Casaca! completa 20 anos nesta quinta-feira

26/03/2020 às 09h04 - CLUBE

Nosso dia

Naquele 26/03/2000, quando Eduardo Lopes escreveu sua coluna pós Vasco 6 x 0 Americano, da Taça GB, antevendo o problema de relacionamento que explodiria quatro dias depois entre Edmundo e Romário o Casaca! abria as portas para construir sua história.

Fundado pelo próprio Lopes, por Eduardo Maganha e Roberto Cavalcanti em pouco tempo muitos outros se incorporariam ao grupo, cada um com sua importante contribuição, independentemente do tempo ou da labuta em nome do Vasco e de uma concepção de Vasco.

Os nossos registros post mortem se manifestaram em inúmeros discursos ano após ano e nesse momento é importante relembrar dos nomes de Ana Maria, Bira, Jarbas Filho, Osmar Aloíse Galart, que estiveram até o fim, até o último momento, ligados a nós e tantos outros casaquistas que partiram dessa vida, doando-se à causa.

Foram anos em defesa do Vasco, como permanecem sendo hoje. Ligados sim à figura emblemática de Eurico Miranda, por conceito e entendimento de sua filosofia, independentemente de raras discordâncias pontuais e com a mão sempre estendida para ajudar, em troca de muito, ou seja, em troca de Vasco. Mais nada.

O Casaca! não apenas viu o Vasco passar por um torniquete financeiro implementado pela Rede Globo, como se opôs a ele, foi esteio para que o presidente do clube, também, brigasse e tivesse voz para isso, elucidou o público nos momentos de delírio do MUV e seus quase 95% de aceitação, manifestou-se, fosse em São Januário ou nas imediações do clube, em ampla minoria ou maioria.

O grupo é responsável pela maior campanha não oficial de sócios estatutários da história do clube, seguida, apesar de oposição inicial, por todos os grupos políticos e apolíticos do clube, usou sua rede, como os vascaínos casaquistas usaram as suas próprias, pelo fomento da extraordinária campanha pelo crescimento de sócios torcedores do clube no ano passado, sugerindo, inclusive, na véspera do fim estabelecido, que se prorrogasse até o natal, estando todos nós certos de que atingiria 200.000 inscritos.

O grupo foi crítico e elogioso dentro de preceitos seus, mas atuou em defesa do clube e sem busca alguma pecuniária em troca disso, daí porque ter envergadura moral para propor à Comissão de Reforma do Estatuto o recebimento geral no clube para cargos administrativos (opcional e com teto), dando fim à fofoca barata e visando um Vasco mais coeso, tanto quanto harmônico (claro que com todos os envolvidos votando no CD, afinal não faríamos uma proposta que visasse o contrário, com membros da direção impedidos de votar no conselho de sua própria gestão).

Houve outras iniciativas do grupo, como Copa Casaca!, com participação de associados e ex atletas profissionais, programa de rádio desde novembro de 2002, inicialmente como órgão de divulgação do clube e entre julho de 2008 a dezembro de 2014 pagos pelo próprio grupo, com ajudas de outros vascaínos casaquistas, junção para ajuda ao clube em itens da concentração que se construía em 2003, participação e divulgação em crowfundings, trabalho feito em site, Facebook, Twitter e Instagram, podcasts, contando com o hoje numeroso grupo de associados que nos acompanham ao longo dos anos e que permanecem conosco.

Nesses 20 anos, vimos o Vasco conseguir a maior virada de um clube, em todo o mundo em todos os tempos, numa decisão oficial de campeonato, na casa do adversário, saindo de um 0 x 3 no primeiro tempo, para um 4 x 3 ao fim do jogo.

Nesse período vimos um Campeonato Brasileiro ser conquistado em ritmo de festa, com uma resposta àquilo que se tentou covardemente fazer contra o Vasco e que só se conseguiu quando na metade de 2008 assumiu outra gestão com um ídolo de tantos de nós a servir àquilo que interessava aos outros e não ao Vasco.

