Bruno Mazzeo relata experiências como torcedor e declara amor ao Vasco

12/05/2020 às 16h34 - TORCIDA

Na última semana, o Site Oficial do Vasco conversou com quatro ex-jogadores do clube para relembrar jogos inesquecíveis pelo Cruzmaltino. Agora, a vez é de alguns torcedores ilustres. O primeiro convidado é o ator, roteirista e humorista Bruno Mazzeo, que bateu um papo conosco por e-mail e falou um pouquinho sobre a importância do Gigante da Colina na sua vida, relembrou algumas histórias, montou seu time dos sonhos e falou também sobre o atual elenco.
 

Filho do eterno Chico Anysio, outro grande vascaíno, Bruno conta que o pai não o influenciou na hora de escolher o time. O amor pelo Vasco veio naturalmente, mas o aproximou muito do pai, já que era um elo que os dois tinham e que passou para o primogênito do ator, João. Mazzeo ainda conta das idas aos jogos acompanhado de Chico e que sente muita falta de conversar sobre o Vasco com ele:

- Não, eu não acho que seja Vasco por influência do meu pai. Até porque na época em que comecei a me interessar por futebol, ele estava numa fase "de mal" por algum motivo, e se dizia torcedor do América. Meus irmãos acima de mim são Flamengo (mas abaixo, já são Vasco, tomei uma atitude). Então realmente não sei de onde veio essa paixão, mas sei que meu pai a motivou muito, ficava pedindo pra eu repetir pra todos os amigos que "eu era Vaxxxxco". Quando se mudou do Ceará para o Rio, ainda criança nos anos 30, escolheu o Vasco para torcer. Tinha muito prazer em contar as histórias do Expresso da Vitória, falava de Ely, Danilo e Jorge; de Jair da Rosa Pinto, Ademir, Barbosa, Coronel, Heleno... Ele não só frequentava os jogos, como era amigo de vários jogadores. Quando comecei a frequentar estádios, ia muito sem ele, até porque seus domingos normalmente eram viajando com seus shows. Mas chegamos a ir bastante, não só em São Januário e Mário Filho (ele gostava da antiga cadeira azul), mas também na Rua Bariri, Ilha... Mais tarde, quando eu já ia sozinho, gostava da arquibancada, ficava perto da Força Jovem, sabia todas as músicas... e algumas vezes o levei comigo. Poucas, ele não gostava muito de ver jogo em pé, rs. O Vasco sempre foi o nosso maior assunto. É quando eu mais sinto falta dele, durante jogos do Vasco.
 

Bruno viveu grandes experiências como torcedor. Ainda criança, entrou em campo com o time na decisão do Campeonato Carioca de 1988 e ficou eternizado ao lado de Geovani na foto posada antes do jogo, que o Vasco venceu o Flamengo por 1 a 0, gol de Cocada, e garantiu o bicampeonato. Ainda jovem, ele chegou até a viajar com o elenco, depois, com mais idade, passou a acompanhar o time jogo sim, outro também. E é o Vasco quem o ajuda a lembrar até de outras memórias:

- Verdade, muitas (experiências marcantes com o Vasco), e continuo vivendo até hoje. Não são poucas as memórias, histórias, sensações que remetem à várias fases da minha vida. Tanto que quando quero lembrar em que época aconteceu algo na minha vida, quantos anos tinha, onde morava, quem namorava, recorro ao Vasco. Se quero lembrar de um fato específico, lembro facilmente que momento do Vasco era, que time, e consequentemente quando aconteceu, e as perguntas que quero responder. O Vasco é parte da minha vida.
 

No dia 21 de abril, São Januário completou 93 anos e Bruno fez um post no Instagram para contar um pouco da relação dele com a Colina Histórica. Ele viveu diversos momentos de alegria no Caldeirão, viu o elo com o pai se fortalecer lá dentro, tem como momento marcante a primeira vez com o filho João, que virou parceiro de arquibancada, mantendo a tradição entre as gerações da família:

- A primeira vez que entrei com João, meu filho mais velho, em São Januário foi muito emocionante. O olhar dele, o abraço apertado que me deu enquanto estava no meu colo logo ao entrar. Hoje ele é um adolescente e virou meu parceiro de arquibancada. Com certeza o Vasco também vai ser um elo eterno entre nós.


CONFIRA OUTROS TRECHOS DA ENTREVISTA

Na semana passada, o Site Oficial do Vasco conversou com quatro ex-jogadores (Roberto Dinamite, Mauro Galvão, Euller e Sorato) e cada um escolheu seu jogo inesquecível pelo clube. Como torcedor, qual foi o jogo que você tem as melhores lembranças?

Seria realmente impossível eu escolher um só. Mas sempre que me perguntam sobre um em especial eu cito a final da Taça Guanabara de 86. Vitória de 2 a 0 sobre o Flamengo, com dois do Romário, o segundo no fim do jogo, num contra-ataque puxado pelo Mauricinho quando o rival pressionava (e Acácio, como sempre fazia em finais, fechava o gol). É o mais especial porque foi a primeira vez que vi um taça sendo erguida ao vivo. E quem ergueu foi Roberto.


Qual é o seu Vasco de todos os tempos? Do 1 ao 11. E quem seria o técnico?

São muitos os critérios para montar esse dream team. Envolve não só as qualidades do jogador em si, mas também sua importância e o quanto marcou pessoalmente a quem escala. Vou tentar montar usando esses fatores, o que inclui a emoção, não só a razão, com apenas jogadores que eu vi jogar.

No gol fico com Carlos Germano (mas poderia ser Acácio, outro goleiraço); na lateral direita Paulo Roberto, "o lateral do cruzamento certo"; na zaga Mauro Galvão e Ricardo Rocha (sem deixar de lembrar Donato e Alexandre Torres); na lateral esquerda Mazinho (também poderia colocar o Mazinho na direita e entrar o Felipe. Mas no Vasco o Mazinho nunca jogou na direita); no meio Juninho Pernambucano, Geovani e Bismarck - como é um time de sonhos, tudo bem inventar o Juninho de volante. Com menção honrosa a Zé do Carmo e Luisinho; na frente, não preciso nem pensar muito: Edmundo, Roberto e Romário. Mas tem jogadores que viveram excelentes momentos, foram marcantes em épocas específicas que merecem minha lembrança, como Donato, Tita, Sorato, Bebeto, Pedrinho, Valdir, Ramón... O técnico é difícil não ser o Antonio Lopes, principalmente pela sua ligação com o clube e grandes títulos.

Qual é o jogador do elenco atual que você mais tem identificação? E a garotada atual do elenco, acha que eles podem render bons frutos no profissional? 

Gosto e respeito muito o Leandro Castan, acho sua liderança e segurança fundamentais, sobretudo em momentos mais duros, como agora. Respeito o Yago Pikachu pela sua história com o clube, apesar da torcida pegar no pé dele. O Cano é um artilheiro matador como há algum tempo não tínhamos. E acredito muito na rapaziada, Andrey, Ricardo Graça, Talles Magno, Juninho, Marrony, Vinícius, Bruno Gomes, Caio Lopes, Lucas Santos, Miranda, Alexsander...

 

Foto: Arquivo PessoalBruno Mazzeo e o pai, Chico Anysio, nas arquibancadas de São Januário
Bruno Mazzeo e o pai, Chico Anysio, nas arquibancadas de São Januário

Fonte: Site Oficial do Vasco