Futebol

Pedro Emanuel: 'Dei a primeira oportunidade ao Freitas e sinto que...'

O Vasco venceu o Cruzeiro por 3 a 1, em São Januário, pela 25ª rodada do Brasileirão. Esta foi a primeira vitória sob o comando de Pedro Emanuel na competição nacional. Tchê Tchê, Lucas Freitas e David marcaram os gols no jogo que fez o time deixar a zona de rebaixamento. Em coletiva, o técnico falou sobre a evolução do time em pouco tempo de trabalho.

— Esse é um aspecto fundamental para uma competição como a nossa. Sabemos com o Cruzeiro ia se apresentar, mas as variações só conseguimos saber quando o jogo começa. A partir do momento que ajustamos o posicionamento, ganhamos consistência, confiança para podermos sair bem com a bola. Estávamos levando um ou outro susto. Depois ajustamos e conseguimos chegar a uma forma com a equipe mais confortável. Por isso conseguimos atacar marcando e defender preparados para atacar. Isso foi importante para a confiança. Os gols permitem estarmos à frente. Isso se responde de forma simples - disse, para completar:

—Trabalhamos muito em vídeo e parte técnica e tática sem campo. Isso diz muito sobre a capacidade que eles têm, mesmo dentro de uma sala de reunião, entender o que precisam fazer. Um jogo que acho que foi muito bem construído da nossa parte, criamos muitas chances, continuamos sem aproveitar todas, acho que é o resultado justo. Fiquei um pouquinho triste de termos sofrido um gol, porque trabalhamos bem para sairmos com o gol vazio. É o terceiro ou quarto melhor ataque da competição. Trabalhamos todos juntos para que o resultado fosse esse. Já tínhamos ganhado em todas as competições desde que chegamos. Faltava juntar as boas atuações com o resultado. Foram três pontos que nos permitem dormir fora do Z-4. Respirar um pouco melhor para nos dar um pouco de confiança.

Pedro Emanuel analisou a busca pelo equilíbrio durante a partida e falou sobre o aspecto mental do elenco. O técnico citou a comemoração de David, que marcou o terceiro gol do Vasco e foi até o banco de reservas cumprimentá-lo. Além disso, citou mais uma vez a atuação de Lucas Freitas.

— Acho que revela bem a forma como nos preparamos para o jogo. Hoje houve dois ou três aspectos que foram fundamentais para não começarmos bem. Em termos ofensivos estivemos sempre com boas saídas e a qualquer momento poderíamos fazer gol. Defensivamente não tão bem, mérito também do adversário. Faz parte do jogo, o adversário também jogo. O importante foi percebermos como ajustar. A parte mental muitas das vezes tem a ver com a confiança que o jogador sente. Não adianta as palavras e sim os atos. O treinador trabalha para isso. Conhece os jogadores.

— Eu fiquei surpreso pelo David ter vindo me cumprimentar quando fez o gol. É um gesto simples de alguém que precisava desse momento. É a imagem do nosso time, solidário, que tem sofrido bastante durante o ano, mesmo nós quando chegamos. Sabemos que temos que continuar trabalhando. Não é fácil, em uma exigência tão grande, e acho que os jogadores sentiram. O espírito melhorou muito, há respeito e solidariedade entre todos. Dei o exemplo do Freitas, que jogou quase nada e hoje fez um jogo completo e cheio. Quando teve a oportunidade mostrou estar preparado. É a preparação em todos os níveis, físico, técnico e tático. É uma boa imagem do que é o nosso Vasco hoje. Três pontos importantes para nós nesse momento da temporada.

Pedro Emanuel já comandou 13 jogos: cinco vitórias, cinco empates e três derrotas. Ao todo, 16 gols marcados e 14 gols sofridos. O time está classificado para as quartas da Sul-Americana e da Copa do Brasil. O Vasco vai dormir fora da zona do rebaixamento. Com 25 pontos, o time está na 17ª colocação e monitora os jogos de domingo para saber a colocação ao fim da rodada.

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Pressão nos jogadores e apoio da torcida

Fiquei feliz (com a atuação de jogadores que estavam pressionados) porque a nossa torcida é muito exigente e eu gosto que assim seja porque só assim somos um clube grande. Vivemos momentos não muito bons, mas sentimos que a torcida está conosco. Estamos a trabalhar da forma que todas as torcidas gostam. Nós damos a vida pela equipe. Os jogadores sabem que para ter oportunidade tem que estar preparados. Os exemplos de hoje, ironia do destino, eram jogadores que eram questionados, mas provaram que tem capacidade e valor. Dei a primeira oportunidade ao Freitas e sinto que fez um jogo completo. Ele teve um desempenho muito bom contra um adversário tão difícil. A torcida é fundamental para que os jogadores sintam confiança.

Trabalho com os atacantes

A questão mental que você se refere eu avalio de forma diferente. Nossa forma de atacar está diferente e permitiu a esses jogadores participar mais do jogo. Também a ficar mais expostos, porque passamos a criar muitas chances e não estamos aproveitando. A dinâmica que estamos criando, que hoje se viu contra um grande time, criamos várias oportunidades, isso é a parte mental que eu gosto de trabalhar. Eles saberem como trabalhamos. Eles estão conseguindo fazer à perfeição. Essa parte é o foco. A tarefa que eles têm dentro do jogo. Isso vai dando confiança e fazendo com que eles se soltem mais. Com as variações a equipe consegue ficar mais consistente e criar várias maneiras de chegar ao gol. Quero que não fique a responsabilidade de marcar só sobre dois jogadores. Temos que ter a mentalidade ofensiva sem se desiludir. Só fiquei um pouco desiludido pela forma que sofremos o gol.