Em 2003 vimos uma letra ser a resposta ao ódio midiático (parte da mídia) e o dizer de um jornal “Vasco Campeão na final da vergonha”, trazer para todo e qualquer vascaíno de bom senso, vergonha alheia pelo exemplo de péssimo jornalismo. Capas díspares de jornais, comparando-se feitos similares obtidos por Vasco e seu tradicional rival, queridinho de órgãos, que hoje tão discutidas nas mídias sociais e por alguns corajosos jornalistas, só nos dão razão, quase 20 anos depois.

Em 2011 tivemos a oportunidade de ver o Vasco conquistar a Copa do Brasil, com muita gente nossa presente ao Couto Pereira e outra parte celebrando com Eurico Miranda em uma casa portuguesa a conquista, com direito ao Casaca! tradicional ao fim do jogo.

Em 2015 vimos o que ninguém jamais havia testemunhado: uma vitória sobre o Botafogo em decisão de Campeonato Carioca. Depois de quatro fracassos consecutivos (1948, 1968, 1990, 1997) finalmente derrotamos o freguês de caderno do dia a dia (com raros períodos de exceção {anos 60, MUV, gestão Campello}), mas até ali algoz do Vasco nas decisões citadas.

No ano seguinte, o Bicampeonato Carioca, que não conquistávamos desde 1993, obtido de maneira invicta, algo que não víamos desde 1992 e novamente sobre o Botafogo.

No mesmo período, entre 2015 e 2016 três confrontos diretos seguidos que eliminaram o principal rival de três competições, algo inédito para o Vasco no confronto.

Nesse período o Vasco igualou o recorde de vitórias consecutivas na história da Taça Libertadores, junto ao Cruzeiro, aplicou a maior goleada da história nos confrontos contra Botafogo e São Paulo, bateu seu próprio recorde de invencibilidade em jogos oficiais, deixando para trás no quesito o maior rival e superando ainda clubes paulistas, gaúchos e mineiros dos 12 grandes, além de registrar junto a Corinthians e Cruzeiro a maior marca do século XXI de invencibilidade, 34 jogos, entre 08/11/2015 a 07/06/2016).

Um período em que vimos o verdadeiro fenômeno do futebol brasileiro ser artilheiro de uma Campeonato Brasileiro com 39 anos de idade (após ter sido o maior goleador de um Mundial, dois Campeonatos Brasileiros, um Torneio Rio-São Paulo e um Estadual antes) e ainda marcar o seu milésimo gol (por escolha própria), com a camisa do Vasco e em São Januário, nossa casa.

Por falar em São Januário, nossa casa, ela que fora considerada incapaz de absorver uma decisão, segundo escribas e intelectuais da época na imprensa escrita (falamos de 2000/2001), foi palco em 2005 e 2011 de duas finais de Copa do Brasil, como já havia sido antes e com o Maracanã em funcionamento ou não, das finais de Libertadores e Mercosul, simplesmente as maiores competições continentais da época.

O chocolate de 5 x 1 da Páscoa se deu nesse período, deliciando-nos a todos, com a conquista da Taça Guanabara, sem choro nem vela (no ano seguinte teríamos cinco de novo no Brasileiro), três anos depois, em pleno sábado de carnaval nova decisão e taça ganha contra o principal rival, após empate em 1 x 1.

Passaram-se 13 anos e coube aos manauaras presenciarem ao vivo outro título, vencendo o Vasco a equipe do Fluminense, que precisava apenas de um empate na partida decisiva.

Mais três anos se passaram e outra Taça Guanabara foi vencida, desta vez com 100% de aproveitamento, apesar da exposição de vascaínos ao risco, por parte da direção, que chegou a afirmar que descumpriria medida judicial cerca de 4 horas antes do jogo, depois com milhares de torcedores à porta do estádio afirmou que não descumpriria, a 15 minutos do início da partida, revoltando os que acreditaram nela, daí ocorrendo confrontos com a polícia e imagens de risco, inclusive a crianças, para em estado de calamidade serem abertos os portões aos 35 do 1º tempo e os torcedores ocuparem seu lado de destino, que para a própria direção só o foi daquela vez, pois jamais peitou a escolha do lado ao adversário Fluminense, nos jogos seguintes.

Mais uma herança, por sinal, do MUV, apesar dos esforços de Eurico Miranda em 2013 (como oposição) para que o Vasco não permitisse a troca pretendida pelo Fluminense, o que o levou a sugerir aos torcedores vascaínos que fossem peitar a decisão, modificando seu ponto de vista, a nosso pedido, e num programa especial “Casaca! no Rádio”, encomendado para isso na véspera da partida.

No dia seguinte estava lá o Casaca! e membros da Força Jovem protestando pela manhã, na porta do estádio, e vibrando com a derrota destinada ao Fluminense à tarde, a maioria de nós em casa, mas satisfeita, ao menos, com o enredo da partida.

O Vasco, nesse período, obteve mais quatro Taças Rio, duas por antecipação (2001 e 2003) e duas em decisões diretas, contra Fluminense (2004) e Botafogo (2017).

Objetivos e títulos não foram obtidos pelo Vasco em função das já famosas arbitragens. O que teríamos conquistado ou brigado para conquistar se o VAR datasse de 2000 e não 2019 é algo a ser destacado.

Em 2000, no Campeonato Carioca, haveria um pênalti para o Vasco no primeiro jogo da decisão, quando o placar era de 0 x 0 e nos pés de Romário para bater, isso no 1º jogo da decisão, enquanto no 2º o gol número 2 do adversário seria anulado por impedimento. No fim do ano, antes de o alambrado cair, haveria, também, a chance de em São Januário o Vasco cobrar um pênalti, com Romário (vejam o teipe) e talvez o lance não suscitasse o incidente ocorrido por discussões menores a respeito do baixinho e do craque Edmundo minutos depois, que levou o alambrado a ceder.

Em 2001, certamente o pênalti sobre Euller no 2º jogo da decisão do Campeonato Carioca seria marcado. No Campeonato Brasileiro, prejudicado em 10 pontos, o Vasco, com arbitragens justas, teria não só chegado aos play-offs (modelo que deverá ser adotado este ano por consequência do corona vírus e o futebol parado por longo tempo, se tudo se encaminhar bem, assim esperamos), como, também, entre os quatro primeiros. Novamente entre os quatro terminaria o Vasco em 2006 e 2017, entre os oito (e classificado para os play-offs) em 2002, entre os oito, também, em 2005 e 2015 e seria ainda Campeão Brasileiro no ano de 2011.

Insólitos critérios de arbitragens, cegueira inacreditável e erros crassos eliminaram o Vasco dos Campeonatos Estaduais de 2005 e 2010, facilitaram a conquista do adversário em 2004 (apesar de um erro capital favorável ao Vasco, mas três em favor do oponente) e nos tiraram o título em 2014, já nos acréscimos, além de serem decisivos para que não chegássemos na final da Taça Guanabara de 2008.

Pela Copa do Brasil foi um festival de erros contrários ao clube, imperiosos para as eliminações do clube nos ano de 2003, 2008 e 2016, desconsiderando-se aí outros cometidos em 2009 e 2013, porque também favoráveis ao Vasco na mesma disputa, contra o mesmo clube.

Mas se as arbitragens não conseguiram transformar os 20 últimos anos do Vasco parecidos com os de Corinthians (22 sem títulos), Botafogo (20 sem títulos), Palmeiras (16 sem títulos) e Santos (17 sem título nacional ou estadual, ganhando no período Rio-São Paulo e Copa Conmebol), entre parte dos anos 50 até o início do século, dependendo do clube, sem dúvida atrapalharam outras que trariam uma média superior a que tivemos nesses 20 anos (um título a cada 3 anos e 4 meses e uma taça oficial a cada 1 ano e cinco meses).

Como se sabe, nesse período, também o Vasco foi Bicampeão Brasileiro e Bi da Liga Sul-Americana de Basquete no masculino, Campeão Brasileiro e da Liga Sul-Americana no basquete feminino, fora outras conquistas no esporte, chegou ao Tri, Tetra e Penta no Remo, repetindo as conquistas em 2005 e 2008, teve ícones do esporte olímpico mundial levando a marca do Vasco no corpo, mesmo sem qualquer patrocínio, em inúmeras conquistas nacionais e internacionais (falamos de Adriana Behar e Shelda), levou a maior delegação de um clube praticante de futebol às Olimpíadas, em projeto no qual a marca Vasco foi exposta, com emblemas, conquistas e alto retorno de mídia, a ponto de mostrar, mesmo com o futebol em baixa, numa pesquisa realizada por Lance/Ibope, em outubro de 2004, aumento da torcida vascaína na ordem de 14%, em relação à anterior, realizada em 2001. Em Jogos Olímpicos e Pan-Americanos posteriores medalhas foram invariavelmente conquistadas por atletas que representavam o Vasco por contrato ou gratidão.

Foram títulos nacionais no Futsal, Natação, Atletismo, entre diversos outros esportes, individuais e coletivos e depois a aposta, também nos esportes Paraolímpicos. No adulto e na base.

Em termos de patrimônio, após o massacre sofrido entre o final de 2000 e o início de 2001, São Januário foi palco de clássicos, de reformas, deixado com a capacidade de público na ordem de 24.500 pagantes em 2008, diminuída nos tempos do MUV, aumentada novamente (do número deixado), a partir de 2016, com mais obras realizadas.

O Vasco comprou em imóveis praticamente uma rua inteira, uma ação iniciada em 1998 e encerrada no ano de 2002, uma escola foi criada no Vasco, com profissionais às expensas do clube, criou-se o CAPRRES há 5 anos, que teve seu espaço depois, também, criado para a base e esportes olímpicos. O clube construiu uma concentração para os profissionais em 2003, abandonada pelo próprio Vasco no 2º semestre de 2008 e depois descuidada ao longo do tempo pela gestão sucessora, assim como a atual destruiu o CAPRRES, construiu ainda um campo anexo, em 2016 e realizou várias obras objetivando satisfazer o poder público e dar mais segurança a seus torcedores e, ainda, torcedores visitantes.

Após o tsunami do MUV o ginásio (com ajuda da torcida) foi reformado, o parque aquático reaberto e todo remodelado, a concentração dos juniores em São Januário novamente utilizada, num espaço criado nos anos 90 e reavivado em 2015, a Sede Náutica e do Calabouço se mantiveram, com obras e melhoramentos, a sede alugada do Vasco-Barra, foi local para treinamentos, jogos e preparação de várias categorias de atletas amadores, até a troca de gestão em 2008 e as consequências disso, o Vasco brigou por sua sede na Washington Luiz ser seu centro de treinamento por anos, chegando a construir campos lá e utilizar o local.

Hoje, com notória participação de sua torcida, mantém o Vasco esforços para que obras no seu futuro CT sejam finalizadas e uma nova opção de espaços para treinamentos aberta e infelizmente o clube perdeu o bonde da história para reformar seu estádio, a partir de 2008, quando o MUV pegou o clube com um protocolo de intenções posto já no papel entre Vasco e a empresa portuguesa Luso Arenas para reforma e ampliação de seu estádio, o que em função da crise econômica mundial que se avizinha poderá ser até possível, mas não de forma tão simples como o clube pretendeu convencer seus conselhos e sócios que seria no ano passado.

Sobre a base, fora conquistas em diversas categorias, o Vasco, a partir de 2000, apresentou nomes como Hélton, Morais, Alan Kardec, Souza, Alex Teixeira, Phillippe Coutinho, Allan, Douglas Luís, Paulinho, Tales Magno, entre outros, além dos que podem vir a brilhar pelo clube ao longo dos próximos anos.

Contratações foram sim realizadas, nesses 20 anos, como apostas mais arriscadas ou não, de nomes importantes em campanhas e trajetórias do clube. Assim vieram em 2000, já no 2º semestre, Euller e Juninho Paulista, em 2002 voltaram Ramon e Valdir e chegou Petkovic, em 2003 foram trazidos Marcelinho Carioca e Edmundo, em 2004 retornou Petkovic, em 2005 (contra 57% dos vascaínos, segundo pesquisa do site Netvasco à época) veio Romário e no mesmo ano, também, Alex Dias, em 2006 o Vasco ressuscitou Leandro Amaral, em 2007 trouxe Romário para o milésimo e contratou, também, Conca, em 2008 trouxe Edmundo de volta e Pedrinho, embora no momento errado, em 2009 Carlos Alberto e a boa surpresa da temporada, Ramon, em 2010 apostou com sucesso em Dedé e trouxe, também Felipe e outro atleta que superaria expectativas (Éder Luís), em 2011 veio Diego Souza, Anderson Martins, que superou expectativas e retornou Juninho, que voltaria a atuar no clube em 2013, em 2014 Martin Silva, Douglas e Kléber foram trazidos, os dois últimos menos comprometidos em virtude dos salários sistematicamente atrasados, em 2015 Nenê e Andrezinho, em 2016 outra aposta que viria a dar certo com o tempo (Yago Pikachu), em 2017, Wagner, Luis Fabiano (importante até contundir-se) e retornou Anderson Martins e em 2018 Leandro Castan e Maxi Lopez e para a temporada de 2020 German Cano como principal no me e até aqui convencendo. É fácil falar do que não deu certo de apostas ruins ou péssimas, difícil é enaltecer os acertos do clube, que quando contrata, dependendo de suas condições, busca o acerto e não o erro.

O Casaca! se tornou um grupo político, conforme amadureceu, chegou a fazer parte, no espaço que teve, no triênio 2015/2017 (02/12 de 2014 a 15/01 de 2018 para ser mais exato), mas jamais saiu de sua linha de pensamento. É oposição clara a gestão atual, desde maio de 2018, tendo mostrado um espírito a partir de janeiro afeito a esquecer o passado de brigas e de busca pela unificação do clube à época com a chegada ao poder de outro grupo político, com apoio do Conselho de Beneméritos do clube, de Eurico Miranda e nosso. Nossa posição alicerçou-se na indecente carta apresentada pela atual gestão do clube e seus “planilheiros”, que jogou no ralo todo o trabalho feito por três anos (inclusive com diminuição da dívida global do clube em dezenas de milhões de reais) para chorar pitangas, embora soubesse que recebera em menos de 90 dias praticamente 60 milhões limpos, de herança deixada por uma gestão que pagou em dia e obteve certidões durante 2 anos e 8 meses de sua gestão. O nome disso é claro: SACANAGEM! Que o discurso valesse para fazer campanha, porque em campanha muitos prometem e dizem qualquer coisa para iludir o público, tudo bem. Mas não reconhecer o trabalho de reestruturação do Vasco em três anos, após rebaixamento institucional e abandono do Vasco evidente ente julho de 2008 e novembro de 2014 não tem cabimento algum e não abrimos mão desse reconhecimento, daí nossa atitude, que não nos custou nada, porque nossa posição é ideológica, acima de tudo.

Não há como desmerecer, sendo justo, o trabalho de equacionamento financeiro feito no Vasco, entre 2004 e 2008 e entre 2015 e 2017, com problemas nos derradeiros quatro meses da gestão última de Eurico Miranda, que poderiam ter sido resolvidos com a simples venda de Paulinho, entre julho/agosto, o que não foi feito pelo clube, visando um bem maior para o próprio Vasco em 2018 (de fato o valor de venda seria o dobro 7 meses depois).

Não há como deixar de criticar o péssimo trabalho institucional feito pelo Vasco entre julho de 2008 e novembro de 2014, não há como questionar a terrível administração atual, que se desmantelou em maio de 2018 e dali por diante só fez decrescer o clube, como vimos e vemos. Não há como negar o dobrar de dívida do Vasco no período do MUV, o trabalho de manutenção do Vasco como partícipe da maior grupo quanto aos recebimentos das cotas de TV (maior receita entre os clubes), deixado pronto até 2011 por Eurico Miranda e o decréscimo proporcionado pelos gestores da administração sucessora.

Não se pode negar que num cenário de extrema dificuldade dos clubes brasileiros na primeira década do século, o Vasco obteve certidões em 2005, as manteve, com discussões e razão até 2008 e voltou a tê-las sequencialmente, a partir do retorno de Eurico Miranda à presidência do clube (cerca de 25 dias após assumir), até o final de setembro de 2017, para não mais obtê-las desde então.

É inequívoco que a média de patrocínio master obtida pelo clube nos três anos da última administração de Eurico Miranda foi de 11,5 milhões ano, contra menos de 1/3 disso na média da gestão atual e que quando Eurico Miranda apresentou, no início de 2008 um patrocínio máster de 3,6 milhões de reais (valores de hoje mais que o dobro) houve uma revolta não vista quando descobriu-se que o Vasco fechava por 2 anos um patrocínio master de 4 milhões ano pela atual gestão.

É altamente questionável o critério do MUV de dobrar na canetada a dívida do Vasco em 2009, passando-a de 220 milhões (menor que os outros três clubes grandes da cidade, o que se evidenciava pelas condições de acordos feitos pelo clube, em relação aos demais, certidões, gastos mensais, salários em dia, etc…

Por outro lado é inequívoco que o clube foi assumido em 2001, com salários atrasados por meses (direitos de imagem mais ainda), com 18 meses de antecipação de cotas de TV e, dito pela CPI com os documentos que teve em seu poder, cerca de 150 milhões de dívida global, e que foi deixado em junho de 2008 com salários em dia, certidões, partícipe de ato trabalhista (assinado nas mesmas condições pela gestão sucessora em agosto do mesmo ano), da Timemania, com patrimônio cuidado, sem penhoras em rendas de bilheteria, sem títulos protestados, com base forte, cerca de 10 modalidades olímpicas em disputa no clube, 10 milhões a serem recebidos pela gestão sucessora, divididos em três parcelas, após 30, 180 e 365 dias, com custo de 3,5 milhões mês para satisfazer seus pagamentos, há 108 rodadas sem frequentar a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e, ainda, em nono lugar na competição, após oito rodadas, numa delas colocado na zona da Libertadores. O que veio depois e o que foi feito com o Vasco depois, até 02/12/2014 é algo quase insano.

Sabemos perfeitamente que as cobranças a Eurico Miranda foram muito maiores, interna e externamente, que a feita a outros, normalmente confortáveis em suas gestões, embora infinitamente mais limitados em gerir. Sabemos, também, que com sua morte o parâmetro passou a inexistir para o futuro, portanto, a cobrança deve ser maior a todos, sem acobertamento ou mão na cabeça de quem gere, porque isso é danoso ao próprio clube e as exigências de um mercado competitivo dos mais duros em todos os setores.

A gestão em questão, e, também, não há como questionar isso, foi fruto de uma junção de chapa para derrotar a nossa na eleição última, sem qualquer sentido ou razoabilidade, que não fosse vencer o pleito. Com menos de um mês já estava rachada e na eleição do Conselho Deliberativo apresentou dois candidatos, o que levou a escolha de um deles para presidir o clube. É mentira que o grupo, que se fez conhecer por “amarelo” respeita, por princípio, a vontade da maioria do quadro social, pois lançou candidato na eleição do Conselho Deliberativo em 2014 e nela 26 conselheiros votaram em Julio Brant, que teve sua chapa derrotada na eleição de São Januário, contra 190 votos para Eurico Miranda na ocasião.

O momento, no entanto, não é o de lamuriar-nos pelo passado ou simplesmente comprovarmos razão ao longo desses 20 anos, deblaterando acima dos pensamentos norteados no futuro.

O Vasco precisa de união e paz, precisa de coesão interna, precisa talvez de dois ou três grupos, no máximo, com 20 anos de serviços prestados ao clube, conceito claro de Vasco e não dessa multiplicidade de pequenos grupos, cada um com sua solução mágica, pulverizando mais ainda os polos de discussão para não se chegar à conclusão alguma, a ponto de termos visto vários deles anteporem-se à reforma do estatuto do clube, que trouxe em seu bojo importantes mudanças para o Vasco, seus gestores e quadro social. Reforma essa que o Casaca! brigou para que fosse popular, visando sócios futuros para o clube, como visou, também, proteger sócios mais antigos e laureados, que deram muito de si para o clube e terão de nós, apesar da discordância atual política em relação a maioria, nosso respeito e nossa defesa, quando houver a tentativa de ataque ou constrangimento a eles.

Por fim, o Casaca! celebra hoje 20 anos, agradecendo imensamente a todos os que nos ajudaram nessa caminhada ao longo do tempo, sabendo que a junção de tanta gente a nosso favor se dá pelo respeito a elas, primordialmente, e à visão de Vasco que nos unifica e está próxima, cremos, de unificar o clube, num mesmo propósito de crescimento e valorização de si, ignorando cada vez mais os que querem jogar o Vasco para baixo, sejam opositores externos ou até mesmo internos.

Equipe Casaca!

Fonte: Casaca!