Futebol

32 anos sem Dener: Família promove homenagem no bairro do ex-vascaíno

A morte de Dener completa 32 anos neste domingo. A despedida precoce de um jogador que encantou o Brasil em tão pouco tempo ecoa no imaginário dos amantes de futebol. Deniz, filho do craque, luta para a data receber um novo significado.

Neste sábado, dia 18, será realizada a terceira edição de um jogo em homenagem a Dener, às 10h, no estádio Thomas Mazzoni, na Vila Ede, Zona Norte de São Paulo, bairro onde o ídolo da Portuguesa nasceu e a família vive até hoje. A partida contará com antigos companheiros, como Roque, com quem atuou na Lusa, além de nomes conhecidos do futebol, como Marco Aurélio e Somália.

Com passagens por Portuguesa, Vasco da Gama e Grêmio, Dener faleceu aos 23 anos, após um acidente automobilístico na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, e deixou três filhos: Deniz, Felipe e Matheus. Por anos, o mês de abril, que também marca o aniversário do ex-jogador, se tornou um período triste para a família.

— Por anos foi um mês difícil na minha casa. Meu pai faz aniversário dia 2 de abril, faleceu no dia 19, e depois de três dias é aniversário da minha mãe. Desde que meu pai faleceu, minha mãe perdeu o motivo de comemorar o aniversário. Então era um mês que a gente ficava recluso dentro de casa, entre eu meus irmãos e minha mãe.

— Todo mundo fala que a saudade passa com o tempo. Para mim, ela só aumenta. A diferença é que hoje a gente tenta lidar de outra forma: em vez de ficar só no lamento, faz esse projeto para relembrar a história dele com carinho — disse Deniz, em entrevista ao ge.

Foi desse período de luto que surgiu, anos depois, a ideia de transformar a data em homenagem.

Ressignificar

A iniciativa começou de forma despretensiosa a partir de um gesto de carinho. O artista amazonense Kelton Medeiros procurou Deniz para fazer um grafite em homenagem a Dener, na Vila Ede. Ao lado do amigo Fábio, ele organizou um churrasco para recebê-lo.

— Primeiramente era só um churrasco, receber o amigo que ia fazer a parede do meu pai. Depois tudo caiu para esse jogo, desde lá as coisas só vão melhorando, de estrutura e tudo mais.

Desde o início, a proposta é que o jogo ocorresse na Vila Ede. Deniz conta que nem cogitou levar a homenagem para outro local.

— Meu pai amava esse lugar, todo momento que tinha folga ele só queria ficar aqui. Passou isso para os filhos, a gente só quer vir para cá também. A minha família mora aqui ainda, no mesmo lugar, na rua em que ele nasceu. Então é um lugar especial. Eu até poderia fazer esse jogo em outro lugar, no Canindé ou em um estádio maior, mas perderia o sentido.

Deniz tinha quatro anos quando o pai morreu. Conviveu com o luto compartilhado por torcedores que admiravam o futebol de Dener. Também viu a família enfrentar disputas judiciais envolvendo o nome do ex-jogador.

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Em 1994, o Vasco não fez seguro de vida ao atleta no ato da contratação, apenas por acidente de trabalho. A família de Dener entrou na Justiça pedindo indenização de R$ 15 milhões, em um processo que se arrastou por anos e, em 2007, foi determinado o pagamento de cerca de R$ 5 milhões, valor quitado apenas em 2015.

— A gente não fala mais sobre isso. Era um direito do meu pai e minha família tinha que brigar por isso. Nós tínhamos que reaver esse direito que era do meu pai. Nós não falamos mais disso porque é tudo com a Justiça.

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Agora Deniz quer ver o nome do pai associado não apenas à tragédia que encerrou sua vida, mas também à memória do jogador que marcou época.

— Ele jogou muita bola, todo mundo fala, mas é pouco falado quando se trata no dia a dia. É mais nestas datas, da morte, mas são 32 anos, 32 anos e o nome ainda tem essa força grande, não é à toa que hoje eu estou dando entrevista lembrando dele. O nome dele é muito forte.

Carreira

Dener ganhou destaque no futebol em 1991, quando foi campeão e o craque da Copa São Paulo de Futebol Júnior pela Portuguesa.

Promovido aos profissionais, ficou conhecido pelos dribles. Em 1993, foi emprestado ao Grêmio, onde conquistou o título gaúcho. Em 1994, foi emprestado ao Vasco, onde conquistou o título carioca.

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— Na internet, o que mais chegam são pessoas que me falam que foram batizadas de Dener por conta do meu pai, os pais apresentam. Esses dias o Flora, do Corinthians, que tem 12 anos, falou que se inspirava no meu pai para jogar, isso eu fico muito feliz de ver.

Neste ano, Deniz fez questão de remeter às passagens de Denner pela Seleção Brasileira. Foram nove jogos pela equipe olímpica e duas partidas pela seleção principal. O que inspirou os uniformes deste ano.

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— Teve a azul, que foi a da Seleção Olímpica, e a verde amarela, que foi na seleção principal. Eu me inspirei nisso porque é ano de Copa, e todos os jogadores vão ser presenteados com a camisa dele, cada um vai levar o seu fardamento para casa, pode ser que as pessoas queiram usar na Copa, todas têm o número 10 com Dener nas costas.

A expectativa é de que o evento siga crescendo nos próximos anos, sem perder a essência que o aproximou da comunidade.

— Hoje tem 32 anos que ele faleceu, se depender vai ficar 62 anos, 72, 82, até onde eu tiver forças para lutar e sempre fazer alguma coisa para que o nome dele seja lembrado eu vou fazer, de todas as formas.

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Fonte: ge
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