Satisfação com o próprio trabalho

Ainda não tive tempo de pensar isso. Minha vinda tem a ver com a paixão com que se vive o jogo aqui. Nossa torcida é um exemplo disso. Quando digo que estou apaixonado é ter um ambiente como o que vivemos hoje. É isso que me apaixona e me levou a vir para um campeonato tão competitivo e exigente. Começando pela nossa torcida, que também apoia e sabe quando estamos dando a vida pelo time. O futebol me deu muitas coisas e a principal que valorizo muito que é a paixão pelo que eu faço. Eu adoro o que eu faço. Isso não se compra e não se paga. Quando não sentir mais isso, não estarei mais sentado aqui respondendo as perguntas. Meu trabalho vocês vão ter que avaliar. Não só os resultados, há muitas circunstâncias que permitem que o trabalho tenha mais ou menos sucesso.

O que leva dos dois jogos

Levo o sentimento que a equipe passou. Que não existe impossível no futebol. Momento difícil contra o Vitória jogando 84 minutos com um jogador a menos. Hoje o mesmo contexto. Mostramos a nós mesmos como somos competitivos. Tivemos quatro jogos em 12 dias, o time deu uma resposta excelente, três vitórias. Mas não pode ser um hábito, porque sei que isso terá um custo alto na frente. Muitas vezes chegamos nas finais das competições no fim da temporada e vemos jogos fracos. Isso é por conta desse desgaste. É importante refletir. Não é uma crítica, é uma realidade. É um pouco exigente demais. Queremos dar respostas e precisamos que os jogadores estejam em condições. Para mim, não existem titulares ou reservas. Sim a equipe mais fresca e apta a dar a resposta condizente com a nossa necessidade, de uma vitória em uma competição. Era um peso grande que estava em cima de mim. Nos libertamos um pouco dessa pressão. Acredito muito no trabalho que estamos fazendo, o espírito e a competitividade que o time está mostrando. Estou confiante para o que vem.

Satisfeito com a fisiologia

Se for me basear nesses dados, nem o sub-20 poderíamos por. Está tudo no vermelho, temos muitos jogadores chegando no limite. Por exemplo, o Robert é um caso. Tem determinadas posições que não gosto de mexer para não desestruturar a equipe. O corredor central é uma dessas. O Robert era um caso desse como vários outros. Meu nível de satisfação é pela dedicação que esses jogadores tem. Tem mostrado capacidade e coragem grande. Quando pergunto o nível de desgaste e eles dizem que é mediano, eu sei que não é. É grande. Acrescente as viagens que vamos tendo, as noites mal dormidas. Pesquisem o aumento do índice de lesões na reta final das temporadas e isso triplica. Porque as lesões aparecem na fragilidade. Não é só no Vasco, mas em todas as equipes nesse contexto. De modo geral, nessa altura isso aumenta. Estou explicando de forma simples e objetiva para dizer que naturalmente não estou 100% confiante que todo mundo que esteve disponível para hoje pode estar 100% na quarta-feira. Somos assim. Temos mostrado vontade e determinação. Quando lutamos para ganhar e por coisas maiores, se supera essas fraquezas que queremos tornar pequeninas.

Sentimento para Copa do Brasil

As vitórias dão boas sensações. Quando ganhamos tudo parece bom, quando perdemos tudo parece ruim. Vitória dá confiança, principalmente em uma competição que era importante voltarmos a vencer. Não importa se era justo ou não, o fato é que não ganhávamos há muitos jogos. Nós jogamos, trabalhamos e lutamos para a nossa torcida e para a grandeza do clube. A melhor sensação é chegar ao final e ver a satisfação na arquibancada. É uma satisfação inigualável. Não se paga. Se sente ou não. Ganhar traz muita coisa boa, mas mais responsabilidade. É isso que queremos.

Bilhete para o Tchê Tchê

Foi até no contexto defensivo. Estava confuso porque eu tinha pedido uma coisa, quando o jogo foi desenrolando eu pedi outra. Quando vi que não estava acontecendo entendi que precisava mandar um bilhete para ele entender o que eu queria. Ele perguntou se podia continuar ali, eu disse que sim. Ainda bem que ele tem sensibilidade, experiência, qualidade e acima de tudo persistência. É inteligentíssimo na forma como se move. Muitas vezes olhamos e não percebemos que é um jogador muito equilibrador com bola e sem bola. Como ele teve no gol que fez. Rouba a bola, ganha o lance. É um jogador perspicaz. Conseguiu desbloquear um momento do jogo ao nosso favor. Eu mando bilhetes para não gerar dúvidas, para o jogador saber o que quero. É dentro disso, basicamente tentar ser o menos confuso nas instruções para o jogador ter clareza do que fazer.

Posicionamento do Colidio

Tem a ver muito com a análise do adversário. O contexto que temos na frente. Com mais um atacante para chegar que vai dar mais versatilidade. Vai permitir que tenhamos mais soluções. Colidio pode jogar fora, dentro, como segundo atacante. É muito versátil. Hoje achei que dentro das mudanças do Cruzeiro, a forma como defendiam e a capacidade que o Colidio tem de ligar nosso ataque, o corredor central era o mais adequado. Tivemos o Andrés e o Adson, que merecia um gol. Uma boa performance, só faltou ter feito as oportunidades que criou. De resto, fez um jogo à perfeição. Isso nos permite ter um jogo mais diversificado e criar mais dificuldades ao adversário. É um prazer novamente fazermos mais de 20 finalizações, com muitos toques na área do adversário. Isso é um prazer para o treinador, estamos avaliando bem nossos jogadores e dando coisas que eles gostam de fazer. Eu gosto muito de atacar, com equilíbrio. Isso para mim é um presente para assistir.

Foto: Matheus Lima/VascoPedro Emanuel
Pedro Emanuel

Fonte: ge
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