Caos político está de volta ao Vasco

03/05/2018 às 08h00 - POLÍTICA

Algo que, infelizmente, se tornou corriqueiro em jogos do Vasco nos últimos anos, o clima político pesado voltou a trazer caos a São Januário. Na derrota para o Cruzeiro por 4 a 0, nesta quarta-feira, na Copa Libertadores, torcedores brigaram entre si tão logo xingamentos foram direcionados ao presidente Alexandre Campello. Clique aqui para ver os gols da partida.

Esta foi a primeira vez que boa parte da torcida se voltou contra o mandatário desde que ele assumiu a presidência em janeiro após conturbada eleição. No mesmo ato antes da confusão, vascaínos gritaram o nome do candidato derrotado Julio Brant, que estava acompanhado o duelo no setor social assim como o ex-presidente Eurico Miranda.

Policiais militares precisaram intervir com gás de pimenta e bastões, o que aumentou ainda mais o tumulto na arquibancada atrás do gol onde se situa uma das organizadas do clube. Pais com crianças tentavam colocar seus filhos nos camarotes pela janela.

Ao menos dois envolvidos foram presos. Um deles foi o vascaíno Yan Leonardo Faria Martins, membro de uma organizada do clube. De acordo com a PM, ele iniciou a confusão e foi detido por "provocação de tumulto", "lesão corporal", "dano qualificado" e "desacato". O torcedor foi encaminhado à Cidade da Polícia.

No segundo tempo, a segurança foi reforçada próxima ao camarote da presidência, onde Alexandre Campello costuma assistir às partidas junto aos seus aliados. No fim do jogo, um novo foco de briga aconteceu no mesmo lugar da etapa inicial. Único a ser aplaudido pela torcida, o meia Thiago Galhardo lamentou o episódio.

"Claro que a gente viu a briga da torcida, é algo que a gente não espera e não quer, mas às vezes os ânimos se exaltam. Não que seja certo ou errado, mas é difícil falar em um momento com esse", disse ao Sportv.

Jogador que foi ídolo dos vascaínos, o zagueiro Dedé, hoje no Cruzeiro, lembrou que a torcida cruzmaltina é muito diferente disso:

"É feio para o Brasil, para o cenário do futebol, totalmente exposto para a violência. O Vasco tem muito mais a oferecer do que essas confusões. Pelo que passei aqui, vi que a torcida é muito forte, tem muita gente no Brasil todo. Isso que aconteceu hoje não é legal, tomara que revejam isso, que venham para torcer. Torcedor fica chateado, eu sei, mas tem que pensar antes de tomar uma atitude dessas".

Ano passado, incontáveis brigas ocorreram em jogos em São Januário quando xingamentos eram direcionados ao presidente Eurico Miranda. Na pior delas, no clássico com o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro, um clima de total desordem e quebra-quebra - que culminou na morte de um torcedor do Vasco do lado de fora - resultou em uma punição de seis jogos para o clube, sendo três com portões fechados e outros três com o mando a pelo menos 100 km de distância do Rio de Janeiro.

Na maioria das vezes, um grupo de torcedores sem camisa se infiltra em meio aos que realizam gritos de protestos de cunho político e iniciam a briga. 

Eleição confusa e histórica
A eleição do ano passado foi marcada por muita confusão. Com suspeita de fraude, mais de 700 sócios tiveram de votar em uma urna separada por determinação da Justiça. Na época, Brant (como candidato a presidente) e Campello (como vice) se aliaram para vencer Eurico Miranda, algo que aconteceu na Assembleia Geral. Porém, como o pleito vascaíno é feito de forma indireta, restava ainda a votação entre os conselheiros.

Numa articulação nos bastidores, Campello rompeu com Brant, se aliou a correligionários de Miranda e ganhou de forma surpreendente, já que nunca na história do clube um vencedor na eleição entre os sócios perdeu no Conselho Deliberativo.

Fonte: UOL Esporte

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