Você sabia - O Grande Expresso
Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012
A formação do Expresso da VitóriaCorria o início da década de 1940 e parecia que a implacável "praga do Arubinha", de 12 anos sem títulos, estava se cumprindo. Chegaram até a revolver o gramado de São Januário, mas o tal sapo com a boca costurada que, dizia-se, Arubinha havia enterrado, nunca foi encontrado. Finalmente, os dirigentes do Vasco, comandados pelo presidente Ciro Aranha, desistiram de procurar o sapo e resolveram partir para uma série de contratações que iniciaram a fase mais brilhante da história do Vasco, em termos de conquistas.
Primeiramente, foi contratado um novo técnico de experiência internacional, o uruguaio Ondino Viera, e então feita uma renovação no plantel de jogadores. Vários jogadores jovens, talentosos e ainda por se consagrar foram adquiridos. Do São Cristóvão veio Augusto, que seria o capitão do time e da seleção brasileira de 1950, com sua grande capacidade de liderança e espírito de equipe. Do Canto do Rio veio Eli; Do América, o "príncipe" Danilo; Do Madureira, o trio atacante conhecido como os "Três Patetas", Lelé, Isaías e Jair; Do Sport Recife, Ademir e Djalma; E assim por diante.
Proezas do Expresso da VitóriaA perda do título de 1944 para o rival foi frustrante para os vascaínos, mas o fato irreversível é que a semente do Expresso da Vitória estava lançada. Em 1945 o Vasco ganhou de forma invicta o primeiro de uma série de 5 campeonatos em 8 anos: 1945, 1947, 1949, 1950 e 1952, sendo que os de 1947 e 1949 também foram invictos. Nesse período, o Vasco também conquistou o tetracampeonato do Torneio Municipal de 1944 a 1947 e dois Torneios Relâmpagos, em 1944 e 1946. Porém a maior proeza do Expresso foi a conquista invicta do Primeiro Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões, em 1948, no Chile.
O Vasco era a base da seleção brasileira. Tantos craques tinha o Vasco, que muitas vezes o Expresso ia excursionar e permanecia a disputar as competições locais o Expressinho, formado por reservas, mas que mesmo assim frequentemente superava os adversários. Todo ano o Vasco apresentava pelo menos uma nova atração de renome. Dentre as muitas linhas atacantes do Expresso, qual foi a melhor? A linha de 1945, com Ademir (Djalma), Lelé, Isaías, Jair e Chico? A de 1947, com Djalma, Maneca, Friaça (Dimas), Lelé (Ismael) e Chico? A de 1949, com Nestor, Maneca, Heleno (Ipojucan), Ademir e Mário? Ou a de 1950, com Tesourinha (Alfredo), Maneca, Ademir, Ipojucan e Chico?
Estes ataques eram verdadeiras indústrias de gols, não raramente alcançando escores estapafúrdios, sendo o maior deles um 14 a 1 sobre o Canto do Rio em 1947, que estabeleceu o recorde de maior goleada na fase profissionalista do futebol carioca.
Campeão Sul-Americano de Clubes CampeõesCorria o ano de 1948, quando o Vasco foi convidado a disputar o I Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeoes, no Chile. Participaram os campeoes de sete países do continente, jogando num turno único, todos contra todos, contando pontos corridos. Ainda não havia a Copa Libertadores, e essa foi a primeira vez que se criou uma competição com o objetivo de apontar um campeão sul-americano. Pois o Vasco trouxe o caneco, mais uma vez invicto para não perder o costume, mesmo tendo contra si arbitragens tendenciosas e o desfalque de Ademir, que sofreu uma fratura no pé logo no princípio do torneio. Na final dramática contra o River Plate - "La Máquina", como era conhecido na Argentina - um empate sem abertura de contagem garantiu o título do Vasco.
Esta conquista, a mais significativa do Expresso da Vitória, é tembem um marco histórico por ter sido o primeiro título conquistado fora do país por qualquer equipe brasileira, incluindo a Seleção.
A base da seleção vice-campeã mundial de 1950Na Copa de 1950, disputada no Brasil, a seleção brasileira era tida como a melhor do mundo, mas acabou deixando o título escapar em pleno Maracanã, para o Uruguai. Apesar disso, ninguém nega a qualidade daquele time, que contava com seis jogadores do Vasco na sua habitual formação titular - Barbosa, Augusto, Danilo, Maneca, Ademir (artilheiro da Copa) e Chico - e dois entre os reservas - Eli e Alfredo. Mais dois do elenco, Friaça e Jair, eram ex-jogadores do Expresso da Vitória. O ponta vascaíno Tesourinha havia sido cortado às vésperas da Copa por contusão, e o atacante Ipojucan estava pré-selecionado, mas acabou sobrando quando o técnico Flávio Costa, também do Vasco, reduziu o grupo para 22 jogadores. Até o massagista Mario Américo era do Vasco.
Menos de um ano depois da tragédia da Copa de 1950, o Vasco realizou uma excursão ao Uruguai, deu de 3 a 0 no Peñarol - a base da seleção uruguaia campeã mundial - e, no Rio, ganhou de 2 a 0 tanto do Peñarol como do Nacional - que completava aquela seleção - lavando a alma dos brasileiros.
O último título do Expresso Em 1952, o Vasco, que atingira seu ponto técnico mais alto dois anos antes, partiu para novas mudanças no elenco, não sem antes ter o seu canto do cisne, ao conquistar por antecipação o campeonato carioca. Apesar de desacreditado pela imprensa, que considerava o Expresso um time "velho", o Vasco se sagrou campeão na penúltima rodada, ao vencer o Bangu por 2 a 1. Após o último jogo, em São Januário contra o Olaria, o técnico Gentil Cardoso, ao ser carregado nos ombros em triunfo pela torcida, não perdeu a oportunidade de dar mais uma de suas famosas tiradas, declarando: "Eu estou com as massas, e as massas derrubam até governo". Foi demitido no dia seguinte. Porém era chegada a hora de substituir glórias antigas por jovens promessas.
Fonte:
http://www.netvasco.com.br/mauroprais
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