A retrospectiva do conturbado ano do Vasco em 2018

31/12/2018 às 07h10 - CLUBE

Um ano bastante conturbado. Dessa forma podemos resumir o que foi 2018 para o Vasco. Já em janeiro, o torcedor vascaíno identificou que dificilmente o clube teria paz. Antes mesmo da eleição na Lagoa que definiria o presidente, a justiça instaurou um triunvirato no Vasco. Com isso os candidatos Eurico Miranda, Julio Brant e Fernando Horta governaram o clube, que naquela semana estreou no Carioca em São Januário com portões fechados. Isso foi apenas o começo do que estava por vir. No final das contas, nenhum dos três se tornaram presidente, mas sim Alexandre Campello, o vice da chapa de Brant.

Essa situação marcou a história do clube, já que nenhum candidato havia perdido a eleição do Conselho Deliberativo após ter vencido o pleito feito pelos sócios. A partir disso, a política se tornou assunto principal no Vasco, deixando o futebol em segundo plano. A todo momento surgiam liminares que anulavam a eleição e recursos derrubando a decisão anterior para manter o pleito valendo. Essa situação permaneceu durante todo ano, interferindo diretamente no desempenho do time dentro de campo. Ao todo o Vasco disputou cinco competições, não tendo vida fácil em nenhuma.

Campeonato Carioca

Apesar de ter ficado com o vice-campeonato, o Vasco começou a competição muito mal. Na Taça Guanabara, o time nem se classificou para as semifinais. Somou apenas 7 pontos e ficou em 3º no grupo, atrás de Flamengo e Bangu. Na Taça Rio o Vasco conseguiu a classificação em 1º, somando 13 pontos, mas acabou eliminado na semifinal ao ser derrotado pelo Botafogo por 3 a 2.

Por conta de um regulamento no mínimo confuso, o Vasco chegou na semifinal do Carioca devido a soma dos pontos nas fases de grupo. Enfrentou o Fluminense, que tinha a vantagem do empate por ter conquistado a Taça Rio. Após um jogo emocionante, acabou vencendo de virada, no último segundo da partida, com gol de Fabrício. Na decisão encarou o Botafogo. No primeiro jogo, vitória por 3 a 2 no Nilton Santos. Já na finalíssima, foi derrotado no Maracanã por 1 a 0, gol de Joel Carli no último lance do jogo. Nos pênaltis brilhou a estrela de Gatito Fernandéz, que pegou as cobranças de Werley e Henrique, dando o título para o Glorioso.

Copa Libertadores da América

Em meio ao caos político, o Vasco tentava manter o foco na disputa da pré-Libertadores, mesmo sem nem ter as passagens compradas pelo clube. Apesar de toda a dificuldade, o time embarcou para o Chile para enfrentar a Universidad de Concepción. Dentro de campo fez valer toda a sua grandeza perante o adversário e goleou por 4 a 0, sacramentando a classificação. Em São Januário, nova vitória, só que por 2 a 0. O fato histórico é que o atacante Paulinho se tornou o jogador mais jovem da história do clube a marcar um gol na Libertadores, superando Evander, que tinha marcado dois na estreia.

O próximo adversário para se chegar à fase de grupos foi o Jorge Wilstermann, clube tradicional da Bolívia. O Vasco conseguiu um ótimo placar ao vencer por 4 a 0, em São Januário. No entanto, não foi o suficiente para superar a altitude de Sucre. O time acabou sendo derrotado pelo mesmo placar, levando a classificação para os pênaltis. Nessa hora brilhou a estrela de Martin Silva, que pegou três cobranças, colocando o Vasco no Grupo 5, considerado o da morte. Afinal de contas, Cruzeiro, Racing e Universidad do Chile, estavam presentes.

