Carlos Brazil e Maxi Biancucchi falam do novo reforço para a base

24/06/2020 às 08h11 - CATEGORIAS DE BASE

Se o Vasco encontra-se estagnado no mercado por conta das dificuldades financeiras no futebol profissional, o clube chamou atenção de sua torcida ao anunciar uma contratação para o time sub-20. Trata-se de Matías Galarza, volante paraguaio de 18 anos com passagens por seleções de base de seu país e que defendia o Olimpia.

Emprestado até 31 de janeiro de 2022, Matías não é conhecido do torcedor brasileiro. Com isso, o GloboEsporte.com recorreu a duas peças importantes da negociação para ter informações sobre o estilo do gringo e entender por que o Vasco o buscou no futebol paraguaio: Carlos Brazil, diretor executivo da base vascaína, e Maxi Biancucchi, ex-atacante que defendeu Flamengo, Vitória, Bahia e Ceará. Primo de Messi, Maxi, ao lado do brasileiro Régis Marques, é um dos representantes de Galarza.

Canhoto, Galarza saltou aos olhos do Núcleo de Seleção e Captação (SEC) do Vasco por ter alto índice de participação em campo. O poder de criação é o forte, mas a capacidade para roubar bolas também foi outro trunfo que fez o clube apostar no paraguaio.

- Hoje a gente não tem que chamar ninguém de volante, os meias fazem todas as funções naquele setor. Mas no Paraguai eles têm uma característica ainda maior nesse sentido por não terem o 10 clássico no esquema deles. Já não jogam mais tanto assim. Jogam com um meia-esquerda, um meia-direita e um volante que eles chamam de primeiro, que é como se fosse o nosso primeiro volante.

- Fazem uma espécie de triângulo. Esse menino jogava pelo lado esquerdo no Paraguai. Ele chega muito na área e defende bem. É um canhoto com habilidade e muito intenso durante o jogo inteiro, tanto marcando quanto atacando - explicou Carlos Brazil.

Matías Galarza, de 18 anos, tem passagens pelas seleções de base do Paraguai — Foto: Reprodução/Instagram

Com o português afinado pelos anos de Brasil, Maxi, que é irmão do ex-vascaíno Emanuel Biancucchi, lançou mão de gírias futebolísticas para explicar como Matías Galarza joga. Para ser o mais específico possível, definiu o cliente como um "motorzinho e um cara que não é preguiçoso, que ajuda em todas as faixas do campo". Confira o depoimento de Maxi:

"Matías Galarza é um volante, que pode jogar de primeiro ou de meia. É canhoto, que tem bom chute e participa muito da criação. Aqui no Olímpia e inclusive na seleção de base, ele chegava muito perto do gol para dar assistências. Tem bom passe.

É um cara que, apesar da qualidade que tem, também participa para roubar a bola e tem bom critério para se posicionar taticamente. É um volante misto, não é o clássico 10, cadenciado e que enxerga o jogo. Tem qualidade, porém é um motorzinho. Ele não para. Vai e volta, ajuda na marcação. Não é um jogador preguiçoso, é mais um motorzinho. Contribui em todo o campo.

O forte dele é a bola no pé. Tem um bom passe, um bom chute, mas não é preguiçoso. Acredito que tem muito a melhor e acho que é uma boa para o Vasco. Se ele se adaptar, pode ser uma boa opção para o profissional. Tem muita qualidade num esquema tático, jogador moderno que o treinador gosta".

Confira outros trechos das conversas com Carlos Brazil e Maxi Biancucchi:

Carlos Brazil

Uma coisa que chamou atenção foi o fato de o Vasco apostar num estrangeiro para a base, algo que não vinha acontecendo recentemente. Como surgiu o nome do Galarza para vocês?

- O núcleo de captação monitora a América do Sul de maneira geral. Mas não é tão simples quanto parece contratar jogador da América do Sul. O Vasco nesse momento não tem a menor condição de botar dinheiro na mesa. O que a gente faz é sempre tentar empréstimo com valor fixado. Só que clubes da América do Sul fixam o valor muito alto.

Não é dentro da realidade da maior parte dos clubes do Brasil. Estivemos muito perto de fechar com o Batalla (Emerson, atacante colombiano que se destacou pelo América de Cali na última Copa RS), mas esbarramos nisso.

Muitas vezes há empresários que trabalham na América do Sul. E o Régis (Marques, empresário de Galarza) trabalha muito em Paraguai e Uruguai. Quando o jogador nos interessa, vamos atrás dos empresários que têm os jogadores para tentar ver se tem a possibilidade. Foi assim que surgiu.

Você falou que os clubes sul-americanos fixam o valor para a compra dos direitos econômicos após o término do empréstimo em valores exorbitantes. O estipulado pelo Olimpia também é fora da realidade do Vasco?

- É um valor acessível. Por isso o empréstimo vai até 31 de janeiro de 2022. Ele tem duas Copas São Paulo de Futebol Júnior para jogar. É uma competição onde eles aparecem muito. Tem o Brasileiro também. Ele tem praticamente dois anos para mostrar o potencial. Se ele for por para o profissional, acho que vale o dinheiro. Mas vai depender muito dele.

Maxi Biancucchi

Por que Régis e você viram no Vasco uma boa oportunidade para o Galarza?

Nossa ideia de levá-lo para o Vasco é para que pegue toda a experiência no futebol brasileiro. Sabemos que o Vasco vem fazendo um grande trabalho no sub-20. A ideia é que possa se mostrar no Vasco. Se o moleque jogar bem, mostrar todo o potencial que tem e conseguir se afirmar, o Vasco pode fazer uso da opção de compra que tem.

Maxi destaca que Galarza pode crescer nas questões tática e técnica no Brasil

- É um jogador de muitas funções. Tecnicamente e taticamente vai melhorar aí no Brasil e tem uma idade em que já começa a transição para o profissional.

Você disse que não pode falar em valores, assim como o Carlos Brazil, mas a contratação sairia muito cara para o clube?

O investimento não é muito alto. Tomara que possa fazer grandes campeonatos e se firmar num clube como o Vasco. Acredito que tem muito a melhor e acho que é uma boa para o Vasco. Se ele se adaptar, pode ser uma boa opção para o profissional.

Fonte: GloboEsporte.com