Análise: Vasco enfrenta limitações, mas entrega pouco até quando joga bem

05/05/2019 às 08h11 - IMPRENSA

O Vasco está no meio da tabela entre os clubes que têm mais gastos com salários em regime de CLT - são R$ 3 milhões sem levar em conta acordos de direitos de imagem, que podem acrescer 40% a mais de custos aos clubes. O levantamento é do blog do jornalista Mauro Cezar Pereira, no "Uol", e leva o torcedor a olhar a tabela do Brasileiro.

Em três rodadas, são nove pontos disputados, apenas um conquistado - em mais um prenúncio de ano de ameaça de rebaixamento, fantasma que assombrou três vezes os vascaínos desde a inédita queda em 2008. Era para tanto com orçamento bem maior que, pelo menos, metade dos adversários da Série A?

A resposta não está no empate de 1 a 1 com o Corinthians na Arena Amazônia. O Vasco do interino Marcos Valadares - por sinal, a diretoria ainda sustenta que "para contratar uma aposta, melhor deixar o Marquinhos" - até fez boa partida, se levar em consideração a construção de jogadas, a organização do time, que pouco sofreu na partida - Sidão, o estreante da tarde quente de Manaus, não fez uma grande defesa -, mas não venceu e só tem um ponto.

Erros de Luiz Gustavo e Winck

Foi possível ver um pouco de organização, paciência e troca de passes no Vasco no primeiro tempo contra o Corinthians. Se saiu atrás em consequência de erro na saída de bola de Luiz Gustavo – e a frouxa marcação atrás de Mateus Vital, que entrou na área e finalizou depois de passar por dois (Winck foi fintado duas vezes) -, o time de Marcos Valadares conseguiu se aprumar de novo e procurou espaço para empatar.

Com Yan Sassé de um lado, Rossi do outro, Pikachu e Raul pelo meio, os quatro sincronizavam avanços e recuos para abrir o corredor em passes longos. Deu certo em algumas oportunidades no primeiro tempo. O problema era que o time de Fabio Carille fechava as portas da área e o cruzamento, invariavelmente, era travado. Com 30 mil pessoas na Arena da Amazônia e maioria vascaína, o time mandante marcou em cima a zaga corintiana e até conseguiu algumas roubadas de bola no campo de ataque.

O gol de empate saiu após o Vasco tentar duas vezes pela direita, com Winck, Rossi e Pikachu, que deu ótima bola para Rossi, derrubado por Carlos Augusto. Depois do VAR, Maxi bateu e fez o segundo gol dele no Brasileiro – já havia marcado contra o Atlético-MG, na derrota por 2 a 1 em São Januário.

Um time dependente do "e se..."

Rossi fez boa partida. O ponta direita não sossega. Tenta ir para cima em todas as jogadas. Não dosa energia, não cadencia. Talvez por isso sofra com lesões musculares e tenha saído na metade do segundo tempo. O Vasco planejava que ele só atuaria de 45 a 60 minutos. Valdivia entrou e mais uma vez - no seu segundo jogo depois de longo tempo de inatividade, é verdade - não conseguiu achar bom passe, driblar ou finalizar bem.

Foto: Raphael Zarko / ReproduçãoVasco teve menor intensidade no segundo tempo contra o Corinthians

Mas é inevitável lembrar que o Corinthians tinha apenas Cássio e Ralf entre os titulares - a dupla disputou com o São Paulo as finais do Paulista. Valadares enxergou neste ponto a melhora dos paulistas na segunda etapa, mais descansados. Rossi, cansado, saiu. Com Valdivia, o Vasco só voltou a incomodar com Jairinho, o arisco ponta que veio do Bangu. O jogador, emprestado até o fim do ano ao Vasco, driblou, sofreu faltas, marcou e provocou até cartão amarelo de Jadson. Mostrou personalidade.

Mas é possível acreditar na explosão ou constância de um jogador de 28 anos que estreou na Série A? É possível acreditar em boa fase duradoura de Ricardo Graça, que cresceu bastante nas últimas partidas? Maxi López, que fez o segundo gol consecutivo, será um jogador de pivô na área, pouca mobilidade e efetivo? Bruno César ainda vai crescer?

O problema do Vasco é a quantidade de incógnitas e de incertezas para encarar um longo Brasileiro. A diretoria promete segurar ao máximo investimentos para não comprometer um apertado orçamento. No meio do furacão, Marcos Valadares vai seguir o trabalho, buscar padrão de jogo para a equipe que conhece há menos de um mês, e levar o trabalho até a corda esticar. E se não der certo? Aí mora o perigo do Vasco.

Fonte: GloboEsporte.com