Vasco mostra diferente formas de controlar o jogo pelos espaço

03/02/2019 às 12h57 - FUTEBOL

Corinthians e Vasco venceram seus clássicos com um traço em comum: tiveram menos posse de bola que seus adversários e pautaram o jogo pelo controle dos espaços ao invés da bola.

Times mais talentosos ou com mais posse de bola nem sempre jogam bem. O jogo é uma interação entre três elementos: espaço, tempo e bola. A questão é como essa tríade se conversa em campo. Times tecnicamente superiores como o Palmeiras precisam de movimentos coordenados, com e sem a bola, para criar espaço no rival. O mesmo para o Flu e sua posse de bola: onde ela acontece? Com quem acontece?

Quando você joga contra um time como o Vasco, que coloca todos os jogadores marcando em um espaço de 15m, é difícil para qualquer time no mundo. Se você acompanhar, até Manchester City, Chelsea, a Espanha na Copa, times que têm essa proposta de jogo, tiveram essa dificuldade. - Fernando Diniz, após o jogo

Os vencedores mostraram diferentes formas de controlar a variável do espaço. O Vasco pretendia fechar primeiro o espaço do jogador, o Corinthians pensava mais no espaço em campo.

Encaixes e marcação por zona

Os times fizeram movimentos diferentes para proteger a grande área. O Vasco agia com encaixes bem definidos. Encaixe é uma forma de marcação mista entre espaço e individual: cada jogador tem um setor, onde deve acompanhar o adversário que invade aquele setor. Quando o Flu tentava uma jogada pelo lado, todas as opções dentro da área estavam encaixadas – menos Werley. Ele é a famosa sobra.

Foto: Leonardo Miranda/ReproduçãoLinha de defesa do Vasco
Linha de defesa do Vasco

O intuito da sobra é cobrir os encaixes – se o adversário dribla e sai livre, ele está pronto para interceptar. Já o Corinthians não jogou com sobra. Nem com encaixes. A ideia era fazer uma marcação por zona com o intuito de proteger a entrada da área, o chamado funil. Zaga e laterais se alinham e colocam o corpo de lado para o adversário. Veja como o palmeirense está livre, dentro da área.

Foto: Leonardo Miranda/ReproduçãoLinha de defesa do Corinthians
Linha de defesa do Corinthians

Um encaixa os adversários que estão na área, outro fecha o espaço da área e deixa o adversário livre. Mas como o jogo é uma interação entre espaço, tempo e bola, controlar o espaço significa também agir proativamente com a bola. Na imagem acima, o Corinthians marca com dois o palmeirense que tenta a jogada. O intuito é criar superioridade numérica – ou seja, ter mais jogadores que seu oponente. De novo, se alguém dribla, já tem uma cobertura imediata para matar a jogada.

Quando você joga com uma dificuldade muito grande e uma limitação de espaço, é o tipo de jogo mais difícil de fazer. Qualidade técnica ajuda, padrões de movimento com mais tempo de treino ajudam. Mas sempre vai ser difícil quando você encontra um time que marca lá atrás com muita gente e bem treinado – Fernando Diniz, após o jogo.

Como quebrar esse desenho? Há uma visão muito romântica de que falta drible no futebol brasileiro. Mas as equipes se estruturaram para anular a vitória pessoal: o Vasco com os encaixes e a sobra, o Corinthians com a superioridade numérica. Porque o drible, assim como a qualidade técnica, não é um ato isolado: é a combinação entre tempo, espaço e bola. Na imagem abaixo, há um espaço que a sobra do Vasco deixa. Para aproveitá-lo, é preciso correr, mais rápido que todo mundo, até ele.

Foto: Leonardo Miranda/ReproduçãoJogada do Vasco contra o Flu
Jogada do Vasco contra o Flu

Jogar sem a bola não é covardia. Nem falta de qualidade. Existe um futebol muito mais amplo do que aquele que é vendido como "válido". Bom para Corinthians e Vasco.

Fonte: Blog Painel Tático-GloboEsporte.com