Futebol

Aos 33 anos, Felipe ainda é a cara do Vasco

O rosto de Felipe pertence à galeria de grandes ídolos do Vasco. Com o passar dos anos, o perfil mudou e os cabelos rarearam.

Mas a categoria e o estilo inconfundível para driblar e dar passes permanecem como as fortes raízes de um jogador único, que, infelizmente, só começa a ganhar força no final do campeonato. Imune à raiva da torcida e ao malestar repentino que atacou seis jogadores na última quintafeira, que não resistiram a uma viagem de ônibus antes do jogo contra o Prudente, Felipe, aos 33 anos, é o antídoto contra a monotonia do fim de ano em São Januário. Dentro e fora de campo.

Enquanto os jovens Max, Rômulo, Dedé, Rafael Coelho e Rafael Carioca sofriam de ânsia de vômito e indisposição dentro do ônibus que levava a delegação do hotel para São Januário, Felipe continuou inteiro.

Segundo o médico do clube, Alexandre Campello, os jogadores assistiam a uma “pegadinha” na TV do veículo quando relataram o mal-estar.

O time teve a pior atuação neste Brasileiro. Ao contrário de Felipe, que deu dois passes para os gols de Rômulo e mostrou que enfrentar dificuldades em São Januário contra o lanterna, diante da torcida, não é motivo de piada.

— O Vasco, que esteve apático diante de sua torcida, precisa melhorar muito para jogar com o Fluminense — declarou Felipe.

Éder Luís ou Nunes A conquista da Libertadores, título mais importante do clube, fez de Felipe imortal.

Seu talento não está preso ao ano de 1998 e resiste ao tempo, que insiste em pôr de lados opostos a idade e a longevidade nos campos. Depois de cinco anos fora do Brasil, Felipe sabe que pode ter no restante da carreira a mesma quantidade de meses que ficou no Qatar. Em menos de um semestre, já matou a saudade da torcida do Vasco, carente de um ídolo de verdade.

— Na época em que jogava, o Vasco brigava na parte de cima da tabela. O importante agora é honrar a camisa e assumir uma posição mais digna — disse, sem se dar conta de que esta ainda é a sua época.

— Foi apenas uma expressão.

Quis dizer no tempo em que eu era mais jovem.

A juventude é relativa para Felipe, porque ele pode se comportar como um garoto em campo, e, ao mesmo tempo, assumir o posto de líder, que está vago no Vasco.

— Procuro passar para os mais jovens a minha experiência, a pressão que eu sofri aqui no Vasco. No último jogo, a torcida não compareceu. E está certa mesmo, porque se acostumou a vencer, às grandes conquistas...

A sequência de empates, lesões e falta de competitividade relegou o Vasco a um papel de coadjuvante no Brasileiro.

Felipe considera um castigo, porque é justamente agora que está livre de lesões que seu verdadeiro futebol prevalece.

Mas ainda restam jogos importantes, como o clássico de amanhã e partidas contra o Cruzeiro e Corinthians. Se Éder Luís, que já disse que poderia jogar mas ainda tem dores na coxa, não estiver em campo, Nunes será o substituto.

Melhor para Felipe, que terá uma referência no ataque: — Para mim, está sendo positivo. Gostaria que esta fase tivesse aparecido antes.

(Matéria reproduzida diretamente da versão papel do Jornal O Globo)

Fonte: Jornal O Globo
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