Campello opina sobre retorno do Campeonato Carioca

17/06/2020 às 08h21 - FUTEBOL

A Federação de Futebol Estado do Rio de Janeiro voltou a se reunir com representantes dos clubes, em encontro virtual nesta terça-feira (16), para dar sequência ao arbitral iniciado na noite desta segunda (15). Depois de marcar as datas para o retorno do Campeonato Carioca, o objetivo da nova reunião era definir local e horário das partidas. Flamengo x Bangu segue confirmado para quinta-feira (18), mas o debate não avançou.

O calendário e a definição da tabela voltaram a pauta. Fluminense e Botafogo mantiveram suas posições contrárias ao retorno no dia 22 de junho, data marcada pela federação na reunião desta segunda. Os representantes do Alvinegro levaram a informação de que a comissão técnica deixou claro que não jogaria nos dias 22 e 25 deste mês, propostos pela FERJ. Paulo Autuori já havia dito em entrevista que não aceitaria um retorno precoce como cidadão e profissional, mas, ainda assim, as datas foram mantidas.

"Não houve consenso até o momento. O Botafogo tem uma linha de ação definida caso o quadro permaneça inalterado, mas espera que haja entendimento entre os clubes e o seu pleito seja atendido. Não há condições de cumprir esse calendário da forma que foi proposta", afirmou Nelson Mufarrej, presidente do Botafogo.

O presidente do Vasco, Alexandre Campello, chegou a sugerir uma outra opção de data, com Fluminense e Botafogo entrando em campo nos dias 28 de junho e 01 de julho. O Tricolor e o Alvinegro aceitaram a sugestõas, mas a FERJ não. 

"Acho que se deve buscar uma solução de consenso. Havia um acordo, unânime, de voltar aos treinos e jogos quando autorizado. Eles optaram por não fazê-lo. Claro que esta decisão traz prejuízos e eles não podem transferir está responsabilidade para os demais clubes. O pouco tempo de treino não deve servir de muleta para adiar as rodadas do campeonato. Seria punir aqueles que fizeram esforço para retomar as atividades", opinou o presidente do Vasco.

Após dois dias de longas reuniões e sem acordo em relação ao calendário para retorno do Campeonato Carioca, o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, garante que o clube vai buscar seus direitos na justiça desportiva.

“Em algum momento desta semana, chegamos a acreditar que, em atitude de um saudável exame de consciência, o conselho arbitral da Ferj mudaria a data de nossos jogos, promovendo a entrada dos times em campo somente em julho, quando esperamos semanas epidemiológicas menos graves para o estado do Rio de Janeiro. E em especial na capital, onde já há alguns sinais de uma tendência de redução dos casos de contaminação e de óbitos - ainda que haja alertas de que o relaxamento das medidas de isolamento social poderá provocar uma segunda onda de casos de Covid-19. No entanto, ignorando os riscos da pandemia e mesmo o risco de lesões aos atletas por falta de tempo adequado ao treinamento, o Arbitral optou por manter sua posição imprudente, estabelecendo as datas de 22 e 25 de junho para os jogos do Fluminense. Sendo assim, não resta outra alternativa ao clube senão buscar as medidas na justiça desportiva para fazer valer o que é certo, ou seja, remarcar a data de nossos jogos para julho. Seguimos no estado de calamidade pública e faremos valer nosso direito de somente entrar em campo quando tivermos o devido tempo de preparação física para garantir as melhores condições aos atletas e a devida segurança sanitária. O futebol ocupa um espaço muito importante na vida das pessoas. Mas os interesses ainda não muito bem esclarecidos de dirigentes não podem fazer com que ele se converta em risco à saúde e à própria vida das pessoas", afirmou o presidente tricolor.

Apesar de ter confirmado nesta terça-feira (16), o retorno do Campeonato Carioca com portões fechados para o dia 18, o prefeito Marcelo Crivella disse que nenhum time deveria ser obrigado a voltar e o ideal era que uma judicialização fosse evitada. A decisão cabe à Federação e aos clubes. Porém, nesta quarta-feira (17), os representantes das equipes terão uma reunião com o prefeito para conversa e definição das datas.

Vasco e Fluminense foram representados por seus presidentes, em nome do Botafogo participaram o presidente Nelson Mufarrej e Carlos Augusto Montenegro, membro do Comitê Gestor de Futebol. O Flamengo enviou mais uma vez Cacau Cotta, diretor de relações externas, e Bruno Spindel, diretor executivo de futebol.

Protocolo de segurança aprovado

Antes do encontro começar, o presidente da FERJ, Rubens Lopes, já havia sido informado que a Secretaria de Estado de Saúde enviou à Casa Civil uma resolução que autoriza o futebol sem público. A mesma será publicada no diário oficial do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (17). A entidade dependia da aprovação do protocolo de segurança para confirmar o duelo Flamengo e Bangu, que marcará o retorno do futebol no estado.

De acordo com o protocolo de segurança das partidas, elaborado pela FERJ e pelos médicos dos clubes, os profissionais envolvidos nas partidas devem ser testados 48 horas antes da bola rolar. Para o confronto desta quinta-feira (18), os testes para Covid-19 serão realizados no mesmo dia. O Bangu fará os exames no hotel em que a equipe ficará concentrada, e a testagem do Flamengo será feita no Ninho do Urubu. O procedimento vai envolver um teste de sorologia rápido e outro que usa a mesma metodologia do PCR. O primeiro fica pronto em 10 minutos e o segundo de 30 a 45 minutos.

Mais cedo, nesta terça-feira (16), um grupo da equipe de arbitragem do Rio de Janeiro também foi chamado na sede da FERJ para realizar exames de coronavírus. Os profissionais passarão também por uma nova testagem nesta quarta-feira (17).

Fonte: Esporte Interativo