O Vasco foi ao Couto Pereira nesta quarta-feira para enfrentar o Coritiba, com a missão de superar quatro desfalques — dois de titulares absolutos. O empate por 1 a 1 foi resultado justo, mas indigesto para os vascaínos, que abriram o placar fora de casa, criaram chances para matar a partida, mas não souberam administrá-la.
Sem Andrés Gómez e Cuiabano, a missão era repor dois dos principais jogadores desde a chegada de Renato Gaúcho. O time respondeu bem às entradas de Lucas Piton e Marino Hinestroza entre os titulares. O maior problema apareceu quando a equipe precisou recorrer ao banco no fim da partida. Sem outras opções recorrentes, como Spinelli e Puma Rodríguez, o time sentiu as mexidas de Renato e caiu de produção.
O gol do Coritiba aos 45 minutos da etapa final, embora evitável, já parecia questão de tempo. O empate foi justo pelo que as duas equipes criaram, mas o Vasco mais uma vez pecou por erros evitáveis e desperdiçou dois pontos fora de casa. Falta consistência, o que ainda separa o clube do principal pelotão do Brasileirão.
É fato que o Vasco não fez bom jogo no geral, mas é importante observar que, mesmo em noites abaixo do ideal, a equipe segue pontuando. Por outro lado, foi a terceira vitória que o time deixou escapar no Brasileirão por gols sofridos nos acréscimos — como já havia acontecido contra Chapecoense e Cruzeiro. Com tantos desfalques, a vitória no Couto Pereira seria um resultado e tanto para o restante da competição.
Jogo maduro no primeiro tempo
A equipe de Renato Gaúcho soube resistir à pressão inicial do Coritiba nos primeiros 15 minutos. O time não pressionava o adversário e se postava na defesa. A partir desse momento, passou a controlar o jogo, muito pela entrada dos jogadores do lado direito na partida. Antes, a equipe concentrava as ações pela esquerda, sem gerar chances — com exceção de grande jogada de David, que rolou para Thiago Mendes finalizar por cima.
Hinestroza protagonizou uma bela jogada ao tabelar com David e acertar a trave aos 18 minutos. Foi o primeiro bom cartão de visitas do colombiano, ainda em adaptação no clube. Em um intervalo de 10 minutos, o Vasco dominou o campo de ataque e a posse de bola. O time voltou a ameaçar em finalização de Piton após escanteio. O gol vascaíno saiu em uma boa ação trabalhada por Paulo Henrique e Tchê Tchê, em chute de canhota do volante.
Importante analisar como Renato Gaúcho tem resgatado Tchê Tchê no elenco vascaíno. Claramente não é o jogador para atuar de segundo volante, com apenas um meia defensivo para cobri-lo. Mas é um jogador interessante que entende bem a função de meia que cai pelos lados. O gol nasce de uma triangulação bonita com PH, em uma jogada já esboçada nas últimas partidas.
Após o gol, o Vasco recuou as linhas de marcação e tentou explorar contra-ataques, mas pecou na afobação de David e Hinestroza. Faltou fluidez para aproveitar os espaços cedidos pelo Coritiba. As principais chances dos mandantes surgiram em erros vascaínos, como perdas de posse de Hinestroza e Hugo Moura na entrada da área, ou no passe equivocado de Saldivia que gerou boa chance.
Segundo tempo fraco e mexidas de Renato
Os últimos 45 minutos da partida foram ainda piores. O Vasco recuou demais e deu campo ao Coritiba, que passou a controlar o jogo. A equipe teve dificuldades para conter Lucas Ronier, destaque pelo lado direito. Léo Jardim evitou um golaço do atacante.
Mas a equipe do Vasco sentiu mesmo as mudanças no segundo tempo. Ao buscar mais fôlego para definir o jogo, Renato sacou Hugo Moura e David para as entradas de Barros e Brenner. França, Avellar e Mutano entraram nas vagas de Nuno, Piton e Hinestroza. O time se desorganizou e perdeu controle, com um ataque jovem e precipitado.
Um lance que resume a falta de experiência e qualidade para sacramentar a vitória do Vasco aconteceu dois minutos antes do gol do Coritiba. Mutano arrancou pelo meio ao aproveitar falha do adversário e tocou mal para França, que se enrolou ao dominar a bola. Brenner, precipitado, finalizou de longe sem perigo para o gol do Coxa.
Na jogada seguinte, o Vasco sofreu o gol de empate em um vacilo de todo o sistema defensivo. Josué, que assim como Ronier levou muito perigo pela direita, cruzou nas costas de Paulo Henrique, este que não acompanhou Felipe Jonathan. Saldivia foi mal no lance e cabeceou contra a própria meta, e Léo Jardim ficou perdido em todo o lance.
Renato tinha outras opções no banco. Matheus França está bem atrás de Rojas em desempenho, mas foi escolhido. Lucas Freitas, que já atuou como lateral-esquerdo, poderia ter sido alternativa para Avellar. Adson, em bom momento, também poderia ter sido acionado no lugar de Mutano.
Mais do que escolhas, o foco deve ser voltado para a falta de concentração do Vasco em lances decisivos. E não é um problema da equipe de Renato Gaúcho, que faz um grande trabalho de recuperação no Brasileirão. É uma questão crônica do elenco há mais de uma temporada.
O Vasco não irá vencer todos os jogos, mas pode evitar deixar pontos pelo caminho no Brasileirão em vacilos como os cometidos nesta quarta-feira, no Couto Pereira.
Ao mesmo tempo, é importante seguir sem perder sob o comando de Renato Gaúcho no Brasileirão. A partida contra o Botafogo, no sábado, terá o retorno de Gómez, Cuiabano e Puma Rodríguez, o que já naturalmente eleva a qualidade das opções à disposição do treinador do Vasco.
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