Os atletas lutam, os dirigentes lucram. Se confirmar a meritocracia como novo método de distribuição das verbas da Lei Piva, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) vai acentuar as disparidades já existentes entre modalidades esportivas no país. Antes mesmo do anúncio, no início do mês que vem, dos valores definitivos dos repasses, os competidores de basquete, hipismo e remo já sentem os reflexos da desvalorização oficial.
De acordo com o projeto divulgado pelo COB na última sexta-feira, num hotel na Barra da Tijuca, as três modalidades foram as únicas, de um total de 27, a sofrer redução nos repasses para o ano que vem. A depreciação é ainda mais flagrante, levandose em conta a exclusão do beisebol e do softbol (que recebiam R$ 274.750,00 e foram retirados do programa olímpico de Londres-2012), e o aumento de mais de 13% na arrecadação em relação a 2008. A previsão de repasses até o fim deste ano é de R$ 67 milhões, contra R$ 75 milhões esperados para 2009.
Na prática, a justificativa do COB de que deveria premiar os esportes que tiveram medalhas olímpicas acaba punindo os atletas, que sofrem com desmandos de seus maus dirigentes.
— Temos garra, disciplina e talento.
Se não somos capazes de ganhar medalha é porque não há alguém capaz nos liderando. No fim, os atletas acabam sendo culpados por tudo — desabafa a remadora Fabiana Beltrame.
Presente de grego para o basquete
Desprestigiado pelo COB, o presidente da Confederação Brasileira de Remo (CBR), Rodney Araújo, chegou a afirmar, após o anúncio da redução de R$ 1.708.500,00 para R$ 1,5 milhão, que voltaria suas atenções para os Jogos de 2016, e não mais para os de Londres-2012. Segundo Fabiana, falta planejamento: — Passamos o ano nos clubes e, em cima da hora, eles convocam a seleção.
Um mês antes de irmos para Pequim, em vez de remarmos, fomos levados para a altitude (em ItamonteMG). Ficamos 21 dias numa pousada e só entramos no barco seis vezes. Os outros evoluem, o Brasil não — criticou a atleta do Vasco, 19ano single skiff em Pequim.
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