Alex Dias: Se tivessem cumprido o acertado, não haveria essa situação

20/01/2006 às 02h09 - FUTEBOL

Não bastava ser um bom parceiro de ataque e amigo de Romário fora das quatro linhas. Alex Dias queria ser vizinho do camisa 11. Condição financeira não lhe faltaria, caso recebesse em dia os R$ 72 mil líquidos mensais que seu sócio e procurador, João Rodrigues Cocá, afirma constar no contrato com o Vasco. Mas a realização do sonho teve um preço alto demais para quem cobra do clube na Justiça o salário de dezembro, décimo-terceiro e depósito de FGTS.

Cada parcela do apartamento recém-adquirido por Alex Dias no condomínio Barra Golden Green, onde também mora Romário, custaria R$ 58 mil mensais, com R$ 6 mil de juros em caso de atraso. A dificuldade para honrar o compromisso está no centro da frustrada tentativa de deixar o Vasco através de uma liminar, na última terça-feira. Alex Dias só não conseguiu sua liberação junto à 27 Vara do Trabalho porque a diretoria do Vasco depositara na sexta-feira o salário de novembro e o Fundo de Garantia referente a outubro e novembro.

Ontem, Alex Dias deu uma coletiva sobre o assunto e falou sobre a dificuldade para honrar seus compromissos no novo lar.

- Vi que as coisas estavam atrasando e tive de tirar dinheiro da minha construtora, em Goiânia. Comprei um imóvel aqui no Rio e estou tendo de pagar juros. É vizinho ao do Baixinho - disse Alex Dias. - Ele (Romário) não me pôs numa furada, não. Foi um bom negócio que fiz.

Acompanhado de seu advogado, Renato Góes, o atacante garantiu que não vai desistir da briga judicial. Só espera que a torcida do Vasco, que em parte o vaiou no jogo contra o Volta Redonda, na quarta-feira, entenda a luta por seus direitos trabalhistas. A audiência na 27 Vara está marcada para o dia 23 de março.

- Estou apenas pleiteando meu direito. O Vasco não está cumprindo com as obrigações trabalhistas. Não tenho nada contra a diretoria e muito menos contra a torcida - afirmou o atacante, sem querer comentar as declarações do presidente Eurico Miranda, de que o Vasco nada lhe deve. - Sobre a palavra dele não quero entrar em detalhes.

O desabafo prosseguiu:

- Se sou ídolo da torcida do Vasco é porque honrei a camisa. Nunca dei motivo para o clube cobrar nada de mim. Se tivessem cumprido o acertado, não haveria essa situação.

Acostumado a aplausos, o atacante acredita que a pressão da torcida logo cessará.

- É ruim ver parte da torcida me hostilizar, mas eu ainda não havia dado a minha versão. Não me arrependo de ter entrado na Justiça.

Fonte: O Globo