A eliminação do Vasco da Gama para o Fluminense deixa lições para o próximo técnico do clube de São Januário. Em um time carente de referências em campo, após as saídas dos três principais jogadores do elenco e do treinador Fernando Diniz, a equipe fez um primeiro tempo competitivo sob o comando de Lazaroni, mas viu a classificação escapar nos pés de Brenner e no braço de Barros.
Sem Diniz e sem as referências Rayan, Vegetti e Coutinho, o mínimo que o Vasco pode fazer é tentar ser competitivo. E a equipe não vinha conseguindo isso. Os jogos contra Fluminense e Santos na semana deixaram evidente que o time precisava de mudanças.
Lazaroni entendeu o que o jogo pedia. O treinador interino tirou os jogadores que estavam mais abaixo do restante da equipe — Nuno Moreira e Paulo Henrique — e apostou em um time fisicamente mais forte para a bola longa e a pressão, com David no ataque e Puma Rodríguez na lateral.
O Vasco não fez um jogo brilhante no primeiro tempo. Mas o torcedor não esperava uma equipe completamente refinada técnica e taticamente. Ao menos, a mudança de postura foi nítida. Não porque os jogadores não estivessem correndo antes, mas porque o time estava mais apto fisicamente para sustentar a pressão e reter a bola.
A equipe abriu o placar no Maracanã com Robert Renan, em uma rara oportunidade pelo alto após cobrança de escanteio — fundamento que o Vasco explora mal há bastante tempo. São poucos os escanteios de que a equipe costuma tirar proveito. A virada poderia ter vindo no segundo tempo com Brenner, na cobrança de pênalti, mas o atacante desperdiçou a chance da classificação.
Não por acaso, o pior momento do Vasco na partida ocorreu logo após as mudanças de Lazaroni no segundo tempo. O time perdeu a capacidade de segurar a bola no ataque. Spinelli não tem a mesma capacidade de retenção de Brenner. Adson não possui a mesma imposição física de David. E Nuno não oferece a intensidade de Rojas na marcação.
Foi em um erro do português que a posse saiu dos pés do Vasco e passou ao Fluminense. O Tricolor pressionou até a jogada terminar na área, quando Barros colocou a mão na bola. O pênalti foi a pá de cal em um time que já estava abalado pelo erro de Brenner e que sentiu as alterações.
O próximo treinador do Vasco terá vários desafios. A saída de bola do sistema defensivo provoca apreensão no torcedor a cada passe. Quando avança, o time ainda é refém de uma posse por vezes estéril.
Sem Coutinho e Diniz, o Vasco tem peças para montar uma equipe forte em transição. Para isso, é necessário um time fisicamente intenso, compacto e agressivo sem a bola. Os espaços entre as linhas não podem continuar aparecendo, como vêm ocorrendo desde o fim do ano passado. Também não há necessidade de manter a linha defensiva tão alta, assumindo riscos que custaram caro na final da Copa do Brasil e em outros momentos de 2026.
O Vasco precisa montar o time em torno de Thiago Mendes e Andrés Gómez. É necessário recuperar jogadores em baixa, como Paulo Henrique, Nuno e Piton, além de dar confiança a Hinestroza, Brenner e Cuiabano, que serão importantes para o elenco.
Antes de tudo, porém, é fundamental agir rapidamente na contratação de um treinador — e que o novo técnico monte a equipe mais equilibrada possível. São 11 dias até o jogo contra o Palmeiras, adversário que o Vasco não vence desde 2015. Depois, haverá mais uma sequência de partidas a cada três dias. Não há mais margem para erro.
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