O Vasco começou mal a fase de grupos, perdendo em casa para o time chileno por 1 a 0. No entanto até deu uma boa impressão de que poderia se recuperar, já que conseguiu segurar o empate com o Cruzeiro no Mineirão, por 0 a 0. Entretanto, sofreu um duro golpe. O atacante Paulinho fraturou o cotovelo e fez o seu último jogo pelo Vasco, já que foi vendido para o Bayer Leverkusen. A partir disso, só vexame

Goleadas e prêmio de consolação

Após a lesão de Paulinho, o Vasco se desencontrou e acabou sucumbindo perante aos adversários mais fortes. Foi goleado pelo Racing por 4 a 0, em Avellaneda. No Rio, até conseguiu um empate heroico com o time argentino, por 1 a 1, mesmo estando com um jogador a menos. O ponto conquistado deixava o Vasco com chances de classificação para a próxima fase. Entretanto foi novamente goleado por 4 a 0, dessa vez dentro de São Januário para o Cruzeiro, encerrando matematicamente qualquer possibilidade de avançar para as oitavas de final.

Como consolação, restou apenas a vaga na Copa Sul-Americana. Para isso o Vasco precisava vencer a Universidad, no Chile, por dois gols de diferença. O time conseguiu o objetivo ao bater o adversário por 2 a 0, gols de Bruno Silva e Yago Pikachu, ficando com a 3ª posição no Grupo 5.

Copa do Brasil

Por ter disputado a Libertadores da América, o Vasco entrou na Copa do Brasil já nas oitavas de final. Acabou sendo eliminado pelo Bahia. No primeiro jogo, derrota por 3 a 0, na Fonte Nova, em uma das piores atuações da equipe sob o comando do técnico Zé Ricardo. No jogo da volta, Jorginho era o técnico do Vasco. A partida aconteceu um dia depois da final da Copa do Mundo. O Cruzmaltino até venceu o Tricolor Baiano, mas não pelo placar necessário. A partida terminou em 2 a 0.

Copa Sul-Americana

A história de repetiu na Copa Sul-Americana. O Vasco acabou sendo eliminado para a LDU, ao perder o jogo fora de casa e não conseguindo reverter o placar em São Januário. Na altitude de Quito, o Cruzmaltino foi derrotado por 3 a 1. Já no Rio, venceu por 1 a 0, faltando apenas um gol para conseguir a classificação. Os dois gols do confronto foram marcados pelo meia Thiago Galhardo.

Campeonato Brasileiro

A caminhada na competição mais longa da temporada foi uma verdadeira via crúcis. Em nenhum momento o Vasco flertou com a zona de classificação para a Libertadores. Na verdade a cada rodada a preocupação era com a zona do rebaixamento. As derrotas no Brasileirão foram as responsáveis pelas trocas de técnicos durante o ano. Zé Ricardo pediu demissão após derrota para o Botafogo em São Januário. Já Jorginho foi demitido depois de perder para o Palmeiras, em São Paulo.

A campanha do Vasco será lembrada por marcas negativas. A equipe foi a única que não conseguiu vencer duas partidas de forma consecutiva na competição. Além disso, o Vasco também foi o único time que não conquistou uma vitória fora da sua cidade. Até o Paraná levou uma vitória na bagagem após atuar como visitante. Esses dois fatos explicam bem o motivo do Vasco não ter sido rebaixado. A permanência na Série A foi sacramentada apenas na última rodada, após um empate dramático contra o Ceará, no Castelão.

Maxi López, um fato positivo da temporada

Para não dizer que o Campeonato Brasileiro foi de todo ruim, a competição foi a responsável pelo nascimento de um caso de amor entre Maxi López e o torcedor vascaíno. O argentino chegou ao clube com status de pop star após um longo período na Europa. Aparentemente acima do peso, o atacante fez valer a contratação e contribuiu bastante dentro de campo. Maxi López marcou 7 gols, deu 6 assistências e contribuiu com um corta-luz sensacional para mais um gol do time, feito por Yago Pikachu. Ou seja participação direta em 14 gols, dos 18 que o Vasco fez com ele em campo. Seguramente podemos afirmar que Maxi López contribuiu diretamente para o time conquistar 14 pontos. É difícil pensar que o Vasco permaneceria na elite do futebol brasileiro se não fosse a presença do argentino.

Foto: Bruno Brazalexandre campello
alexandre campello

Fonte: Esporte24Horas