julio Brant, da oposição, foi o vencedor. A validade desses votos será decidida na Justiça com base em análise dos pagamentos e da regularidade dos afiliados em condição suspeita. 

A maioria dos 671 sócios desta urna entrou na categoria sócio-geral, mais barata, no período entre 2 de novembro e 29 de dezembro. O movimento foi atípico em relação aos meses anteriores. O problema é que, desde outubro, o Vasco tinha suspendido todas as adesões de sócios-gerais pela internet. Segundo o vice de marketing, Marco Antônio Monteiro, o clube queria acabar com a inscrição online e estava em meio a uma troca de sistema. 

"A empresa (Microtag) ia sair no fim de outubro. A gente ia sofrer na transferência, por isso suspendeu em outubro a internet"; contou Monteiro. "As pessoas que vinham pela secretaria a gente represava um pouco para fazer em novembro, para não fazer no sistema antigo. Em novembro, a gente liberava o represado." 

O contrato acabava em 20 de novembro, mas há sócios da urna 7 inscritos desde 2 de novembro. Segundo ele, porque já podia deixar a ficha preenchida. Membros da Cruzada Vascaína, oposição no clube, apontam que nem na secretaria era possível fazer a inscrição como sócio-geral. No dia 20 de novembro, o conselheiro de oposição do Vasco, Yuri Lume, fez uma ligação para a secretaria do clube para saber se estava aberta a adesão como sócio-geral na secretaria. O departamento informou que as entradas estavam suspensas indefinidamente (ouça no vídeo acima). 

"Em novembro inteiro ficou fechada a adesão. Me informaram que, se quisesse, que aderisse como sócio-proprietário ou que esperasse para o novo sócio-torcedor", contou Lume. A Cruzada denunciou, à época, a impossibilidade de adesão de novos sócios. 

O vice de marketing vascaíno nega que tenha bloqueado adesões na secretaria e diz não saber se ocorreu um erro de informação. Mas admite que não interessava ao Vasco, naquele momento ter novas adesões. "Não íamos falar para quatro ventos porque ia mudar e a categoria era mais barata. Mas, no clube, sabia", disse Monteiro. 

Mesmo sem se interessar, o Vasco teve uma adesão recorde, a maioria absoluta de apoiadores de Eurico, que Monteiro atribui ao fato de os associados saberem que o sócio-geral ia acabar. No dia 29 de dezembro, com a maioria que tinha no Conselho, a diretoria aprovou o fim do sócio-geral e portanto acabou com a possibilidade de obtenção de título mais barato para votar. Então, todos os quase 700 eleitores da Urna 7 já estavam registrados dentro do clube. 

"A justificativa da diretoria era de que o sócio-geral não deveria canibalizar o sócio-torcedor. Mas havia uma diferença que a categoria de sócio-geral tinha direito a voto e a de sócio-torcedor não. Foi quando o Eurico disse que o sócio não sabia votar", relembrou o conselheiro de oposição Carlos Leão, que estava na reunião. 

Há diversos indícios de irregularidades no cadastro dos eleitores inscritos na Urna 7 como mostrou o UOL. Na última sexta, a TV Globo entrevistou dois sócios dessa urna que admitiram que nunca terem pago mensalidades após se associarem, sendo que um deles disse só ter entrado de fato no clube em dezembro de 2016. A diretoria do Vasco alega ter como provar o pagamento de mensalidades por meio de seu fluxo de caixa. 
 

Fonte: UOL Esportes