Torcida

Clubes tentam aperfeiçoar programas para atrair sócio-torcedores

 O Brasil tem hoje cerca de 145 milhões de torcedores, mas não passa de 350 mil associados a clubes de futebol do país. Os programas de sócio-torcedor ainda se mostram deficientes na busca dos clubes por receitas cada vez maiores, e que possa ser um item importante na construção de uma equipe competitiva. Para especialistas,  aqueles que sabem transformar o esporte em um verdadeiro produto, pronto e acabado, largaram na frente.

- Se o produto não está pronto, não adianta o apelo: "isso aqui é nação", "isso é clube de guerreiros", "vamos em frente tchê", "eu sou mineiro uai". Não adianta esse apelo, que pega no momento inicial, mas quando volta à razão as pessoas saem por falta de crença - indica Sylvio Maia, professor de gestão e marketing esportivo do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec).

No Brasil, o programa mais bem sucedido é o do Internacional, com mais de 105 mil sócios. O do Cruzeiro também tem se destacado com ações de marketing neste ano, e o número já atingiu os 35 mil sócios. Para o diretor de marketing do clube mineiro Marconi Barbosa, o programa deve se basear em três pilares.

- Uma casa definida, no caso do Cruzeiro o Mineirão; uma política de ingressos, onde o torcedor pode fazer a conta e ver vantagem econômica em se associar; e por fim um time competitivo.

No caso do Flamengo, o programa de sócio-torcedor foi lançado em março, depois que outros fracassaram no passado na Gávea. Dessa vez, ele surgiu com o apoio do ídolo rubro-negro Zico. O projeto alcançou rapidamente os 35 mil sócios, mas a renda de R$ 1,38 milhões nos primeiros três meses diminuiu o otimismo inicial. Ainda assim, a meta continua sendo fechar o ano com 200 mil sócios e R$ 300 milhões de receita, apesar de hoje, por exemplo, o Flamengo não ter um estádio como sua verdadeira casa para a sua torcida.

- Nós acreditamos que ainda tem muito espaço de facilidades de venda, principalmente ligados à distribuição, que pode alavancar muito o programa. Mas a gente considera o programa extremamente bem sucedido - avalia Fred Luz, direto de marketing do Flamengo.

Marcel Marcondes, diretor esportivo da AMBEV, gigante de bebidas, encontrou no ramo dos programas de sócio-torcedores um projeto que pode transformar as receitas dos clubes.

- A gente tem grandes empresas que participam desse grupo e todas elas embarcaram na ideia e falaram: a gente vai oferecer benefícios para quem for sócio do clube, que giram em torno de 5 a 10%. Se a gente mudar o nosso 0,2%, que era lá em janeiro dos torcedores de todo o país sendo sócios, para 2%, que ainda é metade d que tem o Benfica (de Portugal), injetamos nos clubes de futebol do Brasil, via programa sócio-torcedor, mais de R$ 1 bilhão por ano.

Time forte para o torcedor, mais renda para os clubes, empresas lucrando. Nenhum clube do Brasil conseguiu descobrir ainda a fórmula exata. No país mais vitorioso do futebol mundial, paixão ainda não é sinônimo de dinheiro em caixa.

Fonte: Sportv.com